terça-feira, 30 de novembro de 2010

Bovespa deixou de ser pechincha, diz executivo da Baring

O mercado acionário brasileiro deixou de ser a estrela dos emergentes, mas ainda traz boas oportunidades para os investidores estrangeiros. A avaliação é de Marino Valensise, diretor global de investimentos da britânica Baring Asset Management, com US$ 50 bilhões sob gestão. "O Brasil já não está tão barato em comparação a outras bolsas, mas ainda há histórias muito boas em algumas ações", disse o executivo, que adiantou ao Valor a apresentação que fará hoje a investidores locais.
Valensise lista três motivos que deixam a Bovespa menos atraente que, por exemplo, as bolsas chinesa e russa. Primeiro, o indicador Preço/Lucro (P/L, que dá uma ideia do tempo de retorno do investimento) do Índice Bovespa. Estimado em cerca de 9 vezes, o P/L já está em nível historicamente alto. Segundo, o real, que já se apreciou "muito", o que torna os ativos brasileiros "caros" em dólares. Por fim, há uma ameaça de alta da inflação. O Banco Central (BC) brasileiro, diz ele, deve ter um papel decisivo no início do governo Dilma Rousseff. "Gostamos do Brasil, mas vendemos alguns papéis por causa disso", explica o executivo, que mantém uma posição "neutra" (igual a média do mercado) em papéis brasileiros.
Embora o Ibovespa já não esteja barato, é possível garimpar papéis com bom potencial de ganhos, avalia o executivo. É o caso dos bancos, especialmente Banco do Brasil e Bradesco, dada a perspectiva de continuidade da expansão do crédito. Pelos padrões internacionais, ressalta ele, o consumidor brasileiro ainda apresenta um nível de endividamento baixo. "O Brasil tem uma classe média crescente, pronta para consumir", ressalta Valensise.
Ele também aponta o setor de saúde como atraente. Muito pulverizado no Brasil, esse segmento, diz o executivo, deve passar por um processo de consolidação. A Dasa, uma das poucas empresas de saúde na bolsa, pode liderar esse movimento. Há também potencial de ganhos para os papéis da concessionária de rodovias CCR e para a petroleira OGX, do bilionário Eike Batista. Há pouca atratividade, na opinião do executivo, em papéis de empresas de energia elétrica, saneamento e siderúrgicas.
Entre os mercados emergentes, a preferência de Valensise recai sobre as bolsas asiáticas, o que inclui escolhas óbvias, como a China, e mercados pouco explorados, caso de Filipinas e Indonésia. Esses países, ressalta ele, têm uma dinâmica de crescimento baseada no consumo interno e, por isso, são pouco afetados pelos humores da economia global. "São históricas que não estão ligadas ao consumo americano, por exemplo", diz.
Já a China ainda se beneficiará do enorme contingente de pessoas que ainda deve migrar do campo para as cidades. Isso significa um potencial enorme de ganhos de produtividade - ou seja, crescimento acelerado sem pressões inflacionárias consistentes. Mais de 50% das exportações do gigante asiático, ressalta Valensise, vão hoje para os mercados emergentes, o que torna o crescimento do país menos atrelado às economias americana e europeia. "Estamos com uma posição 'overweight' (acima da média do mercado) na China", diz.
Embora seja mais otimista com a Ásia, Valensise vê um enorme potencial de ganhos nos mercados emergentes em geral nos próximos dez anos. A razão é simples: o eixo do crescimento mundial está claramente migrando das nações desenvolvidas para os países em desenvolvimento. "Devemos ficar muitos felizes se os Estados Unidos crescerem algo como 2% e a Europa, 1,5%", diz o executivo.
Os mercados emergentes devem ocupar cada vez mais espaço nos índices globais de ações, como o MSCI World. Isso significa que um grande grupo de investidores globais, que seguem esses índices, vão ter de comprar papéis de emergentes. Os fundos de pensão americanos, por exemplo, têm menos de 1% de suas reservas em ações de emergentes. E eles são, ressalta Valensise, os grandes detentores de recursos no mundo. "A questão não é se as pessoas vão comprar ações dos mercados emergentes, mas quando elas vão comprar", afirma ele. "Não há bolha nesses mercados hoje, mas vai haver daqui a 10 anos, quando todos estiverem neles."
Os episódios de aversão ao risco suscitados pela crise da dívida na Europa devem ser vistos como boas oportunidades de compra de ações de emergentes. E a volatilidade deve se manter nos próximos meses, já que há dúvidas sobre a solvência de Portugal e Espanha. Valensise, aliás, acredita que os pacote para salvar Grécia e Irlanda apenas adiam a solução dos problema das dívida soberanas. "Esses países não vão ter receita suficiente para pagar as dívidas", diz ele. "Em algum momento, os credores vão ter de aceitar um desconto no principal da dívida, como aconteceu no caso da Argentina", afirma.
Fonte: Valor Econômico

Voto de confiança

Há um ruído natural no sistema econômico-financeiro criado pelas incertezas que sempre acompanham as sucessões presidenciais. De qualquer forma, elas são menores do que as que nos afligiram nas últimas. Há um sentimento de continuidade sem continuísmo. Ele manterá o país na rota de uma sociedade democrática e republicana, que perseguirá o caminho do aumento da igualdade de oportunidades para todo cidadão. Essa é a "preferência revelada" pela sociedade brasileira na Constituição de 1988.
Não pode haver compromisso mais forte com tais objetivos do que a primeira declaração da presidente Dilma Rousseff, logo após ter sido consagrada nas urnas: 1) o povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável; 2) a prioridade será a erradicação da miséria; e 3) zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.
Um claro programa de responsabilidade macroeconômica e de incentivos microeconômicos corretos para estimular a competição e as inovações, que são a base do desenvolvimento econômico. Em síntese: 1) liberdade individual que estimula a iniciativa num ambiente competitivo; e 2) sustentado por Estado-indutor limitado constitucionalmente ("zelarei pela Constituição, dever maior da Presidência da República"), capaz de regular adequadamente a atividade econômica e eficaz na produção dos bens públicos (segurança, educação, saúde, estabilidade da moeda), que são a essência do regime republicano. Todo cidadão com a mesma igualdade de oportunidades e todos - inclusive o governo - sujeitos às mesmas leis.
Programa do governo tem que ser abrangente e transparente
O programa é muito bom para um país onde o setor privado compara-se, em eficiência, aos dos outros países com PIB per-capita parecido, mas no qual a ineficiência do setor público é um lamentável fato. Não adianta procurar desculpas ou fechar os olhos. A despeito de algum esforço do governo, essa é, ainda, a nossa realidade. Em todos os ranqueamentos feitos por instituições internacionais sérias, o setor privado se situa em torno do terceiro decil, enquanto setor público frequenta o décimo!
É verdade que os números são sempre discutíveis, mas o "sentimento" coletivo diz que o sinal está correto. O primeiro passo talvez seja dar maior musculatura à gestão (do Ministério do Planejamento) que fez um bom trabalho com o ministro Paulo Bernardo. É preciso expandi-la para a desburocratização radical das relações entre o Estado e a sociedade. Isso parece ser sinalizado nos primeiros movimentos da presidente, com a escolha de Miriam Belchior.
Persiste, entretanto, uma enorme dúvida entre os analistas financeiros sobre a decisão explicitada pela presidente de que sustentará a política fiscal combinada com o ministro Mantega para reduzir o déficit nominal (até eliminá-lo) e reduzir a relação dívida pública líquida/PIB para 30% (melhor talvez fosse reduzir a dívida pública bruta/PIB para 40%). O objetivo fundamental de tal política é dar ousadia e suporte ao BC sob o comando de Alexandre Tombini, para, num tempo adequado, trazer a taxa de juro real do Brasil para qualquer coisa como 2% a 3%.
Essa é a necessidade para mantermos funcionando - sem risco - a política econômica canônica bem-sucedida que vimos adotando desde 1999. Fazer a taxa de juro real interna convergir para a média internacional é a única forma de reduzir os movimentos de capitais oportunistas, que podem manter a taxa de câmbio fora do equilíbrio por tempo suficiente para produzir graves problemas na produção interna de bens e serviços.
É claro que 2009 e 2010 foram anos que exigiram políticas fiscal e monetária muito agressivas, justificadas pela necessidade de acelerar a saída do país da recessão iniciada em 2009 e produzida pela patifaria do setor financeiro externo. Mas é claro, também, que há por trás de algumas análises um julgamento muito rigoroso (e com claro viés ideológico) com relação àquela política fiscal. Afinal estamos terminando 2010 com o déficit nominal de 2,5%, superávit primário (efetivo) em torno de 1,6% e relação dívida/PIB de 68% (bruta) e 41% líquida.
Nada disso sinaliza uma tragédia ou exige um ajuste fiscal dramático, como sugerem alguns "falcões" monetaristas. É por isso que o governo poderá submeter à sociedade um programa aceitável e crível que, num prazo razoável, atinja seus múltiplos objetivos: déficit nominal zero, relação dívida/PIB convergente para o objetivo e política monetária coerente com o controle da expectativa inflacionária. E taxa de juro real monotonicamente decrescente.
Para ser crível (e, portanto, para que seus objetivos criem antecipadamente as necessárias expectativas) o programa tem que ser abrangente e transparente. Tem que mostrar, por exemplo, como vai enfrentar o problema do juro real das cadernetas de poupança; como vai estimular a formação de poupança; como vai modificar a qualidade do financiamento da dívida; como vai eliminar os resquícios de indexação que ainda infestam a economia; como vai fazer as despesas do governo (excluídos os investimentos) crescer a taxa menor do que o PIB; como vai resolver o problema da previdência pública etc.
Para julgar o programa do novo governo é preciso esperar que seja apresentado. O que não tem cabimento é colocar em dúvida os objetivos declarados pela presidente ou "pensar" que sabe o que ela verdadeiramente "pensa". O melhor é acreditar no que ela diz e dar-lhe um voto de confiança!
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras no Valor Econômico

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Análise: Pensando o impensável - uma ruptura da zona do euro

O contágio se espalha a partir da Irlanda para Portugal e depois para Espanha, forçando os dirigentes europeus para esgotar o fundo de resgate 1000000000000 $ que eles criaram apenas meio ano atrás, para defender o seu projecto ambicioso de moeda única.

O foco na zona do euro com sua montagem de 16 nações e o apoio popular para o euro é corrido já que contribuintes alemães se rebelam contra uma série de dispendiosos resgates e a fadiga nos planos de austeridade da periferia do bloco chega a um ponto crucial.

Eventualmente um ou mais países decidem dar um basta e romper ,ou são forçados a sair e ai reintroduzem a moeda nacional usada antes de amarrar o seu destino para a audaciosa união económica e monetária da Europa.

Impensável há apenas poucas semanas atrás, um pequeno mas crescente número de especialistas acreditam agora que uma versão deste cenário de pesadelo pode se tornar realidade para a zona euro se os legisladores não conseguirem se unir por detrás de uma estratégia mais enérgica para salvar a economia do euro e abordar as preocupações dos investidores sobre os desequilíbrios econômicos e fiscais.

Até o momento, previsões catastróficas de um rompimento da zona do euro tem vindo principalmente dos cüeticos anglo-saxão , alguns dos quais viram o bloco da moeda  e política monetária única como fatalmente falho desde o início.

Durante o verão, o economista britânico Christopher Smallwood da consultores Capital Economics elaborou um documento de 20 páginas intitulado "Por que o euro é preciso quebrar"  e o economista americano Nouriel Roubini, conhecido como Dr. Pessimista, previu membros do euro seriam forçados a abandonar a moeda única.

