sábado, 30 de outubro de 2010

Aprendendo sobre analise fundamentalista

Existem basicamente duas escolas de analise das ações disponíveis no mercado. A analise técnica ou gráfica e a analise fundamentalista, que se preocupa com as questões financeiras e de governança corporativa de uma organização. Vamos entender melhor a escola fundamentalista neste momento. Boa Leitura!

Precificação

Determinar o valor teórico de um ativo é um processo tão importante quanto difícil. Fluxo de caixa, múltiplos de mercado, lucros residuais são apenas alguns dos aspectos levados em conta nas inúmeras metodologias de valuation existentes no campo teórico do mercado financeiro.

A despeito da complexidade do assunto, vale a pena ao investidor conhecê-lo um pouco mais. Afinal, saber quanto teoricamente vale o ativo que se está comprando, vendendo ou até mesmo mantendo inalterado na carteira é fundamental em qualquer estratégia de investimentos.

O CAPM

O modelo de precificação de ativos financeiros, mais conhecido mundialmente por sua sigla em inglês CAPM (Capital Asset Pricing Model), é um dos mais utilizados no mundo das finanças para se determinar o valor teórico de uma ação.

Sua premissa básica, formulada pelos economistas Harry M. Markowitz e William F. Sharpe, é a de que um investidor só aplica em um ativo se o retorno esperado compensar o risco inerente. Com todos os investidores agindo desta forma, surge uma relação direta entre retorno médio do mercado e desvio-padrão, ou seja, ativos de maior retorno acabam sendo também os de maior risco.

A ideia de equilíbrio permeia o modelo. Um papel com risco inerente baixo será altamente procurado, elevando seu preço, e consequentemente, diminuindo seu retorno, até que se atinja o equilíbrio – o oposto também é válido, segundo o CAPM. Dessa forma, pode-se concluir que o modelo vê o preço do ativo como sendo correspondente à rentabilidade exigida pelos investidores como compensação pelo risco que correm.

Os cálculos do CAPM são bastante complexos e refinados do ponto de vista estatístico. Em contrapartida, críticos afirmam que suas premissas são exageradamente generalizadas e pecam em pontos como a eliminação dos custos de transação e impostos, a presumibilidade de perfis iguais entre os investidores e de que as informações são claras e disponíveis a todos.

Outros modelos de fluxos de caixa

Outro modelo bastante utilizado pelos analistas é o CMPC (custo médio ponderado do capital), também amplamente conhecido por sua sigla em inglês WACC (Weighted Average Cost of Capital). Como o nome diz, a metodologia baseia-se numa média ponderada entre capital de terceiros e capital próprio.

Ainda num mesmo grupo de metodologias similares, há o modelo de valuation que leva em conta o pagamento de dividendos, sendo bastante intuitivo: por ser uma fatia da empresa, cabe à ação o pagamento periódico de proventos. Seu valor, portanto, é o valor presente dos dividendos esperados.

Muitas vezes, analistas recorrem à combinação e integração de tais modelos, que têm como característica comum a importância da análise do fluxo de caixa da empresa, a fim de determinar seu desempenho futuro. O valor de uma empresa, e de suas ações, dessa forma, pode ser definido como correspondente ao valor presente dos fluxos de caixa futuros de suas atividades operacionais.

Cabe ressaltar, no entanto, que tais metodologias – ou a integração delas – são bastante utilizadas quando se estuda ativos de uma empresa de comportamento operacional linear em relação ao tempo, ou seja, sem grandes oscilações de atividade que não podem ser previstas.

Arbitragem

Um outro modelo, bastante distinto dos anteriores e mais simples, foi desenvolvido em 1976 pelo economista Stephen A. Ross, batizado de APT (Arbitrage Pricing Theory). Segundo os estudos de Ross, carteiras com estruturas e perfis semelhantes devem apresentar retornos semelhantes. Caso contrário, estabelece-se no mercado uma oportunidade de “arbitragem”, isto é, o investidor vende a carteira com menor expectativa de retorno e, em troca, compra a carteira com maiores expectativas de ganhos.

O modelo não é tão rígido como o CAPM e o WACC, carecendo de um maior refinamento estatístico, dizem seus críticos. O número de fatores que determinavam o retorno dos ativos não foi formalmente estabelecido, embora se considere que variáveis macroeconômicas, como mudanças em inflação e juros, sejam as mais impactantes.

Avaliações por índices

Um outro espectro de modelos de valuation tenta preencher o vácuo deixado pelas metodologias relacionadas aos fluxos de caixa, pouco eficientes quando, por exemplo, o pagamento de dividendos é realizado de forma irregular ou o perfil operacional da empresa ao longo do tempo é oscilante.

São as avaliações por meio de índices de valor de mercado, mais conhecidos como modelos de múltiplos de mercado. Tais avaliações baseiam-se em diversos índices, que fornecem informações básicas, quase intuitivas, sobre o valor do ativo em relação aos dados contábeis de sua empresa. Entre os mais conhecidos, estão:

- Índice Preço/Lucro (P/L): o índice mais utilizado é determinado pelo quociente entre o preço da ação no mercado sobre o lucro por ação registrado ou projetado pela companhia. Quanto maior for este índice, maior é a perspectiva que o mercado tem sobre o crescimento futuro da empresa.

- Índice Preço por Valor Patrimonial (P/VP): por sua vez, este índice é determinado pela relação entre o valor de mercado da empresa e seu patrimônio líquido. Quanto menor for seu resultado, mais descontada está a ação e menor a perspectiva do mercado quanto aos fluxos de caixa da empresa.

Outro índice também utilizado em larga escala pelos analistas, similar aos citados acima, é o que leva em conta o preço de mercado da ação dividido pelo Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Nele, quanto maior for o número obtido a partir da divisão realizada, maior a expectativa de crescimento da empresa analisada.

Lucros residuais

Nos últimos anos, além dos modelos de fluxo de caixa descontados e das avaliações de ativos por múltiplos, vem surgindo um novo escopo de metodologias de valuation, baseadas em uma maior ênfase ao aspecto contábil das empresas, batizados de modelos de lucros residuais, dentre os quais o Modelo de Ohlson é o que mais se destaca.

Segundo tal modelo, o valor de uma companhia é obtido através da relação entre seu valor contábil, calculado por meio de uma série de premissas como oportunidade e competência, e os chamados “lucros anormais futuros”, que são a expectativa do mercado quanto ao desempenho contábil da empresa.

Renda fixa

Embora todos os modelos e metodologias citados acima refiram-se a ações, ativos de renda fixa também são objeto de estudos similares, sendo também títulos emitidos por empresas ou pela companhia mais complexa de todas, o governo. A avaliação desses títulos, no entanto, difere bastante, levando em conta sobretudo aspectos como o rendimento até a maturidade.

Principais múltiplos financeiros analisados

Um dos instrumentos mais utilizados pelos analistas de mercado para identificar se a ação de determinada empresa está "cara" ou "barata" é certamente a Análise por Múltiplos. A abordagem é particularmente útil na comparação entre papéis de companhias de um mesmo setor de atuação, pois coloca em uma mesma base de comparação os papéis de empresas distintas pertencentes a um mesmo setor.

Valor de mercado ou Valor de empresa?

Se a análise por múltiplos tem como objetivo definir se uma empresa está barata ou cara, resta entender que "preço" será usado para definir isso. Esse é, na verdade, o primeiro passo que o analista deve tomar: a referência de avaliação será o valor da empresa como um todo (parcela dos acionistas e credores) ou o valor de mercado (parcela dos acionistas)?

Essa definição é importante, pois irá determinar quais indicadores poderão ser usados no calculado do múltiplo. Afinal, para que a análise seja consistente é importante que os indicadores sejam compatíveis com o valor de referência usado para avaliar a empresa.

Valor de mercado

Definido como a soma do valor de mercado de todas as ações que a empresa possui, ou seja, é o valor que os acionistas da empresa podem receber caso queiram vender suas ações. Nesse caso, os indicadores escolhidos devem ser aqueles aos quais os acionistas têm direito: patrimônio líquido ou lucro líquido.

Valor de empresa

É calculado como sendo a soma do valor de mercado (acionistas ou capital próprio) mais a sua dívida líquida (credores ou capital de terceiros). Nesse caso, recomenda-se usar os indicadores operacionais que medem o resultado da empresa antes do pagamento dos encargos com dívidas.

É importante lembrar que no caso de instituições financeiras, não se calcula o "valor de empresa", pois as despesas financeiras e a alavancagem patrimonial fazem parte das atividades operacionais do setor.

Essa compatibilidade entre indicador que será usado e o valor de referencia da empresa é importante, pois somente assim é possível garantir que os múltiplos derivados sejam consistentes e representativos.

Decifrando os múltiplos

Atualmente, o múltiplo mais utilizado pelos analistas de mercado é o VE / Ebitda. Para quem não está familiarizado, o termo Ebitda vem do inglês e equivale ao Lajida em português (Lucro Antes de Juros, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização).

Obviamente, a escolha deste múltiplo como o mais popular do mercado não é fruto da aleatoriedade, mas sim do fato deste refletir com maior precisão a realidade financeira da empresa. Isto porque a idéia transmitida pelo seu denominador, ou seja, pelo Ebitda, relaciona-se à capacidade da companhia de gerar recursos apenas em sua atividade, sem considerar os efeitos financeiros e de impostos.

Assim, a análise deste indicador mostra-se, muitas vezes, mais eficiente do que a simples avaliação do resultado final de uma empresa (lucro ou prejuízo líquido), dado que este último é freqüentemente influenciado por itens extraordinários.

Como o Ebitda é uma medida do fluxo de caixa de uma empresa, o qual pode ser compartilhado entre seus acionistas e credores, o numerador utilizado neste múltiplo deve refletir o capital total da companhia, ou seja, seu patrimônio somado à dívida de longo prazo, para que o múltiplo como um todo seja consistente, justificando assim a utilização do EV no numerador e não somente do valor de mercado da empresa.

Comparação intra-setorial

Ainda discorrendo a respeito do EV / Ebitda, é interessante frisar aqui a importância da comparação de múltiplos de empresas de um mesmo setor. Tentar estabelecer uma relação entre os múltiplos da Telemar com os da Vale do Rio Doce, por exemplo, será certamente bastante equivocado, devido às peculiaridades existentes nos diferentes ramos de atuação destas duas companhias.

Somente a título ilustrativo, enquanto os papéis da empresa de telecomunicações negociam com a razão EV / Ebitda estimado de 2005 em torno de 2,8x, as ações da Vale transacionam a 5,1x, de acordo com as projeções dos analistas da corretora Agora Sênior.

Entre empresas de um mesmo segmento, entretanto, a comparação faz mais sentido. Novamente segundo as estimativas da Agora, os papéis da CAEMI negociam com relação EV / Ebitda estimado de 2005 a 5,0x, em linha com a da Vale, sua controladora.

Outros indicadores interessantes

Apesar de bastante eficiente em grande parte das situações, o múltiplo acima apresentado também apresenta algumas deficiências. O EV / Ebitda não é utilizado para instituições financeiras, uma vez que para estas empresas endividamento financeiro e despesas financeiras fazem parte de suas atividades normais.

