Liderada por emergentes, recuperação global deve ter uma nova fase em 2011
Ainda sob a sombra da crise de 2008, a economia global se apresenta para o ano de 2011 sob lógicas distintas, com uma oposição marcante entre a expectativa para os fragilizados países desenvolvidos e os eufóricos emergentes.
Cada vez mais o mundo econômico é simplificado com uma divisão em três pólos – EUA, União Europeia e emergentes. Não é preciso ser muito rigoroso para perceber que a lógica das economias de países como China e Brasil nem sempre pode ser atrelada.
Neste sentido, 2010 foi o ano dos acrônimos. Quando se trata de crescimento, faz sentido falar de BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), ao passo em que os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, na sigla em inglês) dominaram o noticiário na Europa, com sua delicada situação fiscal.
Emergentes x Desenvolvidos
Após a crise global de 2008, a influência dos países desenvolvidos diminui consideravelmente, ao mesmo tempo em que a economia global tornou-se mais e mais dependente do vigor da China, bem como de outros emergentes como a Índia e Brasil. Sai de cena o G-7, entra o G-20.
O cenário para 2011 repetirá temas atuais, com a economia global ainda marcada pelo pós-crise. Ainda assim, é possível enxergar alguns motivos para – pequena – comemoração; junto a 2010, ficam para trás algumas preocupações como o double dip, o temor de uma nova perna recessiva dentro da trajetória de recuperação da economia global.
A história de uma crise
Não bastassem as dificuldades próprias do ciclo de recuperação, a economia global enfrenta os riscos da "crise da dívida", que teve seu gatilho disparado pelo calote de Dubai, ainda em fins de 2009, mas se espalhou para a periferia da Europa – Grécia, Irlanda e Portugal – e já ameaça países com maior peso econômico, como Espanha e Itália.
Ainda restrita aos PIIGs, a crise fiscal parece alimentar-se do próprio temor. Com medo de um calote, os investidores cobram cada vez mais caro para adquirir títulos públicos, dificultando a rolagem da dívida e amplificando as dificuldades fiscais. A lógica lembra uma profecia que se autorrealiza.
Isto ocorreu com Grécia e Irlanda, que precisaram apelar ao socorro financeiro de seus parceiros da Zona do Euro e do FMI (Fundo Monetário Internacional). Portugal e Espanha devem ser os próximos capítulos de uma crise - aparentemente - ainda longe do final.
“Esperamos que o crescimento das economias emergentes seja três vezes dos países desenvolvidos”, apontou relatório da Comitê Global de Investimentos, formado por analistas de Citi e Morgan Stanley. “A recuperação econômica logo se tornará expansão global”, completam com certo otimismo.
Sobre a América Latina, a economista Jimena Zuniga, do Barclays Capital, afirmou que “a região aponta para um fim de ano com forte crescimento econômico e uma reviravolta em sua imagem global”. Entretanto, “uma recente onda de dados mais fracos que o esperado sugere que a região poderá ter dificuldade em superar a média de crescimento global”, completou.
O trilema: inflação, câmbio e crescimento
Mas a disputa não se resume a crescimento. Após praticamente esgotar o espaço para reduzir a taxa básica de juro, bancos centrais de peso como o Fed, BoJ (Bank of Japan), BoE (Bank of England) e BCE (Banco Central Europeu) passaram à expansão da base monetária e à busca pela redução do juro no longo prazo, ampliando a aquisição de títulos públicos e a circulação de divisas.
Se antes a divisão era em heterodoxia dos emergentes e ortodoxia nos países centrais, o controle quantitativo tornou-se a regra, em meio ao ambiente internacional de liquidez inflada. Juro básico maior nos EUA? Os mais ansiosos dizem que ficou para 2012.
“Os investidores devem atentar para os ‘experimentos’ dos BCs de mercados emergentes”, ressaltou o Barclays Capital. “China, Brasil, Peru, Índia; todos têm usado exigências maiores de reservas em vez de elevação do juro básico”, explicaram os analistas Donato Guarino, Guillermo Mondino e Roberto Melzi.
Assim, a encruzilhada se aproxima dos formuladores de política econômica. “Em geral, economias com pequeno hiato do produto e preocupadas com a inflação pensarão ser relativamente seguro deixar suas moedas apreciarem-se”, afirmaram Manoj Pradhan e Joachim Fels.
Expansão do PIB (Projeção anual - %)
2010 2011 2012
Desenvolvidos* 2,7 2,2 2,8
Estados Unidos 2,8 2,6 3,3
Zona do Euro 1,7 1,5 2,2
Emergentes* 7,5 6,0 6,4
Brasil 7,6 5,0 5,6
China 10,3 9,0 9,3
Fonte: Wells Fargo (08/12/2010)
*Ponderado por paridade do poder de compra
A expectativa é que a manutenção de estímulos quantitativos em países desenvolvidos levará os banco centrais de países emergentes a adotar uma política monetária ainda contracionista, mas menos dependente da ferramenta tradicional - a taxa básica de juro.
Guerra mundial
Guido Mantega, ministro da Fazenda, ganhou notoriedade global ao reconhecer a existência do que chamou de "guerra cambial". Para enfrentar a difícil recessão, as ações dos BCs de países desenvolvidos trouxeram dificuldades para os emergentes, cujas moedas passam a se valorizar por conta das perspectivas melhores de crescimento e do diferencial de juros.