Mas como a segunda onda da crise da dívida da Europa movimenta-se adiante, envolvendo a Irlanda e a uma pressão cerscente em Portugal e Espanha, um novo grupo de indecisos está emergindo. Eles acreditam que pode ser difícil para a zona euro a manter o atual formato, mesmo que muitos pensem que este continue a ser o cenário mais provável.

Alguns, como o comentarista do Financial Times Gideon Rachman, dizem que a Alemanha poderia romper com o Euro se a frustração pública com os resgates se amontoar ou se Berlim não conseguir convencer seus parceiros do euro da volta do seu polêmico plano para um novo mecanismo de emergência permanente.

Os acadêmicos dissidentes contestaram a legalidade da participação alemã no resgate grego no Tribunal Constitucional Federal. Se eles vencerem, o impacto sobre o euro pode ser devastador.

Outros vêem o risco de que as disparidades econômicas entre núcleo estável da Europa e da periferia da dívida selou pode acabar despedaçando o bloco em um "Euro-Norte" e um "Euro-Sul". Ainda outros acreditam que a Alemanha poderia esquematizar a expulsão de países fracos da zona do euro como a Grécia, que eles acham que nunca deveria ter sido permitido entrar no bloco de fato.

"Eu não acho que veremos um rompimento do euro e Alemanha retornar ao deutschemark, mas o que podemos ver é uma área do euro mais homogênea removendo os países de fraco desempenho econômico", disse Domenico Lombardi, um antigo membro do conselho executivo do FMI, que é presidente do Instituto Oxford de Política Econômica.

ENORME VONTADE POLÍTICA

Essas vozes representam ainda uma pequena minoria e são poucos os céticos que estão convencidos que a zona do euro irá se romper em breve.

Observadores próximos da Europa, e os responsáveis políticos encarregados de defender o euro, descartam a possibilidade de uma ruptura e acham que isso está fora de questão. Eles citam que contra a ruptura do euro existe um fator emocional enorme, assim como o investimento econômico no projeto, a vontade política por trás dele, e a dor, a complexidade e a humilhação que uma saída traria.

Eles apontam a favor do Euro o próprio poder de superação da moeda, que perdeu cerca de 6% do seu valor contra o dólar dos EUA nas últimas três semanas, mas continua a ser uma moeda forte e estável pelos padrões históricos.

O alemão presidente do Bundesbank, Axel Weber, disse na quarta-feira que "não havia caminho de volta" para o euro, reafirmando para o seu público francês que os políticos podem simplesmente aparecer com mais dinheiro se a sua rede de segurança 1 trilhão de dólares for insuficiente.

"Meu palpite é que  ainda muitos anos os responsáveis políticos vão fazer tudo o que podem para salvar esta coisa", disse Katinka Barysch, vice-diretor do Centro para Reforma Européia. "Se você sentar-se em Londres, está condenado. Eles não entendem o investimento político. Eles olham para o spread dos títulos e acham que o sistema está condenado, mas isto é superficial."

Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do Instituto Peterson de Economia Internacional de Washington, disse que uma ruptura permanece "impensável" e apontou para a resposta do bloco à crise grega, na qual, após sucessivos atrasos, ele rasgou o livro de regras e tomou uma ação decisiva para frear a crise.

"Se o euro estivesse seriamente em risco, poderia se esperar uma resposta muito mais forte", disse ele. "Você veria o BCE imprimir notas de 500euros e soltando-os a partir de helicópteros antes que a Espanha fosse obrigada a moratória ou pudessem pôr o Euro em perigo."

UNIÃO FISCAL

Ainda assim, se a turbulência recente provou alguma coisa, é que medidas de "choque e pavor"  não são susceptíveis de acalmar os investidores por muito tempo, nem mudar a visão que o bloco é fundamentalmente falho por causa de um diferencial de competitividade acentuada que só uma união fiscal mais estreita pode ser capaz de resolver.

Indo por este caminho, tem a proposta não aceita da Alemanha, que tem insistido que os países periféricos do euro para avançar com cortes deflacionários de salários, e dolorosas reformas estruturais para aumentar a produtividade, em consonância com o seu próprio modelo de sucesso econômico.

Os gregos, irlandeses e Português vão lidando com essas políticas, por agora, mas os céticos temem que nos próximos anos essa estratégia será exposta como falha e que os desequilíbrios de desestabilização no interior do bloco vai voltar a emergir.

A OCDE previu na semana passada que o excedente da Alemanha em conta corrente passaria de volta para os picos de cerca de 7 por cento do PIB em 2012. A organização prevê déficits em 2012 para a Grécia e  Portugal de 5,9 por cento e 8,0 por cento, respectivamente, bem abaixo de suas elevações pré-crise de dois dígitos, mas ainda substancial.

A constatação de que os mercados não podem permitir esta confusão na zona do euro, fazendo apenas pequenos ajustes às suas regras fiscais, como fez em sua primeira década, parece estar afundando no meio de políticos europeus.

Na quarta-feira, o ministro das finanças da recém-chegada Eslováquia na zona do euro descreveu o risco de uma ruptura da zona do euro como "muito real", um dia depois da chanceler alemã, Angela Merkel, dizer ao parlamento que o euro estava em uma "excepcionalmente grave" situação.

"Esta é uma crise sistêmica que requer uma resposta sistêmica, mas não é o que temos visto até agora", disse Lombardi. "Isso está sendo tratado de país para país:  a Grécia em primeiro lugar, agora na Irlanda, e você pode ter certeza que não será o último país".
 
Fonte: CNBC
http://www.cnbc.com/id/40371286

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A 'conta previdência': mais independência e menos custos

Que os investimentos de longo prazo são importantes, não há mais o que discutir. Que os investimentos para a aposentadoria são um excelente fornecedor de recursos de longo prazo, idem.
Tanto assim, que desde o governo Fernando Henrique vêm sendo implementadas medidas de incentivo fiscal para as aplicações mais longas no mercado financeiro voltadas para a previdência. Primeiro foram os FAPI, depois surgiu o PGBL; e depois, ainda, o VGBL.
Porém, embora as medidas sejam bem-vindas, há dois problemas que não foram abordados de maneira frontal: a independência na escolha dos ativos e o poder de mercado.
Muito bem, suponha que você não tenha alguns milhões de reais, o que o priva da possibilidade de dispor de um fundo exclusivo; mas, por outro lado, saiba muito bem o que fazer com o seu dinheiro (ou, pelo menos, imagine que saiba). Se você quiser usufruir do benefício fiscal concedido aos aplicadores de planos de previdência, não restará outra coisa a escolher do que o percentual de ações que irão compor a carteira (de 0% a 49%), e a gestora do dinheiro.
Diferimento fiscal para a oferta pública da Petrobras? Nem pensar! O leão vai levar o seu dinheiro sem pestanejar, na declaração de ajuste anual, mesmo que você tenha a intenção de "deitar em cima" das ações da petroleira e usar o produto do pré-sal para custear suas futuras viagens pelo mundo.
Não preciso dizer que comprar um título público diretamente também está fora de questão, assim como aplicar em vários fundos de investimentos de diversos gestores que você, pacientemente, analisou.
Dado que não há muito o que escolher, acabamos caindo em uma outra questão: poder de mercado. Quando se opta por um plano de previdência, a primeira coisa que vem à cabeça é saber quem o oferece. Depois, surge a dúvida: e a segurança do fundo?
Pensando nisso, o governo Lula criou a possibilidade de segregação do patrimônio da empresa de previdência do patrimônio dos investidores, mas isso ainda não está regulamentado (assunto para outra oportunidade). Além disso, desde o FAPI, é possível a portabilidade, isto é, transferir o plano, desde que o regime tributário seja idêntico, para outra instituição.
Infelizmente, se olharmos os dados relativos à venda desses planos, eles continuam concentrados nas maiores instituições do país, não apenas pelo lado da força de vendas que elas apresentam, como também pela sensação de segurança transmitida.
Há solução ou vamos acabar de ler este texto e vamos ficar na mesma? Eu creio que há. E não é criação nenhuma, mas uma cópia do que se dá lá fora e que, de certo modo, nós já fizemos aqui: algo que chamo de "conta previdência". Ela assemelha-se, em concepção, à conta investimento, que se destinava a isentar de CPMF as aplicações financeiras depois de uma incidência inicial do incômodo tributo.
Com a conta previdência, os recursos ali depositados poderiam ser deduzidos do imposto de renda até o mesmo limite atual (12% da renda) e ficariam livres para que o candidato a uma aposentadoria tranquila pudesse adquirir quaisquer ativos financeiros.
Essas contas poderiam ser abertas em instituições bancárias ou em corretoras, de modo que haveria maior concorrência pelos recursos dos investidores. Adicionalmente, a conta previdência contaria com a possibilidade de transferir os recursos entre os diversos agentes financeiros nos quais o cliente mantivesse conta similar.

Obviamente, se o dinheiro sair antes de determinado prazo, devem ser aplicadas as mesmas regras hoje vigentes para os planos de previdência.
A conta previdência possibilitaria a liberdade de escolha das carteiras pelos clientes que, inclusive, poderiam abrir mão desta liberdade atribuindo a tarefa de administração do patrimônio ao agente financeiro de sua preferência.
Além disso, as instituições iriam disputar os recursos com taxas baixas (ou isenções), na expectativa de ganhar com as corretagens e taxas de administração de seus produtos ou, ainda, com o repasse da venda de outros fornecedores. Isso sem falar na capacidade de concentrar os negócios do cliente.

Como implementar? Para quem já teve uma conta investimento, evoluir rumo à conta previdência é um pulo.



Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Europa necessita de reformas para "quebrar grilhões de baixo crescimento"

A Europa precisa de profundas reformas, de maneira colaborativa para restaurar o crescimento forte e equilibrado em toda a região e preservar o modelo social europeu, o chefe do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn disse a banqueiros e funcionários, em Frankfurt.

"A Europa tem de romper as amarras do crescimento baixo e parar de se contentar como segundo melhor", disse Strauss-Kahn. "Esta é a única maneira de salvar o modelo social e cumprir o destino europeu comum."

Falando para o European Banking Congress, em Frankfurt, na Alemanha, em 19 de novembro, Strauss-Kahn disse que a única resposta é a uma maior cooperação e maior integração, e agora é o momento para fortalecer as bases econômicas do sindicato.

O modelo social europeu, que inclui redes de segurança generosa e proteção para os mais desfavorecidos está sob ameaça devido aos custos elevados e crescentes dívidas públicas.

Um papel mais forte para o centro

O chefe do FMI apontou uma série de áreas de ação coletiva, que vão desde o sector financeiro, a uma iniciativa única no mercado de trabalho. Só uma abordagem colaborativa orientada pelo centro pode trazer as reformas necessárias para assegurar a estabilidade, criar empregos e garantir o crescimento a longo prazo.

Para atingir estes amplas reformas, cada um dos países europeus devem estar dispostos a ceder mais poderes para as instituições europeias.

"Quando a agenda fica com as nações, as coisas entalam", disse Strauss-Kahn. Ele acrescentou que a pressão social não tem servido muito bem a Europa, e é hora de mudar de rumo.

Na área-chave orçamental, Strauss-Kahn destacou duas maneiras de se mover em direção a uma autoridade central fortalecida. A primeira,  seria a  transferencia de responsabilidade principal pela execução da disciplina orçamental e as principais reformas estruturais longe do Conselho Europeu, e para um organismo independente, como orgão executivo da Comissão Europeia, o corpo executivo da união. Outra seria a de aumentar o tamanho da alocação central de recursos orçamentários.