Surge então a clara necessidade do cálculo de outros múltiplos. Outra razão bastante utilizada pelos analistas é o Preço / Valor Patrimonial por Ação (P/VPA), que indica quanto o mercado está disposto a pagar por cada R$ 1 investido pelos acionistas na empresa.

É comum ainda vermos cálculos da relação Preço / Lucro Líquido por Ação (P/LPA), a qual expressa o valor de mercado da empresa em termos de seu lucro líquido. Assim como o múltiplo apresentado imediatamente acima, quando a razão P/LPA está em alto patamar pode haver um indicador de que a ação está cara em relação à sua geração de lucro, valendo o raciocínio inverso para momentos em que o múltiplo está baixo. Em geral, os analistas procuram trabalhar com uma medida de lucro ajustada para itens extraordinários de forma a trazer mais consistência para a análise.

Preço Justo

Freqüentemente, diversas instituições publicam relatórios com os seus "preços alvo" ou "preços justos" para as ações de uma série de empresas. Mas como é determinado o chamado "preço justo" por ação?
Certamente, uma das abordagens mais utilizadas pelos analistas de mercado para estabelecer o valor justo de um papel é a análise pelo Fluxo de Caixa Descontado, ou Discounted Cash Flow - DCF em inglês. A metodologia determina que a empresa seja avaliada pelo valor dos seus fluxos de caixa trazidos a valor presente por uma determinada taxa de desconto, daí seu nome.

Prevendo o fluxo futuro de caixa

Para chegar ao valor justo do papel, através do método de DCF, deve-se, primeiramente, projetar, para um determinado números de anos, o fluxo de caixa da empresa, com base em algumas premissas futuras feitas pelo próprio analista, e depois aplicar a taxa de crescimento na Perpetuidade.

Assim, o analista prevê o desempenho das principais variáveis da empresa, como receitas, despesas, etc, em um período onde se sinta confortável em projetar o comportamento destas variáveis. Como a empresa seguirá sua trajetória nos anos seguintes, cabe ao analista determinar uma taxa de crescimento para o fluxo de caixa no futuro, que é conhecida como taxa de crescimento na perpetuidade.

Analisando a valor presente

Projetando-se a soma dos fluxos futuros trazidos a valor presente por uma taxa de desconto, chega-se ao "valor justo" da empresa. Esta taxa de desconto leva em consideração tanto a taxa livre de risco quanto quaisquer elementos de risco, como endividamento, por exemplo, que possam afetar a empresa. Assim, para empresas que atuam em ambientes de menor risco, a taxa é menor, com o inverso sendo válido para riscos maiores.
De acordo com um dos cálculos básicos da matemática financeira, descontar um fluxo de caixa por uma taxa baixa leva a um maior valor presente, enquanto taxas de desconto mais elevadas acabam reduzindo o valor presente da empresa.

É importante ressaltar as aspas no termo "valor justo". O estabelecimento, principalmente, da taxa de desconto e das premissas futuras envolve critérios subjetivos, de modo que o "valor justo" estabelecido a uma determinada companhia conta, necessariamente, com o viés do analista.

Chegando ao "valor justo" da ação

Estabelecido o "valor justo" da empresa, resta saber o quanto corresponde às parcelas financiadas via dívida ou via ações. Vale lembrar que a avaliação pelo DCF analisa a empresa pelo lado das fontes de recursos, de forma que é preciso segregar o quanto corresponde ao endividamento (recursos de terceiros) e o quanto se refere ao montante financiado por capital próprio, sob a forma de ações.

Para atingir o valor do equity, basta subtrair a parcela referente ao valor de mercado da dívida líquida da empresa. Por fim, para chegar ao "valor justo" da ação, basta dividir o valor do equity da empresa pelo número de ações emitidas.

O que faltou discutir!

A campanha do segundo turno presidencial não logrou discutir os principais temas econômicos. Mais do que isso, os candidatos mudaram frequentemente de posição ao sabor de insondáveis desígnios dos marqueteiros. Arrolo, a seguir, alguns dos mais importantes temas sobre os quais as ações do futuro presidente serão fundamentais.


Começo com temas de longo prazo, que são os mais importantes, embora sempre relegados a segundo plano. É comum, e correto, afirmar-se que a taxa de investimento em relação ao PIB deve aumentar significativamente, sobretudo a do investimento em infraestrutura, para que se obtenha o almejado crescimento sustentado.

Além do capital físico, é necessário aumentar o capital humano, medido pela educação de nossa força de trabalho. Muito temos evoluído. Hoje, quase todas as crianças vão à escola, e o número médio de anos de estudo vem progressivamente aumentando. Infelizmente, nossas escolas ensinam pouco. Os testes internacionais padronizados mostram que nossos estudantes classificam-se muito mal quando comparados aos estudantes de outros países, vários deles mais pobres do que o Brasil. Via de regra, confunde-se a ineficiência de nosso sistema educacional com o volume de recursos, como se a mera prescrição de uma dada percentagem do orçamento para a educação tivesse o condão de resolver todos os problemas.

Não obstante a relevância de se acumular mais capital físico e humano, tão ou mais importante é elevar a produtividade total dos fatores (PTF). A PTF é uma medida de eficiência agregada da economia, incluindo a tecnologia e a alocação dos fatores de produção. Pesquisas em economia do desenvolvimento têm ajudado a balizar políticas de crescimento da PTF. Vários estudos indicam que a baixa PTF na América Latina, mesmo depois de reformas econômicas importantes, está relacionada à ineficiências na alocação dos fatores de produção. A informalidade é um importante fator de redução da PTF, pois firmas informais tendem a ser ineficientes por não poderem crescer. Outros fatores que prejudicam o crescimento da PTF no Brasil são: barreiras à entrada e saída de firmas de mercados brasileiros; legislação trabalhista que impede a realocação eficiente de trabalhadores; sistema tributário muito complexo com impostos demasiadamente elevados; economia ainda fechada ao comércio internacional; custo elevado do crédito e firmas pouco inovadoras com baixos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A remoção de alguns desses óbices ao crescimento requer reformas mais abrangentes, mas outros poderiam ser removidos com ações menores e focadas. A volta de algumas boas práticas do passado, como agências reguladoras independentes e tripuladas por técnicos competentes também traria ganhos à PTF.

O principal risco a longo prazo da economia brasileira é fiscal e está ligado à previdência social, pública e privada. A demografia brasileira nos provê excelente oportunidade de resolver o problema de forma gradual nos próximos 20 anos quando haverá muita gente trabalhando em relação aos contingentes de idosos e crianças. Mas é difícil empreender as reformas essenciais ao país em longo prazo, tendo em vista os pesados custos políticos de curto prazo, como demonstrado pelo recente exemplo francês.

Dentre os desafios de médio prazo, ressalta a questão do financiamento de taxas mais elevadas de investimento. Para crescer de forma sustentada a taxas próximas de 5% ao ano, será necessário investir muito mais. Dada nossa reduzida capacidade de poupança interna, sobretudo do setor público, será indispensável lançar mão de poupança externa. Ou seja, para atingirmos o crescimento sustentado, teremos de enfrentar um longo período de elevados déficits em conta corrente do balanço de pagamentos. Isso não necessariamente é um problema, pois os investimentos que forem realizados gerarão recursos no futuro, como no caso do pré-sal. Não obstante, passar longo período precisando absorver elevados volumes de recursos externos exigirá atenção das autoridades econômicas, sobretudo do Banco Central (BC), para evitar o surgimento de bolhas especulativas cujos estouros abortariam o crescimento.

A despeito dos inúmeros avanços do arcabouço institucional, com destaque para a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), o principal risco em médio prazo é também fiscal. A retomada do crescimento, aliada ao aumento da formalização de firmas e trabalhadores, tem provido sucessivos aumentos da arrecadação tributária. Infelizmente, o governo tem gasto tais recursos adicionais com despesas correntes, deixando em segundo plano os necessários investimentos e o aumento da poupança pública. Mas isso não é tudo. Recentemente, o governo aprendeu um novo truque: a criação de receitas fiscais ou empréstimos a instituições financeiras oficiais sem aumento da dívida líquida. Caso tais práticas condenáveis, que estão desmoralizando nossas estatísticas fiscais, sejam mantidas em 2011, eleva-se, substancialmente, o risco fiscal. É fundamental restaurar a credibilidade perdida de nossas estatísticas fiscais.

Mesmo em curto prazo, há efeitos muito ruins da enorme expansão fiscal recente. A expansão fiscal baseada em gastos correntes eleva a demanda agregada e a inflação, obrigando o BC a manter juros elevados. Os gastos adicionais oriundos da expansão fiscal prejudicam o investimento, e também elevam os gastos de consumo, sobretudo dos bens não transacionáveis. Ou seja, contribuem diretamente para apreciar a taxa de câmbio real. Como o BC tem que reagir ao aumento da inflação com juros mais altos, estes atraem mais capital externo, o que aprecia a taxa nominal de câmbio.

Em suma, a combinação de política fiscal expansionista com política monetária restritiva que vem sendo praticada no Brasil há muitos anos, mas que tem sido "turbinada" recentemente, é exatamente a oposta da que deveria ser realizada. É preciso conter o enorme avanço dos gastos públicos correntes para reduzir a taxa de juros, assim ajudando a depreciar a taxa de câmbio. Controles de capital, como os que têm sido criados recentemente, têm eficácia reduzida e efêmera. É fortemente desejável que o próximo presidente realize, logo no início de seu mandato, mudança na política fiscal visando diminuir a taxa de crescimento dos gastos fiscais correntes. Se não o fizer, corremos o risco de que chegue até a próxima eleição presidencial a surrada piada de que o Brasil é o país do futuro e sempre o será.

Boa eleição a todos.

Márcio G. P. Garcia, Ph.D. por Stanford, é professor do Departamento de Economia da PUC-Rio

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Corporate Profits Are Strong, But Markets Are Still Cautious

US and European companies are matching and beating profit expectations at a rate unseen for years, a signal that investor pessimism may be overdone, analysts say.

With around half of the companies in the S&P 500 having reported third-quarter 2010 earnings so far, 85 percent have matched or beaten estimates, compared with 79 percent in the average quarter over the last five years, according to Thomson Reuters data.

Early signs in Europe point to an even stronger quarter in terms of forecasts, with 73 percent in line with or above expectations compared with 60 percent on average, the highest upside surprise rate since 2006.
Yet investors don't seem to be getting the message. Though European sharesand to a lesser extent,  U.S. stocksgot a lift from positive earnings Thursday, the overall trend has been less than enthusiastic.

Yet investors don't seem to be getting the message. Though European sharesand to a lesser extent,  U.S. stocksgot a lift from positive earnings Thursday, the overall trend has been less than enthusiastic.

Despite the strong earnings performance, equity valuations have yet to rise above their long-term averages. The S&P 500 12-month forward price-earnings ratio stands at 12.7, compared to its 25-year average of 15.3.

Valuations versus government bonds look more favorable with an earnings yield of 7.9 percent, compared to a yield of 2.6 percent on 10-year U.S. government bonds. Though market pros are bullish about corporate earnings, investors remain skittish.

