Fonte> Valor Econômico
Contas: Saldo em agosto ficou US$ 2,9 bi negativo, maior valor desde 1947
BC já prevê déficit externo de US$ 60 bilhões em 2011
Fernando Travaglini
De Brasília
22/09/2010
CompartilharImprimirEnviar por e-mail O déficit em transações correntes voltou a atingir patamares recordes, em agosto. O saldo ficou negativo em US$ 2,9 bilhões, maior valor da série para este mês desde 1947. Já o déficit acumulado em 12 meses alcançou US$ 45,8 bilhões, também o maior nível já registrado em termos nominais e equivalente a 2,32% do PIB, segundo dados do Banco Central (BC).
Para o próximo ano, a autoridade monetária acredita que a trajetória de elevação do déficit será mantida. O BC divulgou a previsão de nova elevação do rombo externo, que deve atingir US$ 60 bilhões em 2011, algo na casa dos 2,78% do PIB. Para este ano, a previsão foi mantida em US$ 49 bilhões, ou 2,49% do PIB.
Segundo o chefe do Departamento Econômico BC, Altamir Lopes, apesar do aumento do déficit, a situação é bastante diferente de anos anteriores, tanto pelo fluxo de recursos para o país, que torna a conta "financiável", quanto pelo perfil da dívida externa, hoje inferior às reservas. As contas capital e financeira do Balanço de Pagamentos, de fato, têm sido suficientes para cobrir o buraco. Os investimentos estrangeiros diretos (IED) somaram no ano, até agosto, US$ 17,130 bilhões, enquanto as aplicações em carteira (ações e títulos de renda fixa) chegaram a US$ 26,716 bilhões. Os empréstimos de curto e longo prazo também contribuem. A taxa de rolagem dos títulos no exterior está em 226%, de janeiro a agosto.
O IED, porém - forma mais segura de financiamento externos pela menor volatilidade do capital -, não mostrou no ano o vigor esperado pelo BC. Por causa de investimentos não concretizados, a projeção do BC foi revisada para baixo, de US$ 38 bilhões para US$ 30 bilhões, ficando mais próxima da expectativa do mercado.
Segundo Lopes, a dinâmica da economia internacional está mais fraca do que o BC esperava para este ano e muitos projetos dos setores automotivo, metalúrgico e de petróleo e gás foram "postergados", disse. "Os projetos não foram abortados. Tanto que nossa estimativa para 2011 é de elevação dos investimentos estrangeiros diretos para US$ 45 bilhões", afirmou.
Já as aplicações em papéis domésticos continuam crescendo e mereceram revisão para cima do BC. A entrada de recursos deve atingir US$ 38 bilhões (a projeção anterior era de US$ 35 bilhões). Para 2011, o volume esperado é de US$ 36 bilhões. A taxa de rolagem esperada neste ano também foi elevada de 125% para 175%.
Contribuem negativamente para o Balanço de Pagamentos os gastos no exterior com viagens, alugueis de máquinas e equipamentos e as remessas de lucros e dividendos. As contas de serviços e rendas, que incluem essas despesas, estão negativas em US$ 44,837 bilhões até agosto. O déficit vem se acentuando também pela piora na balança comercial, devido ao aumento das importações num ritmo superior às exportações. O saldo comercial está positivo em US$ 11,675 bilhões no ano, menos da metade do volume registrado no mesmo período de 2009 (US$ 25,290 bilhões).
Fed destaca risco de deflação e abre espaço para mais alívio monetário
Mark Felsenthal e Pedro da Costa
Reuters, de Washington
22/09/2010
El-Erian, da Pimco: Fed deu um passo ao reconhecer a fraqueza da economia
O Federal Reserve ficou mais perto de adotar novas medidas de incentivo à recuperação econômica dos Estados Unidos, afirmando que continua pronto para prover mais estímulos e expressando preocupação com a inflação baixa.
O banco central americano não anunciou nenhuma mudança na política monetária no fim de sua reunião de um dia e manteve o juro básico perto de zero, mas deixou a porta mais aberta para injetar mais recursos na economia.
"O comitê vai continuar a monitorar as perspectivas econômicas e os desenvolvimentos financeiros, e está preparado para fornecer uma política expansionista adicional se necessário para dar suporte à recuperação econômica e à volta da inflação, com o tempo, a níveis consistentes com nosso mandato", disse o Fed em comunicado. Na reunião de 10 de agosto, o Fed havia simplesmente afirmado que "empregaria suas ferramentas de política monetária conforme o necessário".