Os comentários de Strauss-Kahn vêm antes de um novo estudo do FMI sobre o crescimento na Europa para ser lançado na próxima semana.

Reforçar a supervisão do sector financeiro

No começo do dia, Strauss-Kahn, saudou os progressos sobre as novas regras bancárias globais, conhecido como Basiléia III, mas disse que há uma longa lista de problemas que não foram resolvidos. Países ainda precisam reforçar a supervisão das regras e dar uma solução para as instituições financeiras inviavéis, especialmente os bancos transfronteiras.

Falando em um painel com o Federal Reserve dos EUA, Ben Bernanke, presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, eo Banco Central do Brasil Presidente Henrique Meirelles, o diretor-gerente do FMI disse que o trabalho está em curso sobre estas questões mais difíceis, mas precisa acelerar.

"Estar preparado para a próxima crise é importante, não só por razões economicas, mas também por razões democráticas", disse Strauss-Kahn. "A confiança nas instituições pode estar sob ameaça, e se tivermos uma nova crise parecida com a anterior, a reação será: 'você resolve o problema'"

Strauss-Kahn também disse que mais trabalho precisa ser feito sobre os riscos colocados por instituições não-bancárias financeiras, como fundos de hedge e fundos de pensões, e da interação entre o setor financeiro e a economia global, o que pode alterar parte do trabalho de bancos centrais.

"Eu não sei se os bancos centrais estão felizes de ouvir alguém dizer que você deve ampliar o papel que você exerce, mas eu acho que isso é inevitável."

Fonte: Fundo Monetário Internacional.

domingo, 21 de novembro de 2010

Roubini mapeia o possível cenário do colapso da dívida européia.

Temos muita dívida privada, no caso da Irlanda", afirma Nouriel Roubini. Mas o cerne da crise é: "Decidimos socializar as perdas privadas do sistema bancário Agora você tem um grande aumento na dívida pública que vai de 7% para 100% do PIB. Logo, será 120%." "E, avaliando mais amplamente o resto da Europa, a Grecia já está nos 120%".
Roubini acredita que as tentativas de intervenção só têm aumentado a magnitude dos problemas com a dívida pública. Ele diz: "Agora você tem um monte de super-soberanos do FMI, da UE, a zona euro, resgatando esses soberanos". Essencialmente, os super-soberanos subscrevem a dívida soberana aumentando a escala e concentrando os problemas. Roubini caracteriza a intervenção supra-soberana como como meramente empurrando um bêbado ladeira abaixo.
Ele diz ironicamente: "Não será ninguém vindo de Marte ou da lua que irá socorrer o FMI ou a zona euro." Mas, apesar da embaralhada da dívida em nível nacional e ao nível de entidades supranacionais, a realidade. em última analise, prevalece e acaba intervindo:. "Entao, em algum momento você precisa de precisa de uma reestruturação. Em algum ponto você precisa dos credores dos bancos para tentar algo caso contrário toda essa dívida entra no balanço do Governo. E então você quebra a espinha dorsal do Governo e, seguida em, o Governo está insolvente "
E depois há o caso da França. "Sarkozy chegou ao poder dizendo: 'Eu vou fazer um monte de reformas." Ele não fez isso. Agora, ele é fraco. Ele pode perder a eleição. E, portanto, eles estão indo para o atraso na austeridade fiscal e nas reformas. " E que, de acordo com Roubini, é um grande problema para o desafio fiscal francês.
Os vigilantes dos títulos públicos podem ter prestado atenção primeiro para Grécia, Irlanda e Portugal. "Mas na França", diz Roubini, "a situação não parece muito melhor que nos países periféricos.
Na opinião de Roubini, a probabilidade de medidas corretas serem tomadas na França em breve, não é grande. "Politicamente eles são impedidos de fazer reformas". Por exemplo, depois que os franceses fizeram mudanças relativamente pequenas no seu sistema de previdência social, aumentando a idade de aposentadoria de 60 para 62 - "houveram enormes tumultos nas ruas." E que, na opinião de Roubini, foi apenas o começo do rigor e da austeridade necessárias.

"O que vai acontecer quando você faz uma reforma mais radical? Isso é uma questão em aberto no caso da França."
Olhando para além da França, para a trajetória futura da crise, Roubini diz: "O próximo da fila vai ser Portugal." Devido à gravidade dos problemas da dívida portuguêsa, Portugal vai perder o acesso ao mercado e isso significa que eles também estão a caminho da necessidade de apoio do FMI.
Mas o verdadeiro pesadelo do dominó é a Espanha. Roubini se refere aos problemas da dívida espanhola como "o elefante na sala". "È possível tentar cercar a Espanha. E também pode-se tentar, essencialmente, fornecer um financiamento oficial para a Irlanda, Portugal e Grécia, por três anos. Deixá-los de fora do mercado neste período e talvez reestruturar a sua dívida para baixo da linha."
"Mas se a Espanha cair do precipício, não há dinheiro suficiente oficial neste envelope dos recursos europeus para socorrer a Espanha. Se a Espanha é grande demais para falir, por um lado, ela é também muito grande para ser salva."
Com a Espanha, o primeiro problema é o tamanho de sua dívida pública: € 1 trilhão. (Grécia, pelo contrário, tem 300 € de dívida pública.) A Espanha também tem € 1 trilhão em dívidas privadas estrangeiras.

E para problemas dessa magnitude, simplesmente não há recursos suficientes governamentais ou super-soberana para dar um jeitinho.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Meta fiscal cheia em 2011 é muito difícil

Os assessores mais próximos da presidente eleita Dilma Rousseff garantem que ela vai preservar a meta de superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), sem os descontos utilizados nos dois últimos anos do governo Lula. Cumprir a "meta cheia" é essencial, argumentam, para reduzir a dívida pública líquida para 30% do Produto Interno Bruto (PIB) ao final de 2014.

A situação atual das contas públicas mostra, no entanto, que essa intenção poderá ser colocada em prática a partir de 2012, mas é praticamente impossível em 2011. Para executar a "meta cheia" de 3,3% do PIB no seu primeiro ano de governo, Dilma teria que fazer um ajuste fiscal muito duro, equivalente àquele executado pelo presidente Lula em 2003, com corte dramático nos investimentos.

A meta de superávit primário deste ano só será cumprida porque a União contou com uma receita "atípica", representada pela cessão onerosa (venda) de 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal à Petrobras, parte do processo de capitalização da estatal. O Tesouro Nacional recebeu R$ 74,8 bilhões pelo petróleo e pagou R$ 42,9 bilhões para subscrever o aumento de capital da empresa. Em resumo, por conta dessa operação houve um ingresso líquido de R$ 31,9 bilhões no caixa do Tesouro.

Sem entrar no mérito da operação, que transformou uma emissão de títulos públicos em receita primária, o fato é que se o governo central cumprir a meta de superávit primário de 2,15% do PIB, prevista para este ano, 0,9 ponto percentual do PIB decorrerá da operação criativa feita pelo Tesouro com a Petrobras. Dito de outra forma: o superávit primário do governo central este ano ficará em torno de 1,3% do PIB, se for excluída a receita obtida com os barris de petróleo, que ainda estão no mar, a 7 mil metros de profundidade.
A meta de superávit primário do governo central para 2011 é de 2,10% do PIB. Ela tem que ser comparada ao 1,3% do PIB de "superávit efetivo" a ser registrado este ano, excluída a receita criativa do petróleo, pois somente assim será possível dimensionar o esforço adicional necessário para cumprir a meta cheia no ano que vem. Se quiser cumprir a meta cheia, o governo Dilma terá que fazer um esforço fiscal adicional correspondente a cerca de 0,8% do PIB, cortando despesas ou elevando receitas, ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Um esforço fiscal dessa magnitude é muito difícil de ser realizado. Para estabilizar a economia, o presidente Lula elevou o superávit primário do governo central, que passou de 1,89% do PIB, em 2002, para 2,51% do PIB em 2003. Esse esforço fiscal de 0,6% do PIB resultou em um corte dramático nos investimentos públicos, que caíram de 0,8% do PIB no último ano do governo FHC para 0,3% do PIB no primeiro ano do governo do presidente Lula.

A proposta orçamentária para 2011, que está sendo discutida no Congresso Nacional, mostra que não há margem para o governo Dilma realizar um esforço fiscal muito grande. A previsão é que a receita primária, líquida de transferências para Estados e municípios, crescerá 0,5 ponto percentual do PIB, mas esse aumento foi alocado para cobrir despesas. O superávit primário do governo central previsto é de apenas 1,28% do PIB, pois, como permite a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), os gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no montante de R$ 32 bilhões, foram descontados da meta, conforme a tabela abaixo.
Isso significa que, mesmo que o governo controle as despesas correntes primárias (basicamente os gastos previdenciários e com os salários do funcionalismo), como o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sugeriu esta semana à presidente eleita, o superávit primário só poderá ser elevado com o corte das verbas destinadas aos investimentos.
É um equívoco achar que a receita da Contribuição Social para a Saúde (CSS), cuja aprovação o governo negocia com os governadores eleitos, ajudará o esforço fiscal. A proposta da CSS, em discussão no Congresso, impede que o governo substitua os recursos atuais que vão para a saúde pela receita da CSS, como foi feito com a CPMF. A CSS resultará em gasto adicional na área da saúde.

Fonte: Valor Econômico de 11/11/2010

A elite da tropa: nos bancos, missão dada é missão cumprida

Em toda e qualquer profissão existem os profissionais bons e ruins, os sérios e os "fanfarrões" (homenagem ao Capitão Nascimento), os que fazem o que é melhor para você e os que fazem o que é melhor para o próprio bolso e para a promoção de si mesmo.
Em toda e qualquer profissão, o número de pessoas boas e sérias tende a ser infinitamente superior ao de ruins e desonestas. Podemos pegar qualquer exemplo, passando por professores, médicos, mecânicos e afins. Talvez até na classe política possa haver um "empate técnico".
Existe uma e somente uma profissão em que guardo alguma desconfiança sobre essa proporção. Não no quesito "roubar", mas no quesito "seriedade, o que é melhor para ele e não para mim". A atividade de que vivo e que a maioria chama de consultoria financeira - ou o nome que CVM preferir e que signifique mais ou menos a mesma coisa.
Vamos incluir nessa lista os gerentes de bancos e similares, pois, apesar de não ser exatamente essa a profissão deles, acabam aconselhando as pessoas sobre o que fazer com o seu dinheiro, onde investir e a melhor hora para tal. Como diria Capitão Nascimento ao batalhão: Missão dada é missão cumprida !!!
É assim, no meu imaginário, que funcionam as reuniões nos grandes bancos de varejo do Brasil entre os diretores ou supervisores com os gerentes e o resto do staff. Só pode ser isso. Só isso explica a impressionante onda que assola os clientes a cada mês, como a mais nova e rentável aplicação que o Banco XYZ preparou apenas pra você, cliente preferencial.
Evidentemente, o começo disso foram os famosos e famigerados títulos de capitalização. E esta aí uma coisa que ainda não consigo conceber: como alguém sério, que não trabalhe em banco, pode oferecer isso como opção. Depois vem os estágios de cartões adicionais, financiamentos a custo baixíssimo, crédito pré-aprovado e outros produtos que o batalhão coloca "no saco" para nós clientes; afinal, "parceiro", quem quer rir tem que fazer rir também.
Quando a bolsa despenca, aparecem os famosos fundos de capital protegido. Esse é o famoso: "PEDE PRA SAIR !!!!". Você absorve todo o prejuízo e agora que está tudo a preço de banana o gerente lhe oferece uma benevolente opção: daqui pra baixo, o banco paga; daqui pra cima, parte de tudo o que você ganhar com o seu dinheiro é nosso !!!! É sensacional. Meu sonho é ver esse produto sendo ofertado hoje com o Ibovespa aos 73.000 pontos. Por que será que isso não ocorre ?
Tudo isso para contar o épico dia em que me encontrava na sala de espera do meu banco, enquanto meu gerente conversava com uma senhora de aproximadamente 80 anos. Nesses minutos de espera, tocava na minha cabeça a música tema do filme Tropa de Elite: "Tropa de elite, osso duro de roer, pega um pega geral, também vai pegar você!"
A senhora possuía recursos, não confiava em ninguém e quis que o gerente a auxiliasse com esse dinheiro. Conversa vai, conversa vem, o gerente, lembrando que "missão dada é missão cumprida", empurrou um PGBL para a senhora.
Foi surreal. Uma senhora de 80 anos (aposentada é claro) fazendo um plano de aposentadoria com o qual ela teria que contribuir por 35 anos (ok, a expectativa de vida aumentou, mas vamos com calma) para, aí sim, colher todos os benefícios fiscais vendidos como grande trunfo na escolha.
Se estivesse na espera o Capitão Nascimento e não eu, ele pegaria o gerente pela gravata e gritaria: "Gerente, o Sr é um fanfarrão !!!!"