"The clients that we speak to are very skeptical about the 2011 numbers," said Robert Parkes, equity strategist at HSBC.  "We actually think they will be delivered. We are more optimistic on the earnings story. The skepticism from the market is reflected in current valuations, which are at an attractive level in our view."

Another signal the results are sending is that companies are finding themselves with surplus cash.
"Companies are doing very well but instead of investing their profits and creating economic growth they are hoarding money," said Mark Bon, a fund manager at Canada Life. "Like investors, they are behaving very cautiously ... Corporates are doing very well but are reluctant to invest in growth."

Some believe a bonanza of share buybacks and a further pickup in M&A activity could be destination for this cash. "What we have seen at the moment is that companies are generating very strong cash flows," said HSBC's Parkes. "Up to that point, they have not deployed that money. It's been sitting on balance sheets. The next stage is companies will deploy that money. They can return to shareholders or they can invest it ... We actually believe both areas will pick up at the same time."

Results strength has been broad-based across defensive and cyclical stocks, with the industrials and technology sectors seeing some of the biggest percentage surprises in aggregate.

Analysts now expect earnings for the MSCI World Index to grow 37 percent for 2010, but that number has risen from 28 percent at the start of the year as firms have surprised with their ability to grow earnings.
Further out, while a more moderate 15 percent growth rate is expected for 2011 there is still the potential for disappointment if global growth does turn down.

Forecasts for sales growth are more conservative, with 7.6 percent for 2010 and 5.7 for 2011 suggesting analysts think companies will continue to need to look for cost cutting and margin improvements to drive earnings

Source: CNBC

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

China e a relação comercial com a América Latina

Na última década, duas economias que pouco negociavam entre si tornaram-se grandes principais parceiras comerciais. O comércio entre a América Latina e a China passou de apenas US$ 10 bilhões por ano em 2000 para mais de US$ 100 bilhões hoje.

Muito do debate atual sobre a relação entre a China e a América Latina tem se focado sobre os níveis da taxa de câmbio. A preocupação é legítima no curto prazo, mas não devemos deixar essa polêmica obscurecer as oportunidades econômicas e sociais que podem ser criadas por meio de uma maior integração.


Graças à maior integração econômica, tanto a China como a América Latina e o Caribe se tornaram dois motores importantes de crescimento, que podem contribuir para a recuperação da economia mundial, especialmente depois da crise financeira global.
  
Hoje, a produção econômica combinada da América Latina e Caribe (cerca de US$ 2,6 trilhões em 2009) está próxima do PIB chinês de US$ 2,7 trilhões. Na última década, duas economias que pouco negociavam entre si, tornaram-se grandes principais parceiras comerciais: o comércio entre a América Latina e a China passou de apenas US$ 10 bilhões por ano em 2000 para mais de US$ 100 bilhões hoje.

No ano passado, a China tornou-se não só a maior importadora de produtos brasileiros como também a maior parceira comercial de Chile, Peru e Argentina. Enquanto as empresas chinesas produzem carros no Uruguai, por exemplo, os arquitetos chilenos estão vendendo serviços de arquitetura antissísmica para a China. Conglomerados energéticos chineses estão investindo no Brasil e multinacionais mexicanas produzem bens de consumo e produtos de pastelaria na China.

A boa notícia é que essa relação comercial ainda está em sua infância. Estamos no limiar de uma nova era de cooperação econômica e tecnológica que pode não só gerar riqueza, mas também permitir que a totalidade do nosso povo desfrute de prosperidade sustentável e uma melhor qualidade de vida. Para isso, tanto a China quanto a América Latina devem enfrentar vários desafios estratégicos.

Um deles diz respeito à energia renovável e a eficiência energética. Muitos países da América Latina e do Caribe compartilham o interesse chinês de reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. A China rapidamente se transformou em uma líder mundial no desenvolvimento de energia eólica e solar, iluminação energeticamente eficiente e aparelhos que economizam combustíveis e reduzem a poluição. A América Latina, que já recebe a maior parte de sua eletricidade de fontes renováveis, incluindo bicombustíveis, tem um enorme potencial de crescimento nesta área.

Outro setor importante é o de transporte limpo. Hoje a América Latina e o Caribe têm mais de 50 cidades com mais de um milhão de habitantes; a China tem pelo menos 170. Mobilidade e poluição do ar são os desafios centrais dessas cidades em crescimento. Várias cidades latino-americanas foram pioneiras em sistemas Bus Rapid Transit, que integram os ônibus ecológicos com os sistemas de transporte existentes. A China está se tornando uma líder em sistemas de transporte de alta velocidade, controle de tráfego inteligente e veículos elétricos. As oportunidades para uma colaboração frutuosa e investimento são óbvias.

Água e saneamento também representam um desafio comum. Tanto a China quanto a América Latina enfrentam escassez de água por questões relacionadas ao clima e precisam urgentemente limpar rios, lagos e proteger as fontes de água subterrânea. Várias empresas de serviços públicos no México e na China recentemente se tornaram líderes na área de reciclagem e reutilização de águas residuais. As empresas que podem fornecer soluções rentáveis nesse setor têm excelentes perspectivas de crescimento.

Finalmente, a China e a América Latina têm muito a aprender um com o outro na área de agricultura sustentável. O instituto de pesquisa agrícola do Brasil, Embrapa, foi pioneiro no desenvolvimento de sementes oleaginosas de alto rendimento e de outras culturas que hoje são importadas pela China. Já a China, por sua vez, tem imenso talento científico em áreas afins. Agora é a hora de se fertilizar mutuamente o conhecimento e a tecnologia para expandir a produção de alimentos usando menos água e terra.

Na semana passada, mais de mil empresários chineses e latino-americanos participaram da Cúpula de Negócios China-América Latina em Chengdu. O evento, organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Conselho Chinês para a Promoção da Integração e Comércio, é parte dos esforços do banco para gerar novos investimentos nestes e em muitos outros setores-chave, além de nos ajudar a compreender melhor nossos negócios e culturas de consumo.

O BID é a principal fonte de financiamento multilateral da América Latina e do Caribe. No ano passado, tivemos a honra de receber a decisão visionária da China de se tornar um membro do Banco. Já assinamos vários acordos de cooperação com entidades chinesas. Estamos prontos para trabalhar com nossos parceiros chineses para financiar projetos que trarão oportunidades duradouras, prosperidade e dignidade ao povo da China, América Latina e Caribe.

Luis Alberto Moreno é o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


Fonte: Valor Econômico de 26/10

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Twitter e Google ajudam a prever o comportamento das ações

Da próxima vez em que você decidir operar no mercado de ações, melhor checar seu Twitter primeiro. Enquanto parte do mundo ainda se pergunta que utilidade dar ao microblog hit das redes sociais, pesquisadores americanos defendem que os posts do site podem ajudar a prever as altas e baixas do mercado financeiro.


A pesquisa é da University Bloomington, de Indiana, nos Estados Unidos, e sustenta que o humor dos mais de 160 milhões de usuários do Twitter pode ser um sinal de como o índice Dow Jones (referência da Bolsa de Nova York) vai se comportar com 86,7% de precisão e quatro dias de antecedência. O segredo de tal bola de cristal? A montanha russa emocional dos usuários, dizem os cientistas.
O mapa para o futuro das ações foi descoberto pelos pesquisadores Johan Bollen e Huina Mao como resultado do cruzamento de duas ferramentas de monitoramento de humor, o OpinionFinder e o Google Profile of Mood States. Os cientistas examinaram 9,8 milhões de tweets de 2,7 milhões de perfis aleatórios com as palavras “eu sinto” ou “estou me sentindo” (I feel e I’m feeling), entre março e dezembro de 2008. A surpresa foi grande quando perceberam que o resultado se alinhava com o Dow Jones – com uma antecedência de três ou quatro dias.
“Foi o meu momento Eureka”, disse Mao em entrevista à revista de cultura digital Wired após a divulgação da pesquisa. Para testar o padrão, a dupla de pesquisadores aplicou um algoritmo baseado em dados do mercado, e obteve 73,3% de precisão. Ao adicionar os dados do twittter, a correspondência aumentou para 86,7%. O estudo foi divulgado no dia 18 de outubro.
Comportamento
Que a opinião pública pode refletir no desempenho dos mercados não é nenhuma novidade. Assim como não o são estudos de economia baseado no comportamento de usuários na internet. Um caso recente são as pesquisas para previsão das taxas de desemprego, cujos resultados também foram refinados após cruzamento com informações de buscas do Google.
Conhecido como Índice Google, a metodologia compara a incidência de pesquisas relacionadas a trabalho sobre o total de pesquisas e teve uso bem sucedido na Alemanha e em Israel. Assim como o caso do Twitter e do mercado financeiro, os dados não funcionam sozinhos, mas afiam a precisão dos resultados. “Modelos reforçados com o índice superaram as previsões divulgadas pelo Federal Reserve da Filadélfia”, defendem os economistas Francesco D’amuri e Júri Marcucci, que aplicaram o padrão em estudos sobre o mercado de trabalho americano.
“Mostramos que a precisão das previsões de desemprego melhorou dramaticamente quando o índice de busca de vagas no Google é utilizado como indicador líder”, defendem os economistas em artigo. “O intenso interesse público em dados de desemprego exige previsões oportunas e precisas. Considerar os dados do Google é uma forma de ajudar a alcançar este objetivo”.
Leia a pesquisa da Universidade de Indiana na íntegra. http://arxiv.org/abs/1010.3003

Fonte: Exame

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Risco de Superendividamento: 39% da renda no Brasil vão para dívidas

Dados do Banco Central mostram que, nos últimos cinco anos, o número de brasileiros com dívidas superiores a R$ 5 mil, considerando todos os tipos de empréstimo, saltou de 10 milhões para 25,7 milhões.
Mas esse total pode ser muito maior, já que não considera os cidadãos que não têm conta em banco -- cerca de metade da população.
Na avaliação da Serasa Experian, diante da falta de informações sobre o perfil das dívidas das famílias, e da capacidade de pagamento, o Brasil corre sério risco de enfrentar um cenário de superendividamento.

