quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Perspectiva do mercado para 11/02/2010

Os principais mercados de ações asiáticos viveram uma nova sessão de ganhos nesta quinta-feira (11), influenciados positivamente pela maior confiança dos investidores quanto ao plano de resgate à Grécia e frente dados favoráveis divulgados na China.


Espera-se que os líderes políticos da União Europeia definam um pacote básico de ajuda àquele país, que se encontra em severas dificuldades e havia inflado as incertezas sobre as dívidas soberanas.


Sob controle

Por outro lado, os investidores foram surpreendidos favoravelmente pela inflação ao consumidor mais baixa do que o esperado na China, o que pode sinalizar para uma necessidade menor de enrijecimento monetário por parte do governo.

As bolsas europeias operam em alta, tendência que se estende aos mercados futuros dos EUA. Em linha, as cotações do petróleo e do ouro sobem, desfavorecendo o dólar, que se desvaloriza frente às principais divisas do mundo – euro, libra esterlina e iene.


Diante dos déficits gêmeos (em conta corrente e fiscal) na Grécia, ministros de Finanças da União Europeia concordaram em tomar “uma ação determina e coordenada” para ajudar o país helênico, conforme informado por uma fonte oficial à agência Reuters. O aporte contará com a expertise do FMI (Fundo Monetário Internacional), porém não será envolvido dinheiro qualquer do fundo.

Inflação recua, volume de empréstimos não


Na China, o CPI (Consumer Price Index) relatou avanço de 1,5% em janeiro, aquém do esperado por analistas (2%) e do visto em dezembro (1,9%). Se a inflação reduz temores quanto à necessidade de um aperto monetário, a expansão do crédito não dá trégua no país asiático.

Conforme dados do PBoC (People’s Bank of China), o volume de empréstimos em janeiro totalizou 1,39 trilhão de yuans (US$ 203,5 bilhões), mais de três vezes acima dos 379,8 bilhões de yuans vistos em dezembro último e equivalente a 18,5% do estimado pela instituição monetária para o ano inteiro.

Apesar de quase 20% da munição já ter sido gasta, Jing Ulrich, analista do JPMorgan, crê na continuidade da expansão de crédito. “O volume de empréstimos deverá se manter relativamente forte, a fim de prover suporte financeiro para os projetos de infraestrutura, além das empresas que se beneficiam da ajuda do governo”.

Desavalancagem com 25% do PIB perdido

Em relatório recente denominado “dívidas e desavalancagem: a bolha global de crédito e as decorrências econômicas”, analistas da McKinsey Global Insight acreditam que a desavalancagem começará agora nos EUA. Através da análise das últimas 32 crises desde a Grande Depressão, a instituição conclui que o tempo médio para a operação é de seis a sete anos. Neste período, o impacto médio no PIB (Produto Interno Bruto) é de 25%, o que remete a um possível espelho do Japão: a doença da estagnação econômica.

Bomba relógio

Para Marc Faber, conhecido como Dr. Doom pelo seu pessimismo, é só uma questão de tempo para que os governos das economias desenvolvidas vivenciem um default. “No mundo desenvolvido, nós temos muita dívida em relação ao PIB - em termos de gastos do Estado em relação ao nível de produto -, além de obrigações que vencerão, as quais são tão grandes que esses governos terão que emitir dinheiro antes do default”, dispara Faber.

Viagem do déficit

A crise fiscal viajará de Atenas para Londres, com provável escala em Madri, até atingir Washington. É essa a trajetória prevista por Niall Ferguson, editor do Financial Times, ao olhar para as projeções da Casa Branca e para a situação na Zona do Euro. “A dívida bruta federal [dos EUA] em mãos públicas excederá 100% do PIB em apenas dois anos. Neste ano, como no passado, o déficit federal será aproximadamente 10% do PIB”, afirma Ferguson, em referência às previsões do Gabinete de Orçamento do Congresso dos EUA. “As projeções de longo prazo sugerem que os EUA nunca mais terão um orçamento balanceado”.

Por aqui

No âmbito doméstico, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) traz o Índice de Nível de Emprego (11h00) da indústria paulista, referente ao mês de janeiro. A FGV (Fundação Getulio Vargas), em parceria com a AES Eletropaulo, publicará o SPI (Sinalizador da Produção Industrial), que antecipará a tendência da atividade industrial no estado de São Paulo no último mês.

De São Paulo para o restante do País, o SPC Brasil (Serviço Nacional de Proteção ao Crédito) divulgará às 10h30 o índice de Vendas e Inadimplência, que se refere ao mês de janeiro deste ano. A análise envolve mais de 150 milhões de CPFs (Cadastro de Pessoa Física) em todo o território nacional.

No cenário corporativo, destaque para a divulgação do resultado do Paraná Banco, antes da abertura do mercado. Logo após o fechamento, saem os números de Açúcar Guarani, Tarpon e Souza Cruz. Além disso, as seguintes empresas realizarão teleconferência com os acionistas: Vivo (9h00), Banrisul (10h00), Bic Banco (11h00), Vale (12h00), Banco Daycoval (14h30) e Porto Seguro (11h30).

Resultados animam

A Rio Tinto mostrou lucro líquido de US$ 2,4 bilhões no segundo semestre de 2009, recuperando-se do prejuízo de US$ 3,3 bilhões em período igual do ano anterior. No acumulado do ano passado, o lucro da terceira maior mineradora do mundo recuou 39%, para US$ 6,3 bilhões.

Na Europa, o Credit Suisse revelou lucro líquido de 793 milhões de francos suíços (US$ 746 milhões) nos três meses encerrados em dezembro passado, aquém das projeções dos analisatas (1,3 bilhão de francos suíços), porém acima do visto em período igual de 2008, quando o banco relatou prejuízo de 6,02 bilhões de francos suíços.

Na agenda desta quinta-feira (11), poucos indicadores econômicos de abrangência nacional despertam a atenção dos investidores. Com o temor de que a recuperação econômica será menos vigorosa do que o anteriormente estimado, o foco nos EUA ficará com a divulgação do Initial Claims, que traz o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos pela primeira vez na última semana. Haverá ainda continuação da publicação dos balanços referentes ao último trimestre, tanto no aqui quanto no mercado externo.


No Brasil

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulga o Índice de Nível de Emprego da indústria paulista, referente ao mês de janeiro deste ano. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) publica, em parceria com a AES Eletropaulo, o Sinalizador da Produção Industrial, que antecipa tendência da atividade industrial no estado de São Paulo.

Partindo para um cenário mais abrangente, o SPC Brasil (Serviço Nacional de Proteção ao Crédito) divulga o índice de Vendas e Inadimplência, referente ao mês de janeiro deste ano. A análise envolve mais de 150 milhões de CPFs (Cadastro de Pessoa Física) em todo o território nacional.

Cenário externo


Nos EUA, será divulgado o Initial Claims semanal, até o dia 6 de fevereiro, com os pedidos de auxílio-desemprego na economia norte-americana, às 11:30. Na parte de balanços, Pepsico, Viacom, Phillip Morris, Total e REvlon divulgam seus resultados antes do pregão.

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