Você, nobre leitor, cuidado com os investimentos que lhe são sugeridos. Saiba diferenciar quando a pessoa está preocupada com você ou com suas metas. Se eles são obrigados a cumprir a missão, você pode perfeitamente pedir pra sair.
Como diria nosso grande super-herói: "O buraco é mais fundo do que parece e o sistema..., o sistema parceiro, só funciona se todo mundo fizer sua parte".
No nosso mundo, fazer a sua parte é cuidar para que as pessoas entendam e aprendam cada vez mais sobre os investimentos e sobre quais vantagens e desvantagens em se aplicar aqui ou ali. Enquanto isso não for plenamente verdade, os clientes precisarão continuar a usar o "caveirão" quando forem entrar em um grande banco para aplicar seus recursos.
Luiz Gustavo Medina é sócio da M2 Investimentos

Fonte: Valor Econômico

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

OCDE vê recuperação mundial desacelerando à medida que os EUA ficam pra trás.

A recuperação da economia global está reduzindo uma marcha já que a economia dos EUA rebate a crise menos rapidamente do que o esperado e o crescimento dos países emergentes passam a um patamar mais moderado, disse a OCDE nesta quinta-feira.
Em seu relatório semestral,  a Organização para a Cooperação Económica e Desenvolvimento, com sede em Paris,  disse que vários fatores sugerem que as perspectivas podem ser rebaixados, citando entre outras, tensões na moeda global e uma possível crise da dívida na Europa.
A instituição previu que o crescimento mundial cairia para 4,2 por cento em 2011 de 4,6 por cento este ano antes de retornar a uma taxa de 4,6 por cento em 2012.
Em maio passado, a organização baseada em Paris projetava expansão de 4,6 por cento em 2010 e 4,5 por cento em 2011. Ela não deu uma previsão para depois de 2012.
"Nós vemos a recuperação em curso, mas em um ritmo mais lento", o economista chefe da OCDE Pier Carlo Padoan disse à Reuters em uma entrevista.
A OCDE reduziu sua previsão para o crescimento dos EUA para 2,7 por cento este ano, 2,2 por cento em 2011 e 3,1 por cento em 2012.
Em maio, ele havia estimado que o crescimento na maior economia do mundo se recuperar de uma recessão terrível, em 2009 a crescer 3,2 por cento em ambos os 2010 e 2011.
Outlook desigual
Embora as perspectivas econômicas para os 33 países ricos e industrializados que pertencem à OCDE variam amplamente, a organização aumentou ligeiramente sua previsão de crescimento para o grupo, para 2,8 por cento para este ano, de uma estimativa de 2,7 por cento determinado maio. Mas cortou as perspectivas para o próximo ano para 2,3 por cento contra 2,8 por cento anteriormente e a previsão é que o  bloco só veja retomada no crescimento para esta última taxa somente em 2012.
Padoan disse que o crescimento foi de moderação já que os governos mudaram seu foco de medidas excepcionais para estimular suas economias para enfrentar grandes déficits orçamentários, que aumentou em muitos países durante a crise econômica.
"O impulso que a economia mundial tem tido a partir do aumento nas trocas comerciais ainda está lá, mas desacelerando", acrescentou Padoan.

Embora as taxas de crescimento em países emergente de  rápido crescimento tenham diminuindo para níveis mais sustentáveis, a OCDE vê esses países como responsáveis para continuar a dar um impulso à economia global.
A entidade elevou as previsões de crescimento do Japão, estimando que sua economia crescerá 3,7 por cento este ano antes de abrandar para 1,7 por cento no próximo ano com o impacto de dois novos pacotes fiscais desbotada.
A OCDE estima que as 16 nações da economia da zona do euro cresceriam 1,7 por cento em ambos os anos de 2010 e 2011 como os governos apertam restrições orçamentais e os membros periféricos, incluindo a Grécia e a Irlanda, batalham contra os encargos da dívida excessiva.
Os riscos são muitos
A OCDE advertiu que o panorama estava cheio de riscos que vão desde uma possível crise da dívida soberana na Europa, as quedas de preços de casas novas nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, as tensões do mercado de câmbio e uma pressão da abrupta alta inesperada rentabilidade dos títulos do governo.
Padoan solicitou com pulso aos parceiros da Irlanda na UE para ajudar o país a lidar com a crise da dívida, o que deflagrou poucos meses depois que a Grécia chegou perto de calote em suas dívidas, suscitando dúvidas sobre o futuro da zona euro.
"Situações de dívida são de natureza dinâmica. Você tem que perguntar para onde vou e nós temos que reconhecer que a Irlanda deve ser guiada na direção certa e há algum tempo para fazer,  mas esse tempo não infinito", disse ele.
A OCDE disse ainda que o risco de deflação na maioria dos países era baixo, mas não desapareceu completamente, susceptível de justificar a ação do banco central para comprar títulos do governo se a situação se agravasse, como ocorreu.

Mas, enquanto os riscos para as perspectivas econômicas estavam inclinados para o lado negativo, os ganhos do mercado de ações alimentado por fortes lucros corporativos pode dar um impulso à economia, disse a OCDE.
 
Fonte: CNBC

Apetite por Brasil está longe de se tornar uma bolha

A forte migração de recursos para países emergentes está longe de acabar e a possibilidade de bolha deve ser descartada nesses mercados, pelo menos no curto prazo. A opinião é de Scott Leiberton, diretor global responsável pela estratégia de ações da Principal Global Investors, grupo americano que reúne US$ 284,7 bilhões em ativos sob gestão no mundo, dos quais US$ 1,2 bilhão estão em ações de empresas brasileiras.
O crescimento econômico robusto, puxado pela expansão do consumo doméstico na onda da melhora de renda, faz dos emergentes mercados-chave para a recuperação global, acrescenta Robert Baur, economista-chefe global da Principal. "São países como a China, Brasil e Índia que estão tirando a economia da crise e esse é um longo processo."
Há, portanto, fundamentos para a atração de recursos, na visão de Leiberton, o que minimiza o risco de bolha no curto e médio prazos. "É natural que neste momento os emergentes não sejam negociados com tanto desconto em relação aos países desenvolvidos como antes, dado o melhor crescimento econômico e as reformas estruturais feitas nesses mercados", avalia o diretor.
Os maiores riscos de bolha estão em mercados menores, o que não é o caso do brasileiro, continua Leiberton. "O Brasil tem uma economia mais diversificada e uma classe média muito promissora", diz ele, ressaltando que os investidores estrangeiros continuam buscando boas histórias de crescimento doméstico. Baur admite que muitas das empresas que se beneficiam do consumo local estão próximas das máximas, mas não superavaliadas.
A popularidade dos emergentes e, em particular, do Brasil é tanta que até o perfil do investidor interessado em aplicar recursos no país está mudando. Segundo Leiberton, há cerca de cinco anos, institucionais como fundos de pensão e seguradoras dominavam a cena. Agora, a procura maior tem vindo de investidores de varejo. Isso é algo que pode ser visto principalmente no Japão, diz o executivo.
Outra mudança percebida pela gestora é que, ao longo dos dois últimos anos, os estrangeiros passaram a buscar exposição a aplicações denominadas em moeda local. Antes, a grande preferência era correr risco em dólar, aplicando em recibos de ações negociados em Nova York, por exemplo.
No portfólio global, o Brasil tem lugar de destaque, com uma participação de 20% do total de recursos destinados a ações de emergentes. Na busca por histórias domésticas, a Principal elegeu empresas de consumo, como varejistas e prestadoras de serviços de saúde, companhias industriais, de tecnologia e bancos, independente do tamanho.
O setor de tecnologia se mostra particularmente atraente nos emergentes, sobretudo no Brasil, avalia Baur. Para ele, o aumento da renda abre a possibilidade de aquisição de bens antes distantes do público mais pobre, como computadores. "O consumo doméstico nos emergentes está crescendo de forma sustentável e essa é uma situação que vai se manter por um bom tempo", afirma o executivo.
A Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, servirão para melhorar a visão que a comunidade internacional tem sobre o Brasil. "São eventos que vão aumentar a visibilidade do país de modo a deixar o investidor mais confortável com suas aplicações no Brasil", avalia Leiberton, lembrando que a percepção em relação à África do Sul melhorou muito após o país sediar a Copa do Mundo este ano.
Quanto à economia americana, o economista da Principal diz não acreditar em um "double dip" - receio de uma nova recaída - e admite que sua visão é levemente mais otimista que a média. Na avaliação do executivo, o setor imobiliário deverá se estabilizar a partir do ano que vem, as receitas fiscais começarão a subir e o Produto Interno Bruto (PIB) americano deverá registrar expansão de 2,5% a 3%. "E um crescimento nessa faixa é suficiente para reduzir o desemprego", diz Baur.
No universo das matérias-primas, as commodities metálicas e agrícolas se mostram com os maiores potenciais de ganhos, avalia Baur. "Com o crescimento dos emergentes, mais casas e carros serão comprados, por exemplo, e o alumínio é algo usado em tudo", diz. No caso das agrícolas, há um choque de oferta provocado por fatores climáticos.
A Principal está presente no Brasil desde 1999 por meio de uma joint venture com o Banco do Brasil, formando a Brasilprev Seguros e Previdência. No ano passado, a parceria foi renovada por mais 23 anos.


Fonte: Valor Econômico de 18/11/2010
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Fed tem razão em abrir a torneira

O céu está desabando, gritam os histéricos: o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) está derramando dólares em tais quantidades que, em breve, a moeda não terá valor. Nada poderia estar mais distante da verdade. Como no Japão, é muito mais provável que a política denominada "flexibilização quantitativa" se revele ineficaz mais do que letal. É uma mangueira com vazamento, não um dilúvio monetário de Noé.


Enfim, o que é que o Fed está fazendo? E por que está fazendo? Por que é que as críticas são ridículas? O que deveria o Fed estar fazendo, em vez disso?