Qualquer elevação do juro básico pode desequilibrar ainda mais a balança, ao mesmo tempo em que se teme pelo retorno de políticas comerciais protecionistas. Ademais, outros países insistem em manter regimes de câmbio fixo, como a China, acusada de perpetuar uma desvalorização artifical de sua moeda.
"Armadilhas de decisão limitam a capacidade dos líderes em lidar com mudanças cíclicas e, especialmente, de longo prazo", alerta a equipe econômica do Wells Fargo. "Quando os tempos são tudo menos normais, estratégias e modelos criados sobre premissas de 'normalidade' (...) deixam os atores econômicos perdidos no mar, bem quando a tempestade chega", ilustram.
"Os países desenvolvidos amplamente endividados têm razão em temer a deflação. Contudo, as medidas adotadas para evitá-la ameaçam piorar as coisas" ressaltou Stephen King, economista-chefe do HSBC.
Para o economista-chefe para América Latina do Société Générale, Alejandro Cuadrado, “a política econômica enfrentará importantes desafios: pressão inflacionária, apreciação cambial, solidez doméstica e fragilidade externa. Cautela ainda é a palavra e, como resultado, esperamos que a política monetária seja relativamente conservadora”.
Bolsa de valores: o que o investidor pode esperar do mercado em 2011?
Antes de dar adeus a 2010 e dizer boas-vindas a 2011, é bom parar para pensar sobre alguns âmbitos da sua vida. Afinal, a virada de ano sempre é momento de reflexão. E, quando o assunto é dinheiro, não poderia ser diferente, ainda mais para quem faz investimentos. Se os recursos estão em bolsa de valores, então, nada melhor do que colher algumas opiniões para saber o que aconteceu neste ano e o que pode vir a ocorrer em 2011. Confira a seguir!
O ano de 2010
Em 2008, a crise global, que teve início no mercado imobiliário norte-americano, derrubou todos os mercados de risco. Com isso, o ano de 2009 começou mal, mas mostrou sinais de recuperação diante da perspectiva de que 2010 fosse um ano positivo.
Mas 2010 mostrou que a situação não era tão simples quanto se imaginava. Uma nova crise, na Europa, deixaria muitas sequelas negativas para investidores de ações. No começo deste ano, o fluxo de investidor estrangeiro estava forte no Brasil, que era a vitrine para o mundo. Em 19 de janeiro, a Grécia entrou no radar e a questão da crise europeia ganhou destaque.
“A crise global gerou uma nova crise, na Europa. Lá, os governos, para salvar os bancos, se endividaram mais do que já estavam endividados. Isso gerou incertezas sobre se os países honrariam seus vencimentos e se os próprios bancos teriam condições de rolar suas dívidas”, explicou o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi. “Como eles demoraram para criar um fundo de estabilidade, para fazer testes de estresse, isso comprometeu o resultado da bolsa. O Ibovespa acabou ficando à mercê das incertezas do mundo”.
O professor e educador financeiro Mauro Calil concorda: “2010 teve um início interessante, com ascensão dos indicadores. Depois, a bolsa ficou volátil e passou a andar de lado. O segundo semestre não teve grandes oportunidades”, disse.
Para cima e para baixo
Em meio a todo este cenário, de acordo com Calil, quem acabou penalizado foram as blue chips – empresas mais valiosas da bolsa – do setor bancário e siderúrgico. Já Galdi disse que quem sofreu mais em 2010 foi basicamente a Petrobras, devido à capitalização; e assiderúrgicas, prejudicadas pelo aumento dos custos de produção e excesso de oferta.
Sobre a capitalização, Galdi disse que não foi uma boa oportunidade, nem para quem tinha papéis da Petrobras nem para quem adquiriu os novos. “O preço das ações no mercado foi pressionado pelas incertezas de como seria essa operação de capitalização. Foi a maior do mundo, então gerou um excesso de papéis no mercado. A partir do momento que aconteceu a operação, e se imaginou que o preço iria acordar, ele caiu mais um pouco”, disse o analista.
Mas, de acordo com Galdi, as perspectivas para a Petrobras são boas, ainda mais se considerado todo o processo de exploração do petróleo da camada pré-sal, que está por vir, e a tendência de alta do preço do óleo. Quem participou do processo de capitalização não deve se desanimar com os resultados deste ano. Calil reforça que a bolsa é um investimento de longo prazo. “E longo prazo é no mínimo cinco anos. Se busca grandes resultados no curto prazo, você vai se decepcionar”.
As empresas que mostraram bons resultados na bolsa neste ano foram as ligadas ao consumo: varejo, cosméticos, fumo, alimentos e outros. “Para o ano que vem, qual a nossa expectativa? Como a gente acredita que o cenário econômico seja positivo, o que estamos recomendando como carteira é um peso de 70% para papéis de consumo”, afirmou Galdi.
Calil acredita que o setor de consumo foi bem em 2010 e deve continuar em 2011. “Somente a construção civil que é uma incógnita, porque os terrenos estão muito caros”, ressaltou.
O ano de 2011
De acordo com Galdi, neste ano, a economia deve crescer 7,5%, diante de uma base comparativa fraca que foi o ano passado. Nos próximos quatro ou cinco anos, o que se espera é um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre 4,5% e 5%. “2011 vai ser um ano interessante, que começará ainda à mercê das notícias da Europa. O