A preocupação é a seguinte: embora muitos dos consumidores que devem mais de R$ 5 mil possam ter esse valor dentro do seu limite de crédito, outros tantos já estão mais endividados do que poderiam e, portanto, com alta probabilidade de inadimplência.
DÍVIDA X RENDA
Hoje, o volume de dívidas dos brasileiros corresponde a 39,1% da renda, de acordo com o Banco Central.  E uma parcela de 23,8% fica comprometida mensalmente com o pagamento dos débitos existentes. Sem detalhes sobre a qualidade das dívidas, esses percentuais já preocupam, na avaliação da Serasa.
Nos EUA, com juros muito baixos, 17% da renda fica comprometida com pagamento de débitos. E o volume de dívidas dos americanos chega a 128% da renda.  Lembrando que, tanto no Brasil quanto nos EUA, os números referentes a financiamento imobiliário entram nessa conta.
Mas, no mercado doméstico, esse tipo de crédito é só 3,5% do PIB. Já no americano, é mais de 100%.
"CRISES INEVITÁVEIS"
Pedro Paulo Silveira, diretor da Gradual Investimentos, diz que as crises de crédito são "inevitáveis" no mundo todo, fazendo parte do "ciclo econômico capitalista".
"Quando a economia vai bem, ter uma dívida de R$ 1.000 pode não significar nada para um cidadão. Mas se a economia passa a ir mal e a pessoa perde o emprego, esse endividamento se torna um problema para ela", diz.
Mas Silveira acredita que o Brasil deva continuar crescendo a taxas elevadas nos próximos quatro anos, com aumento da classe média e possibilidade de expansão dos empréstimos.
O crédito pessoal para consumo disparou no país desde 2002. Passou de 5,1% do PIB (Produto Interno Bruto) naquele ano para 15,2% do PIB em agosto de 2010, ainda segundo dados do BC.
Com o aumento, esse segmento de empréstimos, que exclui o crédito imobiliário, já atinge nível próximo ao dos EUA, de 16,6% do PIB em agosto de 2010.
Alexandre Andrade, economista da Tendências Consultoria, também acredita que a expansão da renda dos brasileiros comporta o endividamento.
"Além do mais, os segmentos de crédito que mais têm crescido são os que oferecem as melhores garantias aos bancos em caso de inadimplência: financiamento de automóveis, imóveis e crédito consignado", diz.

"E é importante destacar que, no passado, carro e casa própria eram bens que apenas uma parcela reduzida da população tinha acesso", completa Andrade

FONTE: Folha de São Paulo de 24\10\2010

Focus on Fixing Financial System, Avoiding Next Crisis

Calling for continued global cooperation, Dominique Strauss-Kahn, Managing Director of the International Monetary Fund (IMF) said Asia was leading the world recovery after the recession, but fixing the fragilities of the international financial system remained a top priority.
How to prevent another systemic breakdown—when financial sector problems can spread rapidly and infect the real economy and jobs—was the topic of a high-level conference in Shanghai on October 18. Senior central bank officials from Asia, Europe, North and South America, and Africa came together in Shanghai to debate the issue.
The conference on “Macro-Prudential Policies: Asian Perspectives” was sponsored by the IMF and hosted by the People’s Bank of China (PBC). Lead speakers included the Governor of the People’s Bank of China, Zhou Xiaochuan, IMF Managing Director Strauss-Kahn, IMF First Deputy Managing Director John Lipsky, and PBC Deputy Governor Yi Gang.
Participants from about 25 countries attended the closed-door meeting, and included central bank governors and deputy governors, along with other senior policymakers and regulators.
Importance of policy coordination
The Shanghai conference served to underscore the importance of dialogue and policy coordination linking the advanced economies, emerging market economies, and developing economies. “The great challenges of today all require a cooperative solution—especially if we are to achieve strong, sustainable, and balanced global growth in the years ahead,” said Strauss-Kahn in his keynote address.
Speaking at a closing press conference, PBC Deputy Governor Yi Gang said the conference had reached an “important consensus” on international cooperation in ensuring strong macro-prudential policies, because systemic risks “are very likely to spread over borders.” He also pointed to consensus on the need to have clear lines of responsibility in addressing macro-prudential issues--especially in the area of information gathering—and the need to foster close cooperation between central banks and other national regulators.
One key purpose of the Shanghai conference was to integrate the lessons learned from the financial turmoil of the global crisis. “This is directly related to today’s conference, which has reflected months of hard work by PBC and IMF staff,” IMF officials said. “Future growth must be safer growth, less prone to financial excess and the build-up of macroeconomic imbalances. So financial sector and macro-prudential policies are like the glue that holds the system in place.”
Range of risks
During the crisis, troubles in one institution quickly spread—leaping across national borders—to threaten the whole complex web of financial relationships. The global crisis showed that simply looking at the safety and soundness of individual financial institutions in isolation is not sufficient; supervisors need to be aware of and respond to a range of systemic risks—and to understand clearly where responsibility lies for addressing those risks.
Another lesson was that policymakers need to avoid complacency in the face of asset price and credit booms. “Clearly, conventional macroeconomic policies and macro-prudential tools are intrinsically linked, just as price stability and financial stability are intrinsically linked,” Strauss-Kahn said. “We need a holistic approach, which means a changing role for central banks in the years ahead.”
The Shanghai conference addressed a range of issues related to macro-prudential policies—meaning policies that focus on the financial system as a whole and attempt to limit system-wide distress through regulation and better supervision.
The conference sought to define the institutional contours of a new macro-prudential policy framework, and the range of tools that could be applied to mitigate systemic risk and limit procyclicality, including regulatory norms and taxes.
Officials discussed country experiences—including from within the Asian region—with a particular emphasis on the interaction of macro-prudential policies and capital flows.
They also discussed the implications of a macro-prudential approach for central bank policies.
Asia rising
At the same time, the conference was intended to highlight the growing importance of Asia in the global policy discussion, especially as the region’s policymakers are taking important steps in the post-crisis period to implement macro-prudential measures to strengthen the system.
The Shanghai conference followed a major gathering in July 2010 in Daejeon, South Korea, that marked a new stage in the Fund’s relationship with the region. The Daejeon conference brought a consensus for a stronger IMF role in Asia, with the Fund making its analysis more useful to Asian policymakers, strengthening the global financial safety net, and enhancing Asia’s voice in the global economy.
Source: IMF

domingo, 24 de outubro de 2010

Ministros do G-20 concordam com 'Histórica' reforma na governança do FMI.

Os ministros do Grupo dos Vinte (G-20) países industrializados e das economias de mercado emergentes, chegaram a acordo sobre uma série de propostas de reformas do FMI, que vai mudar a representação de países no FMI para grandesmercados emergentes e países em desenvolvimento.


No encontro em Gyeongju, Coreia, do G-20 ministros das finanças e governadores dos bancos centrais concordaram com o dobro de participações membros do FMI  nas quotas financeiras que determinam o poder de voto nas ações das instituições que passará de voto para mercados emergentes dinâmicos e países em desenvolvimento.

Como resultado do processo de reequilíbrio do contingente, os grandes países emergentes como Brasil, China, Índia e Rússia deslocar-se-ão até estar entre os top 10 acionistas do FMI.

Os ministros também concordaram com uma remodelação de 24 membros do FMI, da Comissão Executiva que irá aumentar a representação dos mercados emergentes e países em desenvolvimento no corpo de tomada de decisão no dia-a-dia da instituição. Haverá dois membros do Conselho  a menos para países industrializados europeus, e todos os Diretores Executivos serão eleitos e não nomeados como são agora. O tamanho do conselho permanecerá em 24.

Discussão sobre a legitimidade

O diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, falando a jornalistas após a participação na reunião em Gyeongju, disse que o movimento foi "histórico" e a decisão foi a mais importante na governança do FMI desde a sua criação em 1944. "Haverá outras reformas, mas o que fizemos hoje põe fim a uma discussão sobre a legitimidade que durou anos, quase décadas".

A reunião ministerial Gyeongju foi realizada para preparar a agenda para o encontro do G-20 com chefes de Estado e de governo em Seul, na Coréia, em 11 de novembro. O acordo alcançado em Gyeongju ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração do FMI. A data prevista para a conclusão das mudanças para a governação do FMI é  as Reuniões Anuais do Banco Mundial em outubro de 2012.

Juntos, os países membros representam cerca de 90 por cento do produto interno bruto global nacional, bem como dois terços da população mundial.

Em sua cúpula em Pittsburgh, Estados Unidos, em setembro de 2009, os líderes do G-20 prestaram apoio político para uma mudança na representação de países no FMI. Os chefes de estado apoiavam uma transferência de parte da quota para grandes mercados emergentes e países em desenvolvimento de pelo menos 5% (dos "sobre-representados para os países sub-representados"). "Os líderes também reiteraram o seu compromisso de proteger a quota de voto dos mais pobres do FMI.

Atualmente, há cerca de uma divisão 60/40 por cento das quotas no FMI entre os países avançados e emergentes e países em desenvolvimento.

Enquanto o encontro de Pittsburgh almejava uma transferência de 5% dos países avançados para mercados emergentes  e países em desenvolvimento, o acordo de Gyeongju atinge um deslocamento de mais de 6%

Expectativas superadas

Strauss-Kahn disse que a decisão sobre a governança do FMI tinha respondido ao planejado em Pittsburgh, de uma forma que superou as expectativas. "Os 10 maiores acionistas do FMI são aqueles que merecem estar no top 10 uma vez que são os 10 países mais sistemicamente importantes na economia global", declarou Strauss-Kahn. Ele também disse que  o Conselho executivo do FMI seria um "Conselho mais democrático, como será um conselho de todos os eleitos".

Os ministros do G-20 decidiram fortalecer a cooperação multilateral para promover a sustentabilidade externa, e buscar toda a gama de políticas que levem a redução dos desequilíbrios excessivos e manutenção de desequilíbrios em conta corrente em níveis sustentáveis.

Strauss-Kahn disse a repórteres após o G-20 reunião ministerial que a questão dos desequilíbrios correntes mundiais tinham sido uma questão esquecida durante a crise econômica mundial. No entanto, a questão foi diretamente e honestamente debatidos na reunião. Strauss-Kahn observou haver "a vontade por todas as partes para pôr em prática políticas que podem convergir e limitar os riscos excessivos, em termos de sustentabilidade externa."

Desequlíbrios persistentemente elevados

Os ministros disseram que os desequilíbrios persistentes, avaliados em função das orientações a serem acordadas, permitiriam uma avaliação da sua natureza e as causas dos entraves ao ajustamento no âmbito do processo de avaliação mútua, reconhecendo a necessidade de levar em conta as circunstâncias nacionais ou regionais, incluindo os grandes produtores de commodities. O Processo de Avaliação Mútua é um exercício dirigido pelo G-20 e apoiado pelo FMI.

"Para apoiar os nossos esforços e cumprir esses compromissos, nós contamos com FMI para prover uma avaliação como parte do processo de avaliação mútua do progresso rumo à sustentabilidade externa e consistência do setor fiscal, monetário, financeiro, estrutural, de taxas de câmbio e outras políticas ", disse o comunicado. O quadro quantitativo para estas avaliações devem ser desenvolvidas pelo G-20 em tempo para o encontro do G-20 de Seul.

Strauss-Kahn disse que teve discussões com as autoridades da China, Europa, Japão e Estados Unidos, e todos eles queriam fazer o seu melhor para manter a recuperação da economia mundial nos trilhos. "Eles entendem que a maior ameaça hoje seria uma luta interminável sobre contas correntes ou confronto das taxas de câmbio", Strauss-Kahn observou.

Os ministros do G-20 saudaram a recente reforma do FMI para empréstimos a instalações, incluindo o reforço da Linha de Crédito Flexível e ao estabelecimento da linha de crédito de precaução para reforçar as redes de segurança financeira global. Ministros pediram ao FMI para continuar o seu trabalho para melhorar a capacidade global para lidar com choques sistêmicos.