A resposta à primeira indagação é clara. Como o Fed declarou em 3 de novembro, "para estimular um forte ritmo de recuperação econômica e para ajudar a assegurar que a inflação permaneça, ao longo do tempo, em níveis compatíveis com sua missão, o Federal Open Market Committee (Fomc) decidiu hoje ampliar seus estoques de títulos. O Fomc vai manter sua atual política de reinvestimento dos pagamentos do principal de seu estoque de títulos. Além disso, a comissão pretende adquirir mais US$ 600 bilhões em títulos de longo prazo do Tesouro até ao fim do segundo trimestre de 2011, a um ritmo de cerca de US$ 75 bilhões por mês".

Em vez de todas as fúteis lamúrias, o necessário era uma apreciação coordenada das moedas das economias emergentes. A culpa aqui não é dos EUA. Simpatizo com um Brasil ou uma África do Sul, mas não com a China. O céu não está desabando.

Ben Bernanke, o chairman do Fed, explicou o argumento em discurso no mês passado. Ele ressaltou que o desemprego nos EUA está muito acima de qualquer estimativa razoável de equilíbrio. Além disso, as perspectivas de crescimento econômico tornam improvável que isso mude no decorrer de 2011. Isso é suficientemente ruim, mas o pior é que a inflação caiu para perto de 1%, apesar da expansão do balanço patrimonial do Fed, sobre a qual tantas lágrimas foram derramadas. As expectativas de inflação estão bem ancoradas, acrescentou ele, mas isso poderá mudar, depois de instalada uma deflação. Tendo em vista o desaquecimento da economia, isso pode não estar muito distante.

O Fed, acrescentou seu presidente, tem dupla missão: estimular o desemprego mínimo e a estabilidade de preços. Cruzar os braços seria incompatível com essa obrigação. A única questão é o que deve ser feito. A resposta é a proposta de compra de obrigações do Tesouro. Isso simplesmente estende as operações clássicas do mercado aberto para cima na curva de juros. Isso também só expandiria o balanço patrimonial do Fed em cerca de 25%, ou cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Estão os EUA realmente na mesma estrada que a República de Weimar? Numa palavra, não.

Não é de surpreender que Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, pense diferente. Ele descreve o modelo de crescimento americano como envolvido em "crise profunda", acrescentando que "não está certo que os americanos acusem a China de manipular as taxas de câmbio e então façam a taxa de câmbio do dólar cair, ao abrir as comportas". Presumivelmente, ele acredita que, num mundo ideal, os EUA seriam forçados, em vez disso, a seguir a rota deflacionária imposta à Grécia e à Irlanda. Isso não vai acontecer. Nem deveria.

A primeira dessas críticas não é apenas errada, mas estranha. A essência do sistema monetário contemporâneo é a criação de dinheiro, do nada, mediante a concessão de empréstimos, muitas vezes tolas, por parte dos bancos privados. Por que é que tal privatização de uma função pública é acertada e apropriada, mas ações do banco central para atender premente necessidade pública seria um caminho para a catástrofe? Quando os bancos deixam de conceder empréstimos e a base monetária ampla mal cresce, isso é exatamente o que o BC deveria estar fazendo.
A reação histérica então acrescenta ser impossível diminuir o balanço patrimonial do Fed com rapidez suficiente para impedir uma expansão monetária excessiva. Isso também não faz sentido. Se a economia decolasse, nada seria mais fácil. De fato, o Fed explicou exatamente o que faria, em seu relatório de política monetária apresentado ao Congresso em julho passado. Se o pior fosse levado ao extremo, o Fed poderia apenas aumentar as exigências de reservas. Uma vez que muitos dos seus críticos acreditam em 100% de reservas bancárias, por que se opõem a uma mudança nesse sentido?
Agora tratemos do argumento segundo o qual o Fed está deliberadamente debilitando o dólar. Qualquer pessoa medianamente consciente sabe que a missão do Fed não tem a ver com o valor externo do dólar. Os governos que empilharam um montante extra de US$ 6,8 trilhões em reservas cambiais desde janeiro de 2000, grande parte em dólares, são adultos responsáveis. Ninguém pediu à China que adicionasse o enorme montante de US$ 2,4 trilhões às reservas.
Mais fundamentalmente, são as forças de mercado, e não a política monetária, que estão forçando o reequilíbrio mundial, à medida que o setor privado tenta colocar seu dinheiro onde vê oportunidades. As políticas monetárias do Fed simplesmente dão um empurrãozinho. Em vez de todas as fúteis lamúrias, o necessário era uma apreciação coordenada das moedas das economias emergentes. A culpa aqui não é dos EUA. Simpatizo com um Brasil ou uma África do Sul, mas não com a China.
O céu não está desabando. Mas isso não significa que as políticas do Fed sejam as melhores possíveis. É provável que qualquer impacto sobre os rendimentos dos títulos de médio prazo produzam um efeito econômico pequeno. Seria muito melhor se o Fed pudesse deslocar para cima as expectativas de inflação, ao declarar explicitamente seu comprometimento em compensar um período prolongado de inflação abaixo da meta com outro de inflação acima da meta.
Pode ser razoável defender uma reconsideração do sistema monetário, como fez Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial. Mas será que alguém espera que os políticos digam que embora lamentem essa depressão, precisam, primeiro, acalmar o mais especulativo entre os mercados de commodities do mundo? Aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiro fazem enlouquecer.
Martin Wolf é editor e principal comentarista econômico do FT



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A agenda para o novo governo

A recente decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de continuar injetando liquidez na economia global por meio da compra de títulos do Tesouro americano de longo prazo (QE2), reinvestindo os pagamentos do principal do QE1 (compra de ativos pelo Fed depois da falência do Lehman Brothers até início deste ano) e compra adicional de R$ 600 bilhões, resultarão numa monetização da dívida pública americana de US$ 900 bilhões. No entanto, não deverá reanimar a economia dos Estados Unidos, pois não há sinais de que os bancos aumentarão a oferta de crédito, nem que os consumidores e empresas estão dispostos a aumentar o seu endividamento, ao contrário, estão desalavancando.
O QE2 poderia provocar a elevação da expectativa de inflação no curto prazo, estimulando o consumo ou promovendo redução na taxa de juros de longo prazo, aliviando as famílias e as empresas endividadas, mas nenhum desses dois canais está funcionando neste momento. O QE2 tem tido efeito desestabilizador nas demais economias, com aumento de liquidez global traduzindo-se em valorização dos ativos financeiros e das commodities e, com aumento de fluxo de capitais, com depreciação do dólar e apreciação das moedas, particularmente nos países emergentes. QE2 é a segunda grande ofensiva da guerra cambial que os Estados Unidos iniciaram no ano passado. Escrevi dois artigos nesta coluna sobre guerra cambial há um ano quando os americanos iniciaram a primeira ofensiva. (ver Valor 20/10/09 e 15/12/09).
Depois de mais de um ano de iniciada a guerra cambial, está ficando clara a natureza de seus prejuízos. Trata-se de uma decisão unilateral dos Estados Unidos, valendo do seu "privilégio exorbitante" de emissor de moeda reserva, exportando desemprego para o resto do mundo e promovendo enorme transferência de riqueza, com a depreciação dos ativos em dólar em poder do resto do mundo. O Brasil, que sempre teve superávit comercial com os Estados Unidos, passou a ter déficit depois dessas ações. Com taxa de câmbio apreciada estamos exportando menos, portanto, produzindo menos e gerando menos emprego internamente; e estamos importando muito mais, isto é, estamos gerando produção de emprego nos Estados Unidos. O Brasil acumulou também reservas cambiais de mais de US$ 250 bilhões que, além dos elevados custos de juros,

Nessa situação, os países emergentes atacaram a decisão dos Estados Unidos e praticamente todos eles estão ampliando o controle sobre o fluxo de capitais e acumulando reservas cambiais cada vez maiores. O Brasil não poderá ficar de braços cruzados por mais que sejamos beneficiados pela valorização dos preços das commodities, pois o crescimento explosivo das importações vem causando efeitos dramáticos no setor manufatureiro, ampliando rapidamente o déficit em transações correntes do país. Mesmo setores exportadores de commodities, como o agrícola, estão sentindo os efeitos maléficos da apreciação cambial. Essa necessidade premente do governo brasileiro de conter nova onda de apreciação cambial traz de volta as grandes questões da nossa agenda de problemas que vinha sendo protelada pelo quadro favorável gerado pela forte expansão da demanda doméstica e aumento dos preços de commodities. O próximo governo terá que assumir, desde já, toda essa agenda de problemas.
Como medida emergencial, o governo não terá alternativa senão elevar novamente o IOF, que foi criado como um imposto de equalização dos juros, sobre a entrada de capitais e aumentar a sua abrangência. A eficácia dependerá da alíquota e da abrangência, as medidas, até agora, foram tímidas e, portanto, a sua eficácia limitada. Será necessária uma revisão na regulação do mercado futuro para coibir a especulação. Alternativamente à elevação do IOF, o governo poderá impor uma quarentena à entrada de capitais, de acordo com o seu prazo de permanência.
Mas essas são medidas transitórias que não resolverão os nossos problemas mais profundos e persistentes que menciono a seguir: 1) O juro é excessivamente elevado no Brasil e, sem reduzi-lo, a taxa de câmbio tenderá a se apreciar. Para reduzi-lo será preciso um ajuste e uma nova lei fiscal para conter os gastos correntes e criar um mercado de títulos de longo prazo (poupança) separando-o do mercado de moeda, eliminando todas as heranças do período de alta inflação; 2) Com credibilidade na área fiscal, o nível da taxa de juros do Banco Central e sua estrutura deverão ficar próximos ao nível internacional, já que os mercados financeiros estão integrados globalmente, com isso, o fluxo de capitais tenderá a um equilíbrio, trazendo estabilidade maior à taxa de câmbio e, as intervenções do governo, comprando reservas, terão o seu custo tendendo para zero; 3) Para o Brasil crescer de forma sustentada e acelerada por décadas é preciso que a taxa de investimento fique entre 25% e 30% do PIB.
Essa ampliação só será possível se houver diminuição relativa de algum outro item da demanda agregada e o candidato é o consumo do governo, que pode crescer em termos absolutos, mas a taxa menor do que o PIB e, com isso podemos ampliar a poupança e o investimento em relação ao PIB.

Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo

Real é moeda mais valorizada no G-20, diz o BIS

O real é a moeda mais valorizada entre os países do G-20, grupo que reúne as maiores economias do mundo. Enquanto a moeda brasileira se valorizou bastante desde 2008, o dólar americano se desvalorizou, e o yuan chinês foi pouquíssimo apreciado em termos reais. É o que mostra um índice compilado pelo Banco Internacional de Compensações (BIS), espécie de banco dos bancos centrais, com sede em Basileia (Suíça).
Às vésperas da cúpula do G-20, o tema central da agenda é buscar um acordo para frear mais desvalorizações competitivas de grandes países, que estimulam suas exportações e ameaçam provocar fortes reações protecionistas.
O BIS calcula a taxa de câmbio efetiva real (EER) de 58 países e da moeda única europeia. A EER representa a média cambial da moeda de um país relativa a uma cesta de outras moedas ajustadas pelo preço ao consumidor. Se o ranking da moeda está abaixo de 100, significa que está desvalorizada e tem espaço para se apreciar.
Nesse contexto, a taxa de câmbio efetiva real era de 148,1 por unidade do real, numa valorização veloz desde os 127,74 em setembro de 2008 e 111,2 em outubro.
Já o yuan chinês se manteve quase estável: estava em 122,99 em setembro de 2008 e caiu para 119,65 dois anos depois, apesar da pressão internacional para que Pequim valorize sua moeda.
No caso do dólar americano, houve desvalorização: a taxa efetiva real era de 96,22 por unidade e caiu agora para 89,41.
EUA e China chegam à cúpula do G-20 na defensiva. A moeda americana desvalorizou 5,8% em termos efetivos (trade weighted) desde agosto, quando surgiu a possibilidade de novo afrouxamento monetário. Isso fez investidores pegarem dólar barato para apostar em mercados emergentes, pressionando as moedas locais e criando bolhas de ativos.
Para se ter uma ideia da apreciação do real, basta comparar com o índice do peso mexicano, que chegou a 89,25, ou do euro, com 93,95. A moeda indiana fica com 105,13. As moedas mais desvalorizadas são a libra britânica, com 81,23 por unidade, seguida pelo won da Coreia do Sul, com 81,6.
Por sua vez, o iene japonês se valorizou ligeiramente, chegando a 103,95 apesar das bilionárias intervenções do BC japonês.
Até agora, o Brasil e outros nove países adotaram algum tipo de controle de capital. A expectativa é de mais medidas para frear o fluxo atraído pelas economias dinâmicas e com juros internos elevados.
A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, chega hoje a Seul, para participar da cúpula, defrontando-se com a situação excepcional do real comparada a grandes parceiros ou concorrentes do país.
No G-20, os líderes vão reafirmar o compromisso de evitar desvalorização competitiva das moedas e procurar taxas determinadas pelo mercado. Para evitar a guerra cambial, deve sair um acordo sobre "parâmetros indicativos" para avaliar as economias dos países do G-20, mas poucos acreditam que isso dará resultados tão cedo.
A Unctad alertou ontem que a guerra cambial só pode ser evitada por um acordo multilateral para corrigir o caos que tomou conta do sistema monetário internacional.
Mas Paul Volcker, ex-presidente do Fed (BC americano), manifestou forte descrença na possibilidade de um verdadeiro acordo global tão cedo. Acha que o mais provável é mesmo que o mundo se divida gradualmente em zonas monetárias: a Europa, com o euro; a Ásia, dominada pelo yuan; e o dólar nas Américas.


Fonte: Valor Econômico de 10/10/2010 caderno Internacional.

Os riscos da falta de poupança interna

O cenário internacional tem sido bastante positivo para a economia brasileira. Os problemas domésticos dos países desenvolvidos têm feito com que as taxas de juros fiquem em patamares muito reduzidos, e o excesso de liquidez força a busca desesperada por alternativas de investimento em países emergentes.


O anúncio da segunda rodada de estímulos monetários do Fed joga mais lenha na fogueira. O crescimento chinês impulsiona o preço das commodities, ajudando no vento favorável para países como o Brasil.

A dúvida recai sobre como o governo brasileiro vai aproveitar essa oportunidade, que pode ser passageira. De forma sucinta, o que falta no Brasil é poupança interna, que está em patamares medíocres, abaixo de 20% do PIB. Para uma trajetória sustentável de crescimento, essa poupança tem que ser bem maior. O principal obstáculo para isso são os elevados gastos do governo.

Para "driblar" essa deficiência estrutural, governos passados apelaram para duas alternativas diferentes: obter poupança "forçada" dos brasileiros por meio da emissão de moeda; e tomar emprestado poupança externa. O primeiro caso tem como ícone o governo JK. A prosperidade aparente durante seu governo foi também ilusória: a conta foi paga com juros e correção monetária depois.

Todo governo que pensa poder fugir do problema da reduzida poupança doméstica por meio da emissão de moeda acaba com inflação fora de controle, cedo ou tarde. Foi o que aconteceu. Isso sem falar do péssimo destino dessa montanha de dinheiro extraída à força dos brasileiros, como a construção de Brasília.

O melhor exemplo para o segundo caso, da poupança externa, foi durante o governo do general Geisel. Muitos chegaram a falar de "milagre econômico", mas ficou claro com o tempo que o milagre era um engodo. Tomar emprestado capital externo para construir estatais paquidérmicas se mostrou uma receita extremamente cara e ineficiente.

O voo também foi de galinha, exatamente porque faltaram as reformas estruturais que permitissem o aumento da poupança doméstica, com seu concomitante investimento produtivo pelo setor privado.
E assim voltamos ao presente, já que o mundo está ofertando dinheiro em abundância para os emergentes. A economia brasileira já tem se aproveitado disso. Os ativos subiram de preço, a moeda se valorizou, o cidadão se sente mais rico, o crédito impulsiona o consumo e a inflação ainda não representa uma ameaça iminente. Parece um céu de brigadeiro. Mas não existe almoço grátis.
O que tem sido uma incrível oportunidade para países como o Brasil pode se tornar um risco em pouco tempo, caso o dever de casa não seja feito. Se o governo repetir o modelo Geisel, teremos outro voo de galinha, com esqueletos que serão digeridos pelas próximas gerações.
Se o governo utilizar a poupança externa para construir trem bala ou estender privilégios a funcionários públicos, as contas externas vão explodir com o tempo, e a economia não ficará mais produtiva. Morreremos na praia, como sempre.
O que deveria ser feito, então? Uma agenda de reformas teria que ser adotada, reduzindo os gastos públicos e atacando os gargalos atuais. Reformas como a tributária, previdenciária e trabalhista são fundamentais.
Simplificação e redução de tributos, sinalização de que a bomba-relógio da Previdência Social será desarmada, e flexibilização das leis trabalhistas poderiam concretizar o verdadeiro "milagre" econômico. Além disso, a redução dos desperdícios com gastos correntes faria com que mais investimentos em infraestrutura e educação fossem possíveis.
Mas quem espera tais reformas de um governo Dilma? Parece pura fantasia. Eis porque o cenário para os investidores de longo prazo não é nenhuma maravilha. Os fantasmas dos antigos gargalos continuam assombrando nosso país.
Seguimos surfando a onda externa, expandindo o crédito, mas sem resolver os problemas estruturais e sem aumentar a poupança interna como deveríamos. Já os especuladores com horizonte mais curto aproveitam o bom momento, com a ajuda do Fed. O Ibovespa está perto do recorde histórico, e o real se valoriza cada vez mais.
Infelizmente, os fundamentos não garantem uma continuidade desse cenário. Faltam as reformas. O especulador sabe que está andando em terreno frágil, até minado. Resta contar com o conselho de Ralph Waldo Emerson: "Quando patinamos sobre gelo fino, nossa segurança é a velocidade".

Rodrigo Constantino é economista e gestor de recursos

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A guerra cambial e o Brasil

"Quando a realidade muda, minhas convicções também mudam." John M. Keynes (1883-1946)

A guerra cambial é um dos principais pontos de discussão na pauta da reunião do G-20, que ocorrerá em Seul, na próxima semana. O mundo vive um quadro de desordem monetária e cambial, que se agravou depois da crise mais recente, o que tem imposto enormes desafios aos países em desenvolvimento.

A recente decisão do FED (Federal Reserve) de injetar US$ 600 bilhões no mercado, mantendo baixas taxas de juros, deve estimular as operações carry trade, a arbitragem entre taxas de câmbio e de juros, deslocando-as para países em desenvolvimento, especialmente aqueles que praticam taxas de juros superiores à média dos países centrais.

Do outro lado, a China mantém há décadas uma política de câmbio desvalorizado como fator crucial de competitividade. Mas, a guerra cambial não é um movimento que se restringe aos dois países citados. Há muitos outros países se aproveitando do momento para se fortalecer.

Para a economia brasileira, especialmente, o novo quadro representa, ao mesmo tempo, desafios e oportunidades. A relevância do problema cambial brasileiro e seus impactos negativos sobre a estrutura produtiva e no balanço de pagamentos, está na ordem do dia.

A discussão cambial até então restrita aos fóruns econômicos ou de demandas empresariais, muitas vezes tidas como "corporativas", ganha relevância e amplitude, inclusive no discurso e decisões do governo. O desafio é ir além do simplismo do "câmbio flutuante que flutua" e da definição das taxas de juros unicamente baseada no sistema de metas de inflação de curto prazo.

Na questão cambial, a mudança não requere, necessariamente, o abandono do regime flutuante - que já se mostrou o mais adequado - mas sim, o seu aperfeiçoamento, levando em conta as circunstâncias impostas pela conjuntura internacional. Seria ingênuo de nossa parte deixá-lo simplesmente oscilar ao sabor dos movimentos dos fluxos de capitais. A recente elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) tem se mostrado uma medida acertada, porém insuficiente, por si só, de fazer frente à magnitude do problema a ser enfrentado. O quadro requer mais ousadia.

Cada vez mais países estão instrumentalizando a sua política cambial como incentivo às suas exportações e de proteção à produção doméstica como antídoto para os efeitos da crise, visando principalmente a retomada da atividade, assim como preservar emprego e renda. Da mesma forma, EUA, Europa e Japão reduziram a suas taxas nominais de juros a quase zero, o que na prática significa juro real negativo, com o mesmo objetivo.

É essa a circunstância que impõe ao Brasil a necessidade de mudar para manter. Ou seja, é preciso utilizar todos os instrumentos possíveis, de políticas macroeconômicas (fiscal, monetária e cambial), assim como as políticas de competitividade (políticas industrial, comercial e tecnológica/inovacional) para fazer frente à guerra cambial instalada.

Assim como o regime de câmbio flutuante, o nosso sistema de metas de inflação tem seus méritos, mas, tem que ser aperfeiçoado. É preciso levar mais em conta a conjuntura internacional, para evitar manter a nossa política monetária na contramão dos demais países, pois isso nos torna alvo fácil da especulação. A inflação de commodities, por exemplo, não pode implicar automaticamente em uma elevação da taxa de juros básica, até mesmo porque ela tem pouco efeito sobre esses preços.

Faz-se necessário ainda ampliar a desindexação da economia, definir um horizonte mais estendido no prazo de cumprimento da meta, além de rever o que considerar como definidor da taxa de juros. O quadro atual de juros nos faz incorrer em um custo muito elevado tanto de financiamento da dívida pública quanto de carregamento das reservas cambiais. Aí está uma oportunidade para o Brasil. Temos hoje um déficit nominal das contas públicas de cerca de 2% do PIB, muito abaixo de muitos países. Por outro lado, o custo do financiamento da dívida pública representa 5,5% ao ano. Há um evidente espaço para reduzir juros e, consequentemente, diminuir o custo de financiamento da dívida pública e o déficit nominal.

Outra oportunidade decorrente é que o juro alto agrava a valorização do real e suas consequências. Reduzir os juros ajudaria a conter a pressão pela valorização do real. Além disso, a deterioração do déficit em transações correntes do balanço de pagamentos e os estragos na estrutura produtiva e de padrão de comércio exterior brasileiro, derivados da apreciação cambial, requerem mudanças. Há uma perversa desintegração das cadeias produtivas locais, muitas vezes inviabilizadas pela impossibilidade de exportar, ou pelo crescimento expressivo que temos observado no coeficiente de importação. Estas não mais se restringem a matérias primas, componentes, ou máquinas e equipamentos, mas a todos os elos da produção.

A deterioração das balanças comercial e de serviços e rendas têm provocado o crescimento do déficit em conta corrente de balanço de pagamentos, que deve atingir US$ 50 bilhões este ano. Mais do que o montante em si, pouco significativo, relativamente às reservas cambiais, ou ao PIB, o que de fato impressiona é a velocidade da sua deterioração.