O Fed destacou suas preocupações sobre a desaceleração da inflação em seu comunicado, dizendo que a taxa está abaixo dos níveis consistentes com seu mandato de perseguir estabilidade de preços e pleno emprego.
"O Federal Reserve deu outro passo, ainda que metade de um passo, ao reconhecer a incomum fraqueza da economia e a perspectiva para o emprego e a necessidade de medidas de política (monetária) adicionais", avaliou Mohamed El-Erian, vice-presidente de investimentos da Pacific Investment Management (Pimco).
O presidente do Fed de Kansas, Thomas Hoenig, discordou da decisão pela sexta vez seguida. Depois de cortar o juro para perto de zero em dezembro de 2008, o Fed lançou um programa de compra de ativos num esforço adicional para reduzir os custos dos empréstimos e ajudar a economia. Ao final, comprou US$ 1,7 trilhão em dívida de prazo mais longo do governo e bônus ligados a hipotecas.
A política monetária frouxa implementada pelo Fed e a perspectiva de mais alívio têm impulsionado o valor de algumas moedas, como o real, à medida que investidores se desfazem de dólar em busca de rendimentos maiores.
endividamento: Lucros maiores e financiamentos mais amigáveis melhoram avaliações de risco das empresas.
Moratória nos EUA recua para nível pré-crise
Por Mike Spector
The Wall Street Journal
22/09/2010
CompartilharImprimirEnviar por e-mail A grande tormenta das dívidas nos Estados Unidos passou. E o prejuízo causado é muito menor que se temia. O índice de moratória das empresas deve recuar para o mesmo nível de antes do choque financeiro de setembro de 2008, numa rápida reviravolta no destino da maioria das empresas americanas com problemas.
O índice de moratória nos EUA deve cair para 3% até o fim do ano, segundo a Moody's Investors Service, um declínio impressionante ante o auge de 14,6% em novembro de 2009 e até menor que o índice em agosto de 2008, quando foi de 3,1%.
A mudança sugere que a sangria empresarial causada pelo colapso do Lehman Brothers está no fim ou perto de acabar. É um bom sinal para os desempregados do país, cujo número inchou após o fechamento de empresas como as varejistas Circuit City Stores e Linens N'Things e a fabricante canadense de equipamentos de comunicação Nortel Networks, em 2008 e 2009.
"No curto prazo, parece que superamos a última onda de reestruturações - mais rápido do que se previa", diz Michael Jenkin, um dos diretores de reestruturações do banco de investimento Jefferies & Co. "As coisas se recuperaram bem rápido, e os mercados de capitais resolveram muitas das preocupações que havia em relação a moratórias de empresas."
A economia estabilizada - embora fragilmente - tem ajudado muitas empresas em dificuldades a manter as portas abertas. Outro fator importante tem sido o baixo juro do Federal Reserve, o banco central americano. Os juros deixaram os investidores famintos por títulos com rendimento maior, o que os motivou a aplicar em papéis de empresas de alto risco num ritmo recorde. Embora os fundamentos empresariais e um retorno à recessão ainda possam acabar com essas empresas, no momento elas têm amplo acesso a recursos.
"A reviravolta é impressionante", disse David Keisman, um vice-presidente sênior da Moody's.
O acesso é concentrado em empresas grandes o suficiente para emitir títulos no mercado. Empresas menores, que dependem principalmente de financiamento bancário, ainda enfrentam problemas para conseguir recursos.
A mudança também é visível num novo relatório da Moody's sobre empresas mais perto de declarar moratória. Havia 288 empresas na lista em junho de 2009, apelidada então de "Último Degrau". O número agora caiu para 195.
A lista da Moody's mostra quais são as empresas com a pior avaliação de risco: as que têm a avaliação "B3" ou menor, consideradas com "alta probabilidade de pedir moratória", com previsões negativas ou passíveis de novos rebaixamentos. A lista inclui empresas como a rede de TV em língua espanhola Univision Communications e a transportadora YRC Worldwide , e todas as suas integrantes somam mais de US$ 250 bilhões em dívidas bancárias e de títulos.
Um representante da YRC não quis comentar. Um representante da Univision não respondeu a pedidos para comentar.
A Moody's só começou a compilar a lista no auge da crise de crédito e reconhece que é preciso mais tempo para analisar o que realmente é um número "normal" de empresas com tal grau de risco.
O mercado de títulos, altamente aquecido, permitiu que muitas empresas mais fracas - como as que ainda são consideradas pela Moody's como as mais arriscadas - pudessem refinanciar dívidas e adiar a hora do juízo final. As empresas conseguiram emitir mais de US$ 175 bilhões em títulos de alto risco neste ano, segundo a Dealogic, ultrapassando o recorde anterior, registrado em 2009.