Strauss-Kahn disse que o papel do FMI no fortalecimento de redes de segurança financeira global foi uma conquista importante. A Linha de Crédito Flexível ea linha de crédito de precaução foram suportes que permitiram o FMI construir redes de segurança. "A instituição não é apenas um bombeiro que fornece recursos quando você tem uma crise. Ele também tenta prevenir as crises e agora tem as ferramentas financeiras para evitar crises ", declarou Strauss-Kahn.
   
 
Quem está no G-20?


O G-20 é composto por Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido e os Estados Unidos , além da União Europeia. Para assegurar global foros econômicos e instituições trabalham em conjunto, o director-geral do Fundo Monetário Internacional e do presidente do Banco Mundial, além dos presidentes da Comissão Internacional Monetária e Financeira e Comissão de Desenvolvimento do FMI e do Banco Mundial, também participam G -20 reuniões numa base ex officio.



FONTE: Fundo Monetário Nacional

sábado, 23 de outubro de 2010

Investidor pessoa física: Tempo de agir

Em matéria publicada recentemente, o Valor explorou o fato de que a remuneração de 1% ao mês está cada vez mais distante do investidor brasileiro. A informação é relevante e deve provocar a reflexão de todos que estejam planejando o seu futuro.

Há uma expressiva queda no resultado de uma aplicação de R$ 100 mil, durante 20 anos, à taxa de juros real vigente em cada um dos quinze anos entre 1996 e 2010. Se à taxa do primeiro ano acumulava-se um montante de R$ 2,45 milhões além da inflação; hoje, o valor chega a apenas R$ 270 mil.
Essa queda na remuneração das aplicações tradicionais de renda fixa é um processo irreversível e obrigará o investidor brasileiro a abandonar a cômoda posição que as altas taxas de juros lhe permitiam assumir.

Primeiramente, o investidor deverá perceber que quanto menor a taxa de juros na economia, mais relevantes serão décimos de rentabilidade adicional. Diferenças que não motivavam sequer um telefonema ao gerente devem passar a mobilizar o seu instinto de preservação e a busca por remunerações maiores.
Em segundo lugar, o investidor precisará rever o prazo de investimento. Em virtude dos anos de incerteza vivenciados, a preferência geral ainda é por aplicações mais curtas. Mas se os juros caírem ali na frente, aplicações mais longas farão sentido, pois permitirão garantir por um prazo maior remunerações que deixarão de existir.
Um exemplo é uma comparação de uma aplicação de R$ 100 mil remunerada por taxas equivalentes a 100% e a 90% do CDI. A diferença de rentabilidade, que no primeiro ano atinge R$ 1.075,00, pode parecer insuficiente para motivar o investidor a agir. Mas essa diferença ganha proporções relevantes após 20 anos, quanto atinge R$ 136.588,22
A educação é outro ponto a ser priorizado. Se as aplicações tradicionais perdem eficácia, é fundamental conhecer outros instrumentos. Não dá mais para ter ojeriza a termos técnicos e a produtos novos. As pessoas devem buscar incorporar o mercado financeiro em suas vidas, tornando a prática do investimento algo habitual. Nesse sentido, a orientação de especialistas ganha especial relevância e deve ser buscada pelos investidores como uma prioridade.
É importante a percepção de que a perda de atratividade é mais intensa nos produtos tradicionais, de domínio público, em que a maior demanda acaba gerando taxas menos atraentes. Quando o investidor se abre para outras alternativas percebe que existem opções com riscos absolutamente aceitáveis e remunerações bem mais robustas.
- Fundos de Recebíveis, os FIDCs: justamente por serem produtos de maior complexidade e geralmente com prazos mais longos, esses fundos ainda oferecem prêmios de remuneração. Não é raro encontrarmos FIDC's com classificação de risco "Triplo A" de uma agência de classificação de risco reconhecida internacionalmente com uma rentabilidade alvo entre 115% e 120% do CDI.
- Fundos Imobiliários e Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs: apesar de seu histórico superior a 15 anos, o patrimônio investido em fundos imobiliários no Brasil ainda não chega a 1% de participação na indústria de fundos. Por essa razão, ainda proporcionam uma rentabilidade diferenciada.
Temos visto o lançamento de fundos imobiliários que se propõem a adquirir CRIs e almejam rentabilizar seus cotistas em IGPM+8% ao ano. Um retorno atraente e que se torna ainda mais interessante em virtude da isenção de imposto de renda sobre os ganhos para a pessoa física, própria desses produtos.
Não há dúvida! Os investidores brasileiros têm um belo dever de casa pela frente se quiserem reduzir ou adiar o impacto da queda da taxa de juros no retorno de seus portfólios. É vital que assumam uma postura proativa e aberta a novos instrumentos de investimento que hoje ainda oferecem prêmios de rentabilidade.
E, sem abrir mão da compreensão dos riscos, deverão ter em mente que tão logo os conceitos sejam melhor difundidos e esses produtos passem a constar das prateleiras das casas de investimento, os prêmios hoje existentes cairão ou deixarão de existir. É tempo de agir.
Ricardo Binelli é sócio-diretor da Petra - Personal Trader CTVM S/A

Fonte: Valor Econômica de 22/10/2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O impacto das eleições no mercado e na economia.

Durante o primeiro turno das eleições, os investidores não mostraram muito interesse nos resultados, talvez porque pensaram que a candidata Dilma venceria logo de cara e daria continuidade ao governo Lula. O segundo turno alterou esse quadro. Agora os investidores parecem mais atentos aos possíveis impactos das eleições nos mercados.
A tese que vou defender neste artigo é que o resultado das eleições não é indiferente para os investidores. São basicamente dois pontos principais: 1) Não há certeza alguma de que um eventual governo Dilma será apenas "mais do mesmo"; 2) Um eventual governo Serra tem chances concretas de representar mudanças mais relevantes nos rumos da economia, com possibilidade de algumas reformas desejáveis.
Em relação ao primeiro ponto, basta lembrar que o presidente Lula contava com seu carisma como arma para domar os mais radicais do PT, algo que claramente falta à Dilma. A candidata, que foi do PDT, chega a ser vista como "de fora" por muitos do partido. Não são poucos os petistas que ficaram incomodados com a imposição de sua candidatura. A volta de José Dirceu num eventual governo Dilma representa uma ameaça concreta, e a disputa de poder entre as diferentes alas do partido parece evidente desde já.
Além disso, não podemos descartar as incertezas que a própria Dilma gera, uma vez que ela jamais foi eleita para cargo algum. Claro que uma eventual vitória sua seria creditada ao apoio de Lula. Mas quais são as garantias reais de que, uma vez eleita, seu projeto pessoal de poder não vá ficar acima da gratidão ao presidente? Quem seriam seus principais ministros? Henrique Meirelles sairia do Banco Central? E quem ficaria em seu lugar? Quem seria o poderoso ministro das Fazenda?
As declarações de Dilma no passado recente apontam para uma identidade ideológica mais à esquerda que Lula. A candidata, por exemplo, sempre bateu de frente com as ideias de maior austeridade fiscal defendidas pelo então ministro Palocci. Sua visão de mundo parece apontar na direção de um governo ainda mais ativo na economia. O último ano de governo do presidente Lula, que foi o mais irresponsável de todos em termos de gastos públicos e ingerência nas estatais, pode muito bem ser o padrão de um eventual governo Dilma. Isso seria catastrófico para a sustentabilidade do crescimento econômico.
Já um governo Serra apresenta chances maiores de mudança. Não que o tucano seja o ideal para os investidores. Sonhar com reformas estruturais na previdência, nas leis trabalhistas e nos impostos pode ser irrealista. O mais provável seriam mudanças graduais na direção correta, desfazendo parte dos estragos causados pelo final do governo Lula. Mas bastariam algumas melhorias para sinalizar uma luz no fim do túnel.
Se hoje o cenário econômico parece favorável, isso se deve ao contexto internacional: China e abundância de dinheiro no mundo. Já o governo Lula plantou as sementes dos problemas à frente, estimulando além da conta o crédito estatal (BNDES), e expandindo os gastos públicos correntes de forma irresponsável. Tem também o estrago causado nas estatais, especialmente a Petrobras, que foi politizada demais e pagou um elevado custo por isso: suas ações despencaram mais de 30% este ano!
A possibilidade de vitória do Serra foi suficiente para que várias estatais reagissem positivamente nas bolsas. Isso demonstra que os investidores estão cientes de que um eventual governo Serra seria mais benéfico para a economia e para a gestão das estatais. Como o peso dessas empresas no Ibovespa ainda é bastante relevante, essa mudança seria suficiente para aumentar o potencial de alta dos ativos.
Há oportunidade de ganho na renda fixa também. A despeito da taxa de juros dos países desenvolvidos próxima de zero, a nossa taxa ainda está em dois dígitos. São vários os fatores que explicam isso, mas um deles, extremamente importante, diz respeito justamente aos gastos públicos e sua tendência explosiva, alimentando o fantasma da inflação. Se Serra conseguisse cortar esses gastos no começo do mandato, isso seria um catalisador para o fechamento das taxas ao longo da curva de juros. Isso criaria um círculo virtuoso na economia, puxando a bolsa também.
O futuro é incerto, e podemos apenas levantar hipóteses. Mas acredito que o certo é trabalhar, hoje, com dois cenários diferentes dependendo de quem vença as eleições.
Rodrigo Constantino é economista e gestor de recursos