Como bem define a frase em epígrafe, atribuída a Keynes, quando um interlocutor questionou por que havia alterado sua posição, em relação a um posicionamento passado, as circunstâncias advindas da guerra cambial internacional nos impõem o imperativo da mudança. Até mesmo porque, a relutância em fazê-lo, implicaria custos econômicos, sociais e, consequentemente, políticos, muito mais elevados em um futuro, que se mostra cada vez mais próximo.


Antonio Corrêa de Lacerda economista, doutor pelo IE/Unicamp e professor do departamento de economia da PUC-SP, é coautor de "Economia Brasileira" (Saraiva).
 
Fonte: Valor Econômico de 08/11/2010

IMF Board Approves Far-Reaching Governance Reforms

■ Significant shift of voting power to dynamic emerging markets, developing countries


■ Reforms will lead to all-elected, more representative Executive Board

■ IMF quotas to double to about $755 billion

Summary of the Key Elements of the Reforms:

1) Quotas and Voting shares

• Quota increase – Members’ quotas, the Fund’s principal source of financial resources, will double under the 14th General Review of Quotas to SDR 476.8 billion from SDR 238.4 billion agreed under the 2008 quota and voice reform. Once the increase in quotas becomes effective, there will be a corresponding rollback in the New Arrangements to Borrow (NAB), a back-stop arrangement between the IMF and a group of IMF members to provide additional lending resources to the Fund, preserving relative shares.

• Shift in shares – The minimum targets set out in the October 2009 IMFC Communiqué will be exceeded with a more than 6 percent quota shift from over-represented to under-represented members, and a more than 6 percent quota shift to dynamic emerging market and developing countries. Moreover, the total shift in voting share to emerging market and developing countries as a whole will be 5.3 percent, when combined with the 2008 quota and voice reform.

• Protecting the voting power of the poorest – Voting shares will be preserved for the poorest countries, defined as those members eligible for borrowing from the low-income Poverty Reduction and Growth Trust and whose per capita income is below the International Development Association threshold (US$1,135 in 2008, the year on which the quota reform calculations are based, or twice that amount for small countries).

• Quota formula and next review –A comprehensive review of the current quota formula, which formed the basis to work from during the 14th General Review, will be completed by January 2013. Completion of the 15th General Review of Quotas will be brought forward by about two years to January 2014. The goal is to continue the dynamic process of adjusting quota shares to reflect shifts in the global economy. Any realignment is expected to result in increases in the quota shares of dynamic economies in line with their relative positions in the global economy, and hence likely in the share of emerging market and developing countries as a whole. Steps will also be taken to protect the voice and representation of the poorest members.

2) Governance—Executive Board size and composition

• The membership commits to maintain the Executive Board size at 24 members, and to review Board composition every eight years, starting when the quota reform takes effect.

• Advanced European countries will reduce their combined Board representation by two chairs at the latest by the time of the first election after the quota reform takes effect.

• The Executive Board will consist only of elected Executive Directors following entry into force of the proposed amendment of the Fund’s Articles of Agreement, ending the category of appointed Executive Directors (currently the members with the five largest quotas appoint an Executive Director).

• There will be further scope for appointing second Alternate Executive Directors to enhance representation of multi-country constituencies.

ANNEX

The Board of Governors is the highest decision-making body of the IMF and consists of one governor appointed by each member country. The governor is usually the minister of finance or the governor of the central bank. Most powers of the IMF are vested in the Board of Governors. The Board of Governors has delegated to the Executive Board all except certain reserved powers. The Board of Governors normally meets once a year.

The Executive Board functions in continuous session and is responsible for conducting the business of the IMF. It is composed of 24 Directors, who are appointed (5) or elected by member countries or by groups of countries (19), and the Managing Director, who serves as its Chairman. The Board usually meets several times each week. It carries out its work largely on the basis of papers prepared by IMF management and staff.

Each member country of the IMF is assigned a quota, based on its relative position in the world economy and various other variables. Quota subscriptions generate most of the IMF's financial resources. A member’s quota determines its maximum financial commitment to the IMF and its voting power, and has a bearing on its access to IMF financing.

Source: Finance Department.

1/ See Annex I for a description of the allocation mechanism.

2/ GDP blended using 60 percent market and 40 percent PPP exchange rates, compressed using a factor of 0.95.

3/ Includes ad hoc increases for 54 eligible members that are not yet effective; also includes Kosovo and Tuvalu which became members on June 29, 2009 and June 24, 2010, respectively. For the two countries that have not yet consented to, and paid for, their quota increases, 11th Review proposed quotas are used.

4/ Basic votes are calculated using the agreed percentage of total votes, 5.502 percent of total votes (provided there are no fractional votes) as in the Proposed Amendment to Enhance Voice and Participation, which has not yet entered into effect.

5/ Including Korea and Singapore.

6/ Eligibility is limited to PRGT-eligible countries with annual per capital income below the prevailing operational IDA cut-off in 2008 (US$1,135) or below twice IDA's cut-off for countries meeting the definition of a "small country" under the PRGT eligibility criteria. Zimbabwe is included.

7/ Includes all under-represented EMDCs plus other dynamic EMDCs defined as those whose PPP GDP share divided by post second round quota share is greater than 1 and who are not over-represented by more than 25 percent.

8/ Uniform proportional reduction in the gap between GDP blend (see footnote 2) and post-selective quota share.


Fonte: FMI

domingo, 7 de novembro de 2010

Pensamentos e reflexões

1. Não atrase seu progresso com medo de fracassar – Nathiel Hover

2. O valor do homem é mais fácil de reconhecer nas pequenas coisas que nas grandes. – Castiglione

3. O homem de valor assim se revela desde o primeiro momento.- Corneille

4. Aquele que se apoia em uma vontade firme, vive num mundo a seu gosto. – Goethe

5. A vontade é a sede do poderio: é por ela que o homem dirige e é respeitado. – Lacordaine.

6. Ninguém pode aspirar a empreendimentos grandiosos se não tem capacidade para sofrer. Edmond Bucke

7. O bobo se acha sábio mas o sábio se sabe um bobo.- Shakespeare

8. Quando queremos, podemos ser senhores de nossa própria sorte. – Ferrier

9. Não basta ter grandes qualidades; cumpre saber usa-las. – La Rochefoucauld

10. De todos os meios que conduzem o homem a riqueza, os dois mais certos são ser perseverante e trabalhador. – Reyband

11. Ninguém pode mudar sua natureza, mas todos podem melhora-la. – E. Feuchtersleben

12. Nada que se possa conseguir sem dificuldades e sem trabalho é verdadeiramente valioso. Joseph Addison

13. Nada há de mais persuasivo para o sucesso do que a firmeza da vontade e o anseio da gloria. – Von Ranke

14. A sabedoria consiste em compreender que o tempo dedicado ao trabalho nunca é perdido. – Ralph Waldo Emerson

15. Aquele que não tem um objetivo, raramente sente prazer em qualquer empreendimento. – G. Leopardi

16. Toda ação é precedida por um pensamento. – Ralph Waldo Emerson

17. Você pode ficar desapontado se fracassar, mas estará condenado se não se arriscar. Beverly Sills

18. A liberdade de fracassar é vital se você quer ser bem sucedido. As pessoas mais bem sucedidas fracassam repetidamente, e uma medida de sua forca é o fato de o fracasso impulsiona-las a alguma nova tentativa de sucesso. – Michael Korda

19. Os negócios obedecem a lei de Darwin: Só o mais bem adaptado sobrevive. – Robert Holmes

20. Os problemas só surgem quando estão presentes todas as condições para soluciona-lo. – Karl Marx

21. Se vc seguir o que ama, todas as outras coisas, inclusive dinheiro, estarão com vc. – Peter Ueberroth.

22. O essencial é não apenas extrair da vida, mas também devolver algo a ele. Nos costumamos esquecer a responsabilidade de dar. – Leo Buscaglia

23. Não pense que algo que você deseja seja simplesmente percebido por alguém. Se você deseja algo, tem que fazer com que as pessoas o saibam. – Steve Skinner.

24. Todas as noites faca-se a mesma pergunta: “Eu dei lucro para o meu empregador hoje?” se a resposta for sim, amanhã você terá emprego. Se for não, prepare seu currículo. – Buddy Weiss

25. Você não tem inimigos. Existem apenas pessoas ou um grupo cujos sonhos, desejos, e metas conflitam com os seus. – Peter Caloyeras

26. O respeito pelo tempo de alguém eh o maior presente de todos. O seu bem mais valioso – mas deteriorável – é o seu tempo. – Walter Merryweather.

27. Uma das regras para o sucesso é: melhor quebrar as regras que segui-las. – Kate White

28. Diga não quando você quer dizer não. Este pode ser o maior economizador de tempo da sua vida. – Linda Lore

29. Contrate devagar. Demita rápido. Não são as pessoas que você demite que o machucam. São as pessoas que você não demite. Marcio Mereira

30. O cliente é a chave do negocio. Perca-o e tudo estará perdido.

31. Nossas decisões – e não nossas condiçõess de vida – determinam nosso destino.

32. O que importa não é o que fazemos de vez em quando, e sim nossas ações continuas.

33. Todas as decisões tem consequências. Mesmo não tomar decisão nenhuma é um tipo de decisão.

34. Tudo melhora por fora para quem cresce por dentro.

35. Somos responsáveis pelo mal ou pelo bem que acontece em nossa vida.

36. Reconheça seus limites, mas esteja igualmente consciente de suas reais possibilidades, desenvolvendo-as.

37. A sua palavra edifica, eleva, e agrada mas também destroi, rebaixa e machuca, reflita antes de usa-la.

38. Viva com alegria. Ser alegre é a sabedoria da alma.

39. Evitar erros é libertar-se de deficiências e viver no prazer do equilíbrio.

40. Quanto maior a confiança em si próprio, mais rápido desaparecem os problemas.

41. São as pequenas coisas que constroem a maior parte de nossas vidas.

42. Saber dialogar é começar a viver em paz.

43. A transformação dos outros se mede pela sua própria.

44. Compreender os outros é, no fundo, compreender a si mesmo.

45. Você tem mais valor do que pensa. Enfrente os problemas confiante na vitoria.

46. O seu aprimoramento nasce na certeza da vitoria.

47. Reclamar vira habito e a reclamação aprofunda a insatisfacao.

48. Tente elogiar sempre. O elogio modifica sempre para melhor.

49. Quando não puder elogiar e não precisar criticar, fique em silencio.

50. Sua capacidade de luta revela-se nas maiores adversidades.

BM&FBovespa lança em dezembro índice baseado em emissões de CO2

A preocupação com o aquecimento global vem conquistando também o mercado financeiro. Na primeira quinzena de dezembro, a BM&FBovespa, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), lançará um índice baseado no grau de eficiência das emissões de gás carbônico realizadas pelas empresas brasileiras, o primeiro do gênero na América Latina. Batizado de Índice Carbono Eficiente (ICO2), o indicador dará mais peso aos papéis de companhias que emitem menos carbono em suas operações do que as demais de seu setor, dividindo a emissão em toneladas de CO2 em relação à receita das empresas. As ações das companhias pertencentes ao ICO2 farão parte de um fundo gerido pelo BNDES, que terá cotas para serem vendidas ao mercado.