No geral, a Moody's diz que a lista de empresas mais arriscadas "pode estar chegando ou já ter chegado à mediana de longo prazo". Boa parte dessa estabilidade é resultado de menos empresas entrando na lista enquanto a economia continua "atolada", disse Keisman, da Moody's.
Muitas dessas empresas já tinha enfrentado expectativas de concordata nos últimos anos. Mas empresas de todos os setores da economia conseguiram evitar reestruturações dolorosas e se recuperaram. A fabricante de autopeças American Axle & Manufacturing, a controladora da United Airlines, a UAL, e a varejista de luxo Neiman Marcus Group são algumas das empresas que já não habitam o território mais arriscado das avaliações da Moody's.
Lucros melhores e financiamentos mais amigáveis motivaram melhorias nas avaliações de risco, tirando muitas empresas da lista. Enquanto 27 a deixaram no terceiro trimestre, 13 passaram a integrá-la. A Moody's não vê sinais de que a lista vai aumentar no curto prazo, mesmo diante do fraco crescimento econômico, responsável por três pedidos de concordata nesta semana, como o da varejista Urban Brandse o da empresa de hotelaria Ultimate Escapes.
Algumas empresas quase não sobreviveram à tormenta. A UAL enfrentou problemas quando o preço do combustível explodiu e as pessoas pararam de viajar de avião, no auge da recessão. Mas ela divulgou recentemente lucro de US$ 273 milhões no segundo trimestre. A UAL agora deve se unir à Continental Airlines. Em agosto, a Moody's elevou a avaliação de risco da UAL para "B3", notando que a avaliação da empresa pode melhorar ainda mais graças às expectativas de benefícios com a fusão.
Algumas empresas saíram da lista da Moody's porque pararam de pagar as dívidas, como a Blockbuster, a combalida rede de videolocadoras que já avisou aos investidores que pode entrar em recuperação judicial. Outras foram acrescentadas à lista, como a operadora de hotéis Gaylord Entertainment , dona da casa de espetáculos de música country Grand Ole Opry, danificada recentemente por inundações em Nashville, no Estado do Tennessee.
Um porta-voz da Gaylord disse que a mudança nas previsões da empresa reflete o fechamento do hotel Gaylord Opryland durante a enchente, "algo que ocorre uma vez a cada mil anos". A Gaylord pretende reabrir o hotel em novembro, tem liquidez suficiente para cobrir os custos de reforma e não tem problemas pendentes com o vencimento de suas dívidas, acrescentou o porta-voz.
De maneira geral, a Moody's nota que o vencimento das dívidas nos próximos anos continua sendo "um obstáculo crucial" para empresas de alto risco. Cerca de US$ 800 bilhões em dívidas de alto risco vencem nos próximos quatro anos, o que eleva a chance de que ocorram calotes se as condições de refinanciamento piorarem.
Entre as que saíram da lista, a American Axle é uma das que conseguiram reviravolta marcante.
Analistas e investidores estavam praticamente certos de que a American Axle pediria concordata no meio do ano passado, seguindo o caminho da General Motors, sua maior cliente. A GM conseguiu se reestruturar e pagou US$ 110 milhões à American Axle, quitando custos e contratos relacionados à sua concordata. A GM também deu um empréstimo de US$ 100 milhões a ela, um financiamento que a American Axle afirma que ainda não teve de usar.
Em dezembro, a fabricante de eixos e rolamentos que conectam a transmissão às rodas captou mais de US$ 100 milhões vendendo ações. No mesmo mês, emitiu US$ 425 milhões em títulos, usando os lucros para quitar dívidas bancárias. A redução do endividamento permitiu que a empresa só tenha "um vencimento significativo" de dívidas em 2013, disse Michael Simonte, diretor financeiro.
Enquanto isso, a American Axle fechou ou vendeu fábricas e diminuiu ainda mais os custos negociando um novo contrato com o sindicato de metalúrgicos United Auto Workers. A empresa ainda é considerada de alto risco, e a recuperação do setor automotivo americano continua em primeira marcha. A empresa precisa se diversificar da dependência das vendas de picapes e utilitários esportivos, produtos que estão saindo do gosto das pessoas.
A ação da American Axle está na faixa de US$ 9. Em meados de 2009 ela ficou abaixo de US$ 2 e os investidores achavam que a empresa não ia sobreviver, disse Simonte. "Realmente, é notável a diferença nas condições de nossa empresa agora e um ano atrás", disse ele.
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