Brasil tem o maior custo de reservas em Dólar

Dentre os países detentores das maiores reservas cambiais, o Brasil é o que tem a mais alta taxa básica de juros (10,75% ao ano) e, portanto, o maior custo fiscal para carregar as reservas de US$ 280 bilhões. Somando o custo de carregamento dado pelo diferencial de taxa de juros interna e externa ao custo de equalização, medido pela apreciação do real frente ao dólar, chega-se a mais de R$ 50 bilhões por ano.
A segunda maior taxa de juros nos países selecionados é a da Rússia, com 7,75% ao ano e reservas totais de US$ 458 bilhões, equivalentes a 40,7% do PIB do país.
No Brasil as reservas ainda são pequenas com relação ao PIB - 13,25%. Na China, com US$ 2,6 trilhões em caixa, as reservas correspondem a 53% e os juros anuais são de 5,3%. E na Índia, com reservas de US$ 261 bilhões, correspondente a 23% do PIB, os juros são de 5% ao ano. A comparação foi feita por técnicos do governo para dar a dimensão do custo da política de acumulação de reservas no Brasil, em função da distorção da taxa de juros doméstica.
Tomando como hipótese que esses países aplicam suas reservas de forma preponderante em títulos de longo prazo do Tesouro americano e recebem uma rentabilidade de 2% a 3% ao ano, a Índia gastaria algo como US$ 3,5 bilhões para carregar suas reservas cambiais. Cifra mais modesta é calculada para a Coreia do Sul, país que dispõe de US$ 285 bilhões em reservas (35% do PIB) e tem juros nominais de 2,25% ao ano. Outros países como Taiwan e Arábia Saudita, com reservas de US$ 380 bilhões (98% do PIB) e de US$ 434 bilhões (109% do PIB), respectivamente, têm juros básicos ainda menores. Em Taiwan a taxa é de 1,5% e na Arábia Saudita, de 2% ao ano.
Patamar dos juros, portanto, é a diferença básica entre os países emergentes que acumularam grandes somas em reservas cambiais nos últimos anos.
Cálculos técnicos indicam que, usando tanto a taxa de juros implícita da dívida pública quanto a taxa Selic, o custo de carregamento das reservas brasileiras, que devem chegar a US$ 300 bilhões este ano, subiu de 0,9% do PIB até 2008 para pouco mais de 1% do PIB atualmente. Como o produto soma cerca de R$ 3,4 trilhões, 1% de gasto para sustentar as reservas corresponderia a R$ 34 bilhões. Além do diferencial de juros, o governo tem que arcar também com a equalização cambial - quando o real se aprecia o Banco Central registra prejuízo e, quando se deprecia, a instituição apura lucro e ambos são transferidos ao Tesouro Nacional. Como este ano foi de apreciação da moeda, até setembro, segundo dados do BC já houve prejuízo de R$ 14,9 bilhões. Já em 2008, quando houve uma substancial depreciação do real, o BC gerou um lucro espetacular de de R$ 171,4 bilhões e o repassou ao Tesouro Nacional.
Ter reservas cambiais mostrou-se um seguro indispensável para tempos de crises nos mercados internacionais. Na pior crise global dos últimos tempos, em 2008, o Brasil tinha reservas de US$ 200 bilhões mais operações de swap cambial de US$ 20 bilhões. É razoável supor, portanto, que a título de seguro contra crises, esse patamar estava de bom tamanho. Todos os dólares comprados pelo BC de lá para cá seriam, portanto, para impedir uma valorização ainda mais forte do real. O custo de acumulação é elevado. Mas o raciocínio agora deve ser outro, confrontando o peso fiscal das reservas cambiais com a situação do setor exportador do país.

FONTE: VALOR ECONÔMICO DE 19/10/2010

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FMI prevê continuidade de forte crescimento na Asia e diz que mais políticas de controle são necessárias.

A Ásia permanece firme na liderança da recuperação da economia mundial e o forte crescimento na região deve continuar, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) hoje, em seu mais recente Regional Economic Outlook (REO) para a Ásia e o Pacífico, que foi lançado em Jacarta , na Indonésia.


A expansão na Ásia superou as expectativas no primeiro semestre do ano, disse o FMI, o que levou o Fundo a rever para cima sua previsão de crescimento de 2010 para a região para 8%, quase um ponto percentual superior à sua previsão de abril. Economias da região estão se expandindo fortemente. China e Índia estão liderando o caminho com projeções de 2010, com taxas de crescimento de 10,5 % e 9,7%, respectivamente, enquanto que a Indonésia deve crescer 6%. No Japão, o crescimento está agora estimado em 2,8%. Em 2011, o crescimento regional deve abrandar  para um ritmo mais sustentável de 6,8%.

O forte crescimento econômico está levando a região a novos desafios políticos, de acordo com a análise REO. As pressões inflacionionárias ganham força, enquanto os preços em alguns mercados imobiliários estão crescendo a taxas de dois dígitos. Como a Ásia deverá permanecer um destino atraente para o investimento estrangeiro, dada a lenta recuperação nos EUA e na Europa, os fluxos de capital poderiam aumentar ainda mais as pressões sobre os preços domésticos no curto prazo.

Portanto, é chegada a hora para os países da região normalizar a política monetária e fiscal, segundo o Sr. Anoop Singh, diretor da Ásia do FMI e do Departamento do Pacífico. "Saudamos as medidas tomadas até agora pelos políticos para controlar os riscos de inflação e limitar o acúmulo de vulnerabilidades do setor financeiro, mas agora mais precisa ser feito, dada a continuidade do forte crescimento na região", disse Singh.

O REO aponta para a necessidade de aperto adicional da política monetária em vários países da Ásia, incluindo uma maior apreciação cambial. Uma rápida retirada do estímulo fiscal implementado durante a crise financeira global também ajudar a proteger contra os riscos de sobreaquecimento. O REO nota, no entanto, que se um agravamento das condições econômicas globais afetar negativamente a Ásia, há espaço para voltar a uma política mais estimulante.

A gestão dos fluxos de capitais para a região é um desafio difícil. Estes fluxos apresentam muitas oportunidades, mas também representam riscos para a estabilidade financeira. Medidas macro-prudencial tem sido apropriadamente tomadas em muitas economias regionais para minimizar os riscos, mas mais ação pode ser necessária. Essas importantes questões foram discutidas recentemente em uma conferência de alto nível sobre "Políticas macro-prudencial uma perspectiva asiática", promovida pelo Banco Popular da China e do FMI, em Xangai.

Reequilíbriar crescimento da Ásia continua a ser a prioridade máxima da política a médio prazo. Como a demanda externa das economias avançadas não deve voltar a níveis pré-crise em um futuro próximo, a Ásia terá forte demanda interna, a fim de prosseguir um caminho de um crescimento robusto. Um amplo leque de reformas são necessárias para apoiar o consumo interno e o investimento, incluindo o fortalecimento de redes de segurança social, assegurando o acesso ao crédito, flexibilização das restrições no setor de serviços e melhoria da infraestrutura. A valorização do câmbio é uma parte importante de reequilíbrio. "É natural que as economias asiáticas cresçam mais fortes assim como as suas moedas", disse Singh, do FMI. "Isso é muito mais um sinal do sucesso da Ásia."
 
Fonte: Fundo Monetário Internacional 21/10/2010

Ações de BCs pelo mundo tem efeito limitado no Câmbio.

Em meio ao fluxo avassalador de recursos que invade principalmente economias emergentes, os bancos centrais de diversos países têm reforçado as ações para conter a valorização de suas moedas. Mas, até aqui, tudo o que foi feito teve efeito limitado. A intervenção no câmbio, por meio da compra de dólares diretamente do mercado, já é prática comum entre grande parte das economias que veem suas moedas ganharem valor frente ao dólar e, consequentemente, a competitividade de seus produtos diminuir. Alguns países também partiram para o controle de capitais, arma que, na avaliação de especialistas, deve ser ainda mais usada na chamada guerra cambial. Toda a artilharia, entretanto, tem se mostrado pouco eficiente para conter a pressão de valorização das moedas.

Na América Latina, o Brasil não está sozinho nos esforços para conter a valorização do real. Colômbia, Chile e Peru estão entre os recordistas em valorização de moedas neste ano. Eles sofrem pressão cada vez maior de seus setores produtivos e, por isso, intervêm em seus mercados cambiais ou estudam medidas para conter essas variações históricas. Os presidentes desses países adotaram discursos "preocupados" com a situação, mas diferem bastante no modo como lidam com o problema. Entretanto, todos refutam, pelo menos de imediato, criar novos impostos sobre investimentos.

O Chile fala em mais "abertura para que os chilenos invistam no exterior", enquanto Colômbia e Peru compram dólares e adotam certas restrições à entrada de moeda estrangeira. O peso colombiano registrou uma valorização de 13% neste ano; o chileno, de 5,5%; e o sol peruano, de 3,6%.
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse estar muito alarmado, "porque alguns setores, principalmente o setor agrícola, estão realmente sofrendo muito".
Piñera afirmou que não pretende tomar medidas como a instituição de imposto no estilo do IOF do Brasil. "Estamos pensando em outras medidas, como fortalecer a abertura da conta de capitais. Isso permitirá mais investimento chileno no exterior e porá certa pressão sobre a demanda de divisas, melhorando nosso tipo de câmbio", disse ele, em Londres, onde se reuniu com investidores internacionais.
Na Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos Santos restringiu a entrada de dólares na semana passada, ao anunciar que depositaria no exterior US$ 1,4 bilhão de dividendos que a Ecopetrol, estatal de petróleo do país, paga ao governo.

O governo diz estar estudando medidas "inovadoras", como permitir o investimento estrangeiro por meio de empréstimos diretos em peso no país, evitando assim a entrada de mais dólares.
Santos vem pedindo "ousadia" ao Banco Central para segurar a variação do peso. Na semana passada, ele convidou figuras como Domingo Cavallo, ex-ministro da Economia da Argentina, e Pedro Pablo Kuczynski, ex-premiê do Peru, para um encontro em que discutiria ideias novas.
Economistas mostraram dúvidas quanto à eficácia das medidas tomadas até agora. Segundo Gonzalo Palau, professor de economia da Universidade do Rosário, de Bogotá, "[o que se fez até agora no país] foi um paliativo para um problema mundial, que é o mar de dólares que vem circulando por aí. E a Colômbia está passando por uma fase excepcional de exportações de minerais, o que necessariamente vai acabar afetando o câmbio".
No Peru, o governo adotou uma política de aumento da intervenção. No ano passado, o Banco Central comprou US$ 107 milhões a mais do que vendeu. Neste ano, a ministra das Finanças do Peru , Mercedes Araoz, disse que o país pode comprar até US$ 500 milhões até o final do ano para segurar a variação de sua moeda, o sol . "O Ministério das Finanças e o Banco Central não têm como papel o controle cambial. Nosso objetivo é evitar flutuações drásticas."
O BC peruano aumentou o limite das reservas três vezes desde junho, para tentar evitar a valorização excessiva da moeda.
"A valorização do sol dá a impressão de que é uma moeda saudável, mas ela vem deixando doentes os setores produtivos peruanos", disse ao Valor recentemente Guido Pennano, economista que foi ministro da Indústria durante o governo de Alberto Fujimori (1990-2000). "Se temos uma inflação de 3% ao ano, deveria haver uma desvalorização, e não uma valorização. Se a moeda não se desvaloriza, isso não é necessariamente bom: com pouca inflação, acabamos favorecendo os produtos importados."
No resto da América andina, há situações peculiares. A Venezuela mantém câmbios fixos - um para a compra de gêneros essenciais e outro para outros produtos. O Equador tem uma economia dolarizada desde o começo da década, o que o protege de variações cambiais.