Para elaborar o ICO2, a BM&FBovespa convidou as companhias que fazem parte do Índice Brasil 50 (IBrX-50), carteira composta pelas 50 ações mais líquidas negociadas na bolsa, para participar do novo índice. As empresas que aceitaram o convite transmitiram à BM&FBovespa as informações referentes às suas emissões de carbono. Para fazer parte do índice, no entanto, uma das condições é ter um inventário completo de emissões de carbono.
A bolsa não divulgou quais empresas estarão no ICO2. Fazem parte do IbrX-50, entretanto, gigantes como Natura, Bradesco, Cemig, Ambev, Santander e Pão de Açúcar. “Com a criação deste índice, a bolsa cumpre o papel de introduzir essa agenda (do aquecimento global) nas empresas. Tivemos uma resposta muito positiva das companhias convidadas (a participar do índice), o que mostra a maturidade do nosso empresariado”, afirma Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da BM&FBovespa.

A criação do ICO2 também surge para atender uma demanda do mercado. “Os investidores querem alocar mais recursos em investimentos sustentáveis. O ICO2 surge como uma ferramenta financeira para criar este portfólio”, diz Guilherme Magalhães Fagundes, gerente de Produtos ambientais, Energia e Metais. A lista de empresas que farão parte do ICO2 será apresentada primeiramente no Brasil e logo após na Conferência do Clima (COP-16) a ser realizada em Cancún, no México, de 29 de novembro a 10 de dezembro

FONTE: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI184464-16381,00-BMFBOVESPA+LANCA+EM+DEZEMBRO+INDICE+BASEADO+EM+EMISSOES+DE+CO.html

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Risco de inflação e potencial para choque nas commodities

O aumento da inflação nos mercados emergentes, conjugada com um aumento acentuado dos preços das commodities, poderia prejudicar as economias desenvolvidas, já que as empresas lutam para manter os custos de entrada para baixo e observam preciosos dólares para investimento fluindo para o mercados emergentes, disseram analistas à CNBC.

"Eu acho que é a mais importante e única questão que enfrentamos hoje no mercado", disse Philippa Malmgren, presidente da Principalis Asset Management. "Temos a inflação rasgando os mercados emergentes. Isso vai pressionar os custos de insumos para a fabricação no empresariado ocidental inteiro. "

O Federal Reserve comprometeu-se em injetar mais US $ 600 bilhões na economia quarta-feira, através da compra de títulos do governo de longa duração, em uma tentativa de estimular o crescimento.

Mas a liquidez gerada pela flexibilização quantitativa do Fed não significa necessariamente liquidez adicional para a economia interna dos EUA, disse Hans Redeker, chefe global de estratégia de câmbio do BNP Paribas.

"O que está acontecendo é que você cria dólares e esses dólares não querem ficar  nos Estados Unidos. Então você tem uma onda de liquidez em dólares fluindo,  por exemplo, no mercado imobiliário de Hong Kong ", disse ele. "Estamos criando EUA liquidez em dólares nos lugares errados no mundo."
Essa liquidez pode ter um impacto negativo nas economias emergentes do mercado devido a suas pressões inflacionárias, Redeker disse.

Essas pressões serão transferidas para países desenvolvidos, onde algumas empresas podem repassar os custos através de preços mais elevados aos consumidores, mas isso não é necessariamente bom para a economia global, já que os consumidores têm de pagar mais, Malmgren disse.

"Eu acho que a inflação é agora absolutamente com a gente, não é só nos números de nossa CPI (índice de preços ao consumidor) , no Ocidente, mas está vindo através do aumetno de custos", disse ela.

O impacto da inflação em mercados emergentes pode ser configurado para intensifica-se devido a um potencial "choque de commodities", segundo Laurent Bilke, diretor de estratégia da inflação global da Nomura.

Os preços das commodities, como a agricultura e materiais industriais tendem a subir, colocando pressão sobre os lucros corporativos, assim como indivíduos, disse.

"É de certa forma um choque de produtividade das empresas e um choque que irá atingir o rendimento real das famílias", disse Bilke.

Os bancos centrais do mundo desenvolvido serão colocados em uma posição difícil, pois eles são confrontados com crescimento lento e aumento da inflação, acrescentou.

"O dinheiro irá para qualquer lugar diferente de onde você quer e os preços das commodities podem abrir o caminho, e o setor imobiliário é outro", Simon Maughan, co-diretor de acções europeias, disse à CNBC.

Os formuladores de políticas dos países emergentes, como Brasil e China anunciou planos para reduzir as entradas de capital nas suas economias após a decisão do Fed por causa das pressões inflacionárias eo impacto sobre a moeda.

Hot Money aumenta o problema

O dinheiro ocidental poderia estar adicionando ao problema já que os investidores estão ansiosos para lucrar com a história de crescimento dos emergentes, Philip Poole, chefe global de macro e estratégia de investimento no HSBC Global Asset Management, disse CNBC.com.

"Há um risco de fabricar a inflação em outros lugares e, em seguida, importar de volta", disse ele.

Há três fontes principais de pressões inflacionárias em muitos países emergentes, de acordo com Poole.
O primeiro é a inflação dos preços dos alimentos, então o efeito de "intervenção cambial não esterilizados", que é quando os bancos centrais tentam reduzir a oferta de uma determinada moeda, em uma tentativa de impactar a taxa de câmbio e o terceiro é o crescimento dos salários, disse ele.

O aumento da inflação provavelmente vai levar os mercados emergentes a aumentar as taxas de juros que os bancos centrais usarão como luta para arrefecer as suas economias em expansão, Poole acrescentou.

"O problema, claro, é que o aumento das taxas, quando o Fed e outros bancos centrais do mundo desenvolvido estão em espera só aumenta o diferencial de juros e continua o efeito de "carry trade" nessas moedas emergentes", disse ele.

"Isto potencialmente suga em liquidez adicional do mundo desenvolvido, flexibilização quantitativa, e uma pressão deflacionária continua a empurrar os investidores para ativos e moedas emergentes."
Quanto mais dinheiro o Federal Reserve jogar para a economia, mais os investidores vão usá-lo para apostar em emergentes em crescimento, o que agrava o problema, num ciclo virtuoso, Poole acrescentou.

A tendência de investimento do Ocidente para o Oriente não mostra nenhum sinal de desaceleração, segundo a Robin Griffiths, estrategista técnico da Cazenove Capital.
"Alguma dessa liquidez do Oeste está bombardeando esses mercados", disse Griffiths ao discutir os mercados de ações emergentes, como o Sensex da Índia. O Sensex mais do que duplicou de valor desde a sua baixa de vários anos observado em março de 2009.

CNBC.com © 2010

Brasil ocupa 129º lugar no ranking mundial de facilidade para fazer negócios

Alta carga tributária derruba posição do país em lista do Banco Mundial. O Brasil figura em 129º lugar na lista que avalia a facilidade que os países criam para a formação de negócios. O ranking é realizado anualmente pelo Banco Mundial e mede a performance de 183 países.
O estudo leva em conta fatores como a dificuldade para a abertura de uma empresa, a burocracia para contratar funcionários, o peso da carga tributária, entre outros. Cingapura lidera o ranking pelo segundo ano consecutivo, seguida por Hong Kong, Nova Zelândia e Reino Unido.

Na avaliação do Banco Mundial, o Brasil é o 152º pior país do mundo no quesito impostos. O país é recordista no volume de horas gastas por uma empresa para lidar com a carga tributária e 69,2% dos lucros das empresas são voltados diretamente para o pagamento dos impostos. Outros aspectos criticos no ambiente de negócios brasileiro encontra-se no número de procedimentos para registrar uma propriedade, com Brasil na posição 120°, número de dias e procedimentos para registrar uma nova propriedade (126°), tempo necessário e gastos com o fechamento de uma empresa (131°), facilidade para contratação de novos funcionários (138°) e, como mencionado no ínicio, a carga tributária, tempo gasto e complexidade no recolhimento de tributos (150°).

Apesar de todos os fatores contrários, conforme os números divulgados acima, o Brasil tem um enorme potencial empreendedor, reforçado por um dos mercados internos mais pujantes da atualidade. Um estudo recente divulgado pela Global Enterpreneurship Monitor, um dos projetos internacionais sobre o empreendorismo, mostra que brasileiros têm uma grande capacidade individual para correr riscos, habilidade inerente aos empreendedores de sucesso. De acordo com o relatório, 68% dos brasileiros estariam dispostos a abrir uma empresa mesmo sabendo que a chance de fracassar é bem maior que a de obter sucesso. Naturalmente, esta caracteristica do empreendedor brasileiro esta diretamente correlacionada com as dificuldades em abrir e manter um negócio no Brasil.

Para que o Brasil continue desfrutando dos benefícios de uma econômia de ponta, este cenário no ambiente corporativo tem que melhorar, principalmente nos nas 4 aréas vitais para a economia do país: a trabalhista, a tributária, a da educação e a regulatória:

1. Trabalho: Ayerbaijão, Tonga e Uganda são alguns países em que contratar um novo funcionário é mais fácil que no Brasil. Após a contratação, vem o peso dos encargos. Enquanto nos EUA as empresas tem um custo de 9% sobre a folha salarial e no Uruguai, 48%, o Brasil impõe 102%. Modernizar asleis trabalhistas e reduzir o custo da folha de pagamentos são medidas essenciais para elevar a competitividade das empresas. Uma proposta é facilitar a admissão de jovens recém formados, já que a taxa de desemprego supera os 16% na faixa de 18 a 24 anos. Ao mesmo tempo, 8 milhões de brasileiros ficarão mais seguros no emrego se o Congresso aprovar o projeto de um marco legal para contratação de serviços terceirizados.

2. Impostos: A lista de tributos pagos pelo brasileiro é uma das mais extensas do mundo: são 85 impostos, taxas e contribuições. Numa das frentes mais caóticas e que mais impacam negativamente os negócios, é possível ao menos simplificar o sistema. Uma das ideias é, como se faz em outros países, exibir na nota fiscal ao consumidor quanto de impostos há no preço de cada produto ou serviço. Também diminuiria muito a confusão e o custo do recolhimento, a unificação de impostos como oimposto de renda e a contribuição social sobre o lucro. E, para acabar com a insegurança causada pela emissão de 4000 novas normas em 6 meses, uma saída é fixar que o governo só possa fazer mudanças até 30 de junho, para vigorar no ano seguinte.

3. Regulação: O emaranhado legal é tal no Brasil que até as leis são questionadas. Nas duas últimas décadas, 4000 delas foram objeto de ações alegando que ferem a constituição. A falta de regras claras atravanca os negócios. O Brasil não tem uma legislação que defina a competência para a concessão de licença ambiental. Hoje um projeto, seja de hidrelétrica ou um hotel a beira mar, pode sofrer intervenção do munícipio, do estado e da união, e esperar por anos se houver divergência. Uma saída é aprovar um projeto lei, em tramitação há 7 anos, que fixa a competência para dar licença em razão da área de influência da obra. No campo da concorrência, é urgente a unificação dos orgãos oficiais de vigilância, com o fortalecimento do CADE, e a simplificação do processo de análise de fusão e aquisição.

4. Educação: o nível de escolaridade da população brasileira é baixíssimo mesmo na comparação com outros países emergentes. Apenas 38% dos brasileiros entre 25 e 34 anos têm ensino médio completo. No Chile, a taxa é de 64% e, na Coréia, 97%. É urgente ue o Brasil imponha um choque de qualidade nas salas de aula. A adoção de meios de planejamento estratégico e de medir resultados do ensino é uma das soluções para isso, já aplicada em estados como Minas Gerais e Pernambuco. Outra ideia é, como faz a Singapura, treinar os diretores de escola para serem verdadeiros gestores. No caso dos professores, é preciso estimular os melhores, oferecendo a eles ganhos maiores. A definição do curriculo a ser ensinado em cada série é uma proposta básica, que ajudaria a melhorar o aproveitamento dos alunos.