A China, o Japão e a Coreia do Sul intervêm diretamente no mercado. A Suíça teve que fazer isso também para tentar frear a valorização do franco. Enquanto isso, na outra ponta do movimento, os EUA e a Grã-Bretanha colocam mais dinheiro em suas economias. Outros países começam a adotar controle de capital.
Na Ásia, a maioria dos BCs acelerou as intervenções, comprando dólares para frear a alta de suas moedas. Essas ações aumentaram em mais de US$ 250 bilhões as reservas internacionais de países asiáticos no ultimo trimestre, sendo US$ 120 bilhões apenas em setembro. A China intervém comprando US$ 1 bilhão diários, em média, para manter o yuan desvalorizado. A Coreia do Sul estima que o won precisa enfraquecer pelo menos 10% para ter a mesma competitividade de concorrentes na região. O resultado é que o dólar caiu 12,8% contra o iene japonês este ano, mas apenas 4,8% contra o won da Coreia do Sul. Tóquio se irrita com os coreanos, pois sua indústria perde competitividade no mercado de automóveis, siderúrgico, de navios e eletrônicos.
Com as fortes intervenções, a moeda de Taiwan continua desvalorizada em 22,4%, de Hong Kong em 14,7% e das Filipinas em 12,2%, calculado pelo modelo de taxa de equilíbrio real do câmbio, da Nomura Securities, de Nova York. Pelo modelo da instituição, África do Sul, Turquia e Brasil têm as moedas mais valorizadas.
Mas a expectativa de enorme liquidez, com o afrouxamento monetário americano e queda recorde do dólar, abre caminho para algum tipo de controle de capital - ainda que o resultado desse instrumento até aqui venha mostrando-se pobre na Ásia.
A Tailândia voltou a impor taxa de 15% sobre investimentos de estrangeiros em títulos públicos, alarmado com a alta de 11% na sua moeda este ano, depois que um primeiro controle há alguns meses não funcionou. Coreia do Sul, Indonésia e Taiwan são apontados como candidatos mais fortes a fazer isso, embora as pressões políticas cresçam para os países da região permitirem a apreciação de suas moedas.
O presidente do Banco Central da Coreia do Sul, Kim Choong-soo, defendeu como primeiro passo medidas regulatórias em vez de controle direto, notando que "a volatilidade no mercado de câmbio é uma questão séria que afeta a estabilidade da economia como um todo".
Analistas duvidam de medidas iminentes nas Filipinas, onde o governo tenta recuperar investimentos. A Malásia está em clara direção de liberalização, enquanto Cingapura e Hong Kong são baseados no livre movimento de capitais.
Cingapura, na verdade, forçou a apreciação de sua moeda, temendo a inflação. No Pacífico, o dólar australiano alcançou sua mais forte valorização em 28 anos, elevando temores entre seus exportadores e questionamentos sobre o que fazer pelo governo.
Na contramão, a Rússia, que também administra fortemente o rublo, desvalorizado em 30%, fez intervenções recentemente para comprar sua própria moeda.
A África do Sul é vista como outra forte candidata a controlar capital, segundo a Nomura. Já a Índia enfrenta problemas com seu déficit em conta corrente e está mais inclinado a fazer intervenções para prevenir a valorização da rúpia.



Fonte: Valor Econômico de 19/10/2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os efeitos do comércio exterior

Os ganhos do Brasil com os chamados termos de troca são uma das principais causas da valorização do real frente ao dólar. Os preços das exportações brasileiras estão subindo de forma muito mais rápida que os das importações. O aumento das receitas de exportação e a redução das despesas de importação para uma mesma quantidade de bens comercializados ajudam a apreciar a taxa de câmbio.

Antes de tomar medidas aqui e ali para tentar reverter a apreciação do real, o governo deveria avaliar de forma exaustiva a evolução recente dos termos de troca. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um gol ao "denunciar" a existência de uma guerra cambial no mundo, mas a maneira como vem enfrentando o "conflito" tem efeito mais retórico e transitório do que real e permanente.

Três economistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas - Samuel Pessoa, Armando Castelar e Luiz Guilherme Schymura - analisaram o comportamento dos termos de troca do Brasil nos últimos anos e fizeram descobertas importantes. Trata-se de uma bela contribuição ao principal debate em curso no país.

Entre outubro de 2001 e agosto de 2010, os preços das exportações brasileiras aumentaram, em dólar, 117%, um ritmo que não se via desde meados dos anos 70. Os termos de troca, isto é, a razão entre os preços das exportações e os das importações, foram favoráveis ao país nos últimos dez anos, embora o comportamento não tenha sido uniforme.

Entre fevereiro de 2000 e maio de 2006, os termos de troca ficaram praticamente estáveis. Os preços das commodities exportadas pelo país vinham subindo desde 2004, mas no mesmo período os preços dos produtos importados aumentaram em ritmo similar. A partir de maio de 2006 e até agosto de 2008, véspera do início do pior momento da recente crise, os termos de troca cresceram bastante.

A crise, em setembro de 2008, derrubou as exportações, mas também fez estragos nas importações, provocando uma queda moderada nos termos de troca. Ao longo de 2009, a economia mundial saiu do pior momento da turbulência e os países emergentes voltaram a crescer. Com isso, os termos de troca da economia brasileira tornaram a subir de forma acelerada. Em agosto deste ano, estavam 15% acima da média de 2008.

O momento atual se distingue do anterior porque, enquanto os preços das exportações estão subindo rapidamente, os das importações, com exceção dos combustíveis, estão um pouco mais baixos do que estavam no auge da crise. Pessoa, Castelar e Schymura, que tratam do tema na Carta do Ibre a ser divulgada hoje, acreditam que o descolamento entre ricos e emergentes, no pós-crise, explica o fenômeno.

Até 2006, países ricos e emergentes vinham crescendo juntos, de forma exuberante - uma característica dos últimos anos da chamada "Grande Moderação", período em que o mundo industrializado avançou a taxas altas, com baixa volatilidade dos preços dos ativos e da inflação. Naquele momento, os termos de troca do Brasil permaneceram constantes. "As commodities subiram de preço, mas a forte e generalizada demanda por produtos industriais também elevou o valor pago pelos importados", observam Pessoa, Castelar e Schymura.

Na fase seguinte (2006-2008), as economias avançadas, já envolvidas com problemas de excesso de alavancagem, começaram a crescer de forma vagarosa. Enquanto isso, as emergentes seguiram acelerando o crescimento, praticamente indiferentes ao que acontecia nas nações ricas. Esse descolamento aliviou a pressão sobre os preços industriais, mas a manteve sobre as commodities.

Na fase aguda da crise, todos foram atingidos. No pós-crise, entretanto, deu-se novamente um descolamento. Os países emergentes voltaram a crescer de forma rápida - casos, principalmente, de China, Índia e Brasil -, enquanto os ricos entraram em marcha lenta. Os preços das commodities tornam a subir de forma vigorosa, enquanto os dos produtos industriais estão estáveis. O resultado: os termos de troca do Brasil estão dando novo salto.

O desafio, agora, é avaliar bem as causas desse fenômeno e, a partir daí, definir políticas públicas para enfrentar seus efeitos. A China, que hoje responde por 20% do crescimento das importações globais e 21% da expansão das exportações, inunda o mercado mundial com produtos manufaturados e demanda bens primários. Por essa razão, pode ser a principal razão da melhora dos termos de troca do Brasil. Por outro lado, 2/3 das importações brasileiras, a maioria de bens industriais, vêm de economias da OCDE. Como estas estão em recessão ou crescendo muito pouco, tem ocorrido um pressão deflacionária sobre a importação brasileira.

O fenômeno chinês pode ser estrutural, logo, pode durar décadas. Já o crescimento fraco dos países ricos é cíclico - mesmo que ainda leve alguns anos, eles devem superar a maré baixa num prazo menor.
A apreciação do câmbio ajuda o Brasil a combater a inflação e a indústria a ter ganhos de capital relevantes - o dólar barato favorece a compra de máquinas e equipamentos e, assim, o aumento da capacidade produtiva. Por outro lado, diminui a competitividade das exportações de manufaturados.

Os três economistas do Ibre acreditam que, se o aumento dos termos de troca do Brasil decorrer mais do baixo crescimento dos países da OCDE, o governo deveria adotar medidas compensatórias para beneficiar a indústria de transformação - Pessoa defende a recriação da CPMF com o objetivo exclusivo de desonerar a contribuição previdenciária do setor.

Se a principal razão for a China, a compensação prolongada não faria sentido. "A política pública deveria se preocupar mais em suavizar a transição", defendem os três especialistas. "A compreensão das causas da evolução recente dos termos de troca, portanto, é importante para determinar o futuro da política econômica."

Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras.

Fonte: Valor Econômico de 20/10/2010

O Efeito da substituição

Recentemente, um debate importante entre economistas brasileiros abordou as relações entre as formas de poupança e os efeitos dessas relações sobre o grau de investimento da economia brasileira. A identidade macroeconômica entre poupança e investimento diz que, em uma economia aberta, o nível de investimento será sempre igual à quantidade de recursos disponíveis para investir, ou seja, a poupança. Os recursos para investimento podem ser tanto domésticos (poupança doméstica), dividindo-se entre poupança pública e privada, quanto externos (poupança externa), que corresponde ao inverso do saldo em transações correntes. A questão principal é de que forma esses diversos componentes se relacionam, e qual é o impacto que possuem sobre o nível de investimentos da economia brasileira?
A estimação e análise das séries dos diversos componentes de poupança desde 2000 aponta resultados interessantes. Em primeiro lugar, destaca-se o baixo nível de investimento da economia brasileira durante todo o período, nunca superando o patamar de 20% e mostrando pouca oscilação ao longo do tempo. Em segundo lugar, esse quadro ocorre apesar de oscilações expressivas nas poupanças domésticas e externas. Em períodos de restrição externa para a economia brasileira (2002 a 2005) ou em momentos em que o Brasil gerou resultados positivos no saldo em conta corrente mesmo com forte entrada na conta capital e financeira (2006), há um evidente aumento da poupança doméstica. O oposto ocorre nos momentos contrários, como no período de 2000 a 2001 e de 2007 a 2010, em que se eleva a capacidade de obter recursos externos, mas há uma redução do nível de poupança doméstica.

Esse alto grau de substituibilidade entre as duas poupanças é um dos aspectos mais interessantes dos resultados obtidos, corroborando a interpretação de que o aumento dos déficits em transações correntes no Brasil tem se revertido em crescimento do consumo. Entendemos que essa substituibilidade está ligada à estrutura de incentivos para consumo e investimento no país. Grande parte da poupança externa adicional é destinada a aumento de consumo privado, ou seja, os recursos estrangeiros acabam levando os agentes a reduzir seu nível de poupança privada, deslocando-a para o consumo.
Outro resultado obtido foi o caráter predominantemente deficitário da poupança pública. Além disso, também pode se observar uma forte correlação negativa entre a poupança pública e a poupança privada: claramente, nos anos em que a poupança pública é menos deficitária, menor é a poupança privada.
Nossa interpretação é que a substituição entre as poupanças pública e privada decorre do fato de que, no período estudado, o melhor desempenho do déficit público é proporcionado por um aumento da carga tributária, e não por uma redução dos gastos públicos. Esse aumento dos tributos deve ser responsável por uma redução da renda disponível do setor privado, o que implica uma redução do montante poupado por essa esfera.
Para confirmar essas relações de substituição dos componentes da poupança, realizamos alguns exercícios econométricos para estimarmos as magnitudes dessas correlações. Destaca-se, primeiramente, que os coeficientes das poupanças pública e externa, em relação à privada, são ambos fortemente negativos, de -1,26 e -0,83, respectivamente, o que confirma o fenômeno de substituição dos componentes das poupanças. É interessante notar que a elasticidade entre poupanças pública e privada é menor que -1, isto é, um aumento da poupança pública tem levado a uma queda mais do que proporcional da poupança privada.
Essas elasticidades negativas entre os componentes da poupança explicam a estabilidade da poupança total. Períodos de aumentos em nossa poupança externa são compensados por uma queda da poupança privada. Esse movimento decorre fundamentalmente da estrutura de incentivos no Brasil. Mantida a estrutura atual, um aumento do déficit em transações correntes não parece que será revertido em maior poupança e investimento. Além disso, enquanto o governo não fizer realmente um ajuste fiscal com corte de despesas, o aumento de poupança pública não deve ser revertido em investimentos. Enfim, tem-se um jogo de soma zero, que destaca o caráter fundamental de reformas estruturais, tais como a tributária e previdenciária, além de uma melhora significativa do ambiente de negócios, para que seja possível reverter a condição de substituibilidade.
Esse cenário não será superado se os incentivos não forem alterados. Enquanto isso não ocorrer, teremos que conviver com um baixo grau de investimentos e com um PIB potencial igualmente limitado.




Bernardo Wjuniski é analista da Tendências Consultoria e professor da EESP-FGV .
Thiago Curado é analista da Tendências Consultoria.



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Balanços dos bancos americanos "cheio de coisas podres '

Os problemas que os bancos tem com as hipotecas levarão muito tempo para serem resolvidos e as ações dos bancos não são atrativas apesar da queda recente no preço, após temores sobre problemas com execuções de hipotecas, disse o famoso investidor Jim Rogers.

O New York Federal Reserve Bank e outros sete grandes empresas de investimento institucional pediu terça-feira que o Bank of America a  recompra de empréstimos incluídos em títulos hipotecários.
Um escritório de advocacia alegou falhas na empresa Countrywide Financial, que o Bank of America (BofA) comprou em 2008, de responder adequadamente às empréstimos que faziam parte de certos títulos lastreados em hipotecas.
O principal problema que os investidores devem ficar atentos é que todo mundo estava fazendo isso, não é apenas algo que Countrywide eo Bank of America estavam fazendo. "E agora (bancos) têm de pagar o preço, sofrem as conseqüências.", disse Jim Rogers.

"Essa questão toda vai ser uma grande confusão por um longo tempo por vir", acrescentou.
Balanços de bancos estão "cheios de coisas podres",  eles ainda precisam resolver os seus "gigantes" problemas e suas ações estarão em uma escala de volatilidade comercial nos próximos 5-6 anos, previu Rogers. "Ninguém sabe o valor contabil do BofA , incluindo o Bank of America", disse ele.

"Não tenho nenhum interesse nas ações de bancos nos dias de hoje", acrescentou Rogers. "Normalmente, quando aparece uma grande bolha, leva-se anos para que as ações envolvidas voltem ao patamar de salubridade anterior."

Na terça-feira,  o analista da Rochdale Securities Richard Bove disse que as ações do Bank of America e Goldman Sachs são boas compras, mas que o Bank of America tem a situação mais difícil devido à sua exposição para os consumidores.
Bove argumentou que o Bank of America tem capitalização de mercado inferior ao dinheiro que o banco tem no seu balanço, o que o torna atraente.
"Vamos deixar Bove comprá-los. Não é apenas a minha maneira de fazer as coisas", disse Rogers, explicando que prefere comprar em setores onde temos uma tendência clara de alta, ou tendência clara de baixa, para operar vendido.

O movimento de surpresa da China, com a alta da taxa de juros foi algo bom, de acordo com Rogers. "O aumento das taxas de juro é bom em qualquer lugar, é bom aqui em 2010 porque nós temos inflação à frente de nós", disse ele.
"Há quantidades gigantescas de dinheiro sendo impresso e ele tem que ir a algum lugar. Alguém está recebendo esse dinheiro e quem está recebendo esse dinheiro está indo fazer algo com ele", acrescentou Rogers.

Ele disse que começou a  operar vendido no mercado de títulos do governo americano e que havia uma "grande explosão" em mercados emergentes.
 
China bolha imobiliária
Preços de commodities como o estanho, açúcar, cacau, borracha têm aumentado e há "escassez em desenvolvimento", de acordo com Rogers.
"Nós vemos todos estes preços subindo, e isso está de fato acontecendo. Vá ao mercado, tentar comprar alguma coisa e você vai ver os preços subindo no mundo real", disse ele.
Entre as moedas, Rogers possui o franco suíço, o dólar canadense,  e o dólar australiano. "Agora, todas as pesquisas mostram que todo mundo é incrivelmente pessimista sobre o dólar dos EUA, com expectativa de mais queda, incluindo a mim", disse ele.
"Sempre que você tem todo mundo do mesmo lado do barco é melhor você ir para o outro lado, pelo menos por um tempo."
A alta na taxa de juros da China pode ter a ver com o fato de que o país está tentando lidar com uma bolha imobiliária - que se formou nas zonas costeiras e grandes cidades -, incentivando os investidores a poupar em vez de comprar ativos, disse Rogers.
"Eu não estou vendendo a China por nenhum estiramento da imaginação e não vou operar China vendido..mas eu também não estou comprando agora", disse ele. "Eu compro a China quando ela entrar em colapso. Ela não entrou em colapso nos últimos anos."
"Na China existe uma" bolha imobiliária "que vai estorar algum dia, mas não vai derrubar o conjunto da economia chinesa", previu, acrescentando que setores como a agricultura e o turismo são susceptíveis a um bom desempenho.

A reunião do G 20 que está por vir pode ajudar a resolver as tensões sobre a moeda e comércio, que ameaçam a economia mundial, mas se não, as tendências para o protecionismo é real e muito perigoso, disse Rogers.

"Eu estou continuando a me preocupar muito sobre as guerras cambiais e comerciais", disse ele. "Evite os países que imprimem dinheiro e coloque seu dinheiro em ativos reais. Esta é a maneira de se proteger."
 
Fonte: CNBC

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Golpes financeiros!

Não é difícil encontrar as fraudes de investimentos mais sensacionais. É só ler as manchetes das publicações de negócios. O que é ganhar dinheiro? O "quem é quem" dos golpistas não é formado por nomes conhecidos como Bernard Madoff. É formado por sujeitos que operam na internet, vendendo a próxima "tecnologia verde" ou operando tranquilamente esquemas de pirâmides em grupos religiosos. Eles podem até mesmo ser o seu vizinho.
Recebi um e-mail de alguém da Inglaterra que não conhecia, afirmando que havia sido roubado, surrado e abandonado em um lugar estranho. Tudo o que ele precisava era de cerca de US$ 10 mil para voltar para casa! Coincidentemente, também conheci uma pessoa que passou pelo mesmo nas ruas de Baltimore, embora estivesse pedindo bem menos dinheiro.

É sempre difícil identificar essas fraudes porque nosso raciocínio cético é sempre deixado em segundo plano pela confiança e cobiça (de nossa parte), com as quais os pilantras contam quando aplicam seus golpes.
Recentemente, tive a oportunidade de conversar com alguns policiais estaduais especializados em crimes contra o sistema financeiro. Eles detectaram armadilhas que estão pegando investidores de todo o país. Eis algumas delas:

- O mercado de câmbio
Nesse mercado, que é cerca de 50 vezes o tamanho do mercado de ações, são muitos os esquemas envolvendo softwares que prometem superar o mercado. Os maiores bancos e instituições financeiras negociam todos os dias. E você acha que pode superá-los?
- Os fundos com cotas negociadas em bolsas de valores (ETFs, na sigla em inglês)
Esses fundos são pools de dinheiro listados perfeitamente legítimos, mas é ridícula a ideia de que você pode usá-los para ganhar muito dinheiro com ouro, ações estrangeiras ou um único setor. Ninguém possui um produto que consegue superar o mercado de maneira consistente.

- Tecnologias preocupadas com o meio ambiente

A energia solar e a energia eólica parecem muito interessantes no momento, mas as chances de você se envolver desde o princípio com uma tecnologia inovadora por um preço bom são de pequenas a nulas.
- Vizinhos que vendem para vizinhos
As autoridades reguladoras chamam isso de "fraude por afinidade". Eles podem ser parte de uma associação, igreja, grupo ou clube de investimentos. Um desses golpes, chamado "blind real estate pools" (algo como grupos cegos de aplicações no mercado imobiliário), envolve corretores que vendem aplicações em imóveis que, na verdade, eles não têm. Joe Borg, diretor da Alabama Securities Commission, diz que esses esquemas estão pipocando no sul dos Estados Unidos. Famílias de militares que vivem perto de grandes bases também estão sendo vítimas dos esquemas conhecidos como "Iraqi dinar" (dinar iraquiano), onde eles especulam com a valorização da moeda desse país.
- Fraude com commodities
Cite uma commodity e verá que sempre há um golpe atrelado a ela. Com o preço do ouro atingindo altas recordes, a fraude da mineração de ouro tornou-se popular no oeste dos EUA. Outras podem envolver a extração de petróleo e ouro.
- Acordos "off the books" de colocações privadas ou especiais.
Títulos não listados são sempre um ponto perene de problemas. Acredite em mim, nenhum pequeno investidor vai conseguir um negócio melhor do que os bancos e os profissionais de Wall Street. As únicas pessoas que ficam ricas com essas oportunidades são aquelas que as criam.
- Anuidades variáveis
Assim como os chamados ETFs, tratam-se de produtos de seguros legítimos, embora raramente sejam adequados para a maioria dos investidores.
Como evitar essas fraudes? Faça o teste do olfato. Os retornos anunciados são muito maiores que as taxas do mercado? Promete-se alto desempenho em um curto período? Quais são as taxas totais e comissões envolvidas antes que um único dólar seja investido?
Faça algumas comparações realistas. Lembre-se de que o índice de ações Standard & Poor's 500 acumula uma desvalorização de 10% nos últimos dez anos, apesar de ter subido 23% no ano passado. Peça também um prospecto e pergunte se o que está sendo vendido é um título listado.
Melhor ainda: verifique as credenciais do corretor ou consultor que está vendendo as aplicações. Ele possui ficha criminal ou registro disciplinar? Você precisa verificar seus registros junto as autoridades reguladoras. (Tradução de Mario Zamariam)


John F. Wasik é colunista da Reuters e autor do livro "The Cul-de-Sac Syndrome: Turning Around the Unsustainable American Dream"



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Roubini Condena austeridade alemã 'Fatal'

O entusiasmo para o crescimento económico da Alemanha é exagerado e plano de poupança do país é "fatal", Noriel Roubini, o economista e presidente do Roubini Global Economics, disse a uma revista alemã.
"A economia alemã está longe dos níveis pré-crise ainda", disse Roubini Capital na segunda-feira. "A atual taxa de crescimento pode parecer boa no papel, mas que é sobretudo um efeito estatístico".
A Alemanha pode atualmente pegar dinheiro emprestado mais barato do que nunca, e a chanceler alemã Angela Merkel deve aproveitar isso e só começar a consolidar uma vez que o resto da Europa estiver em melhor forma, disse Roubini.
A mudança para o "modo de poupança", neste momento ainda de crescimento lento, impediria "uma parada de emergência sem um cinto de segurança", disse ele.
Roubini também disse que viu riscos consideráveis para a economia, mesmo que a Grécia mantenha aderência em seu programa linha dura.
"O menor  choque externo é suficiente para a questão da dívida grega  se tornar incontrolável", disse Roubini. "É por isso que eu não estou perguntando se a Grécia vai à falência, mas quando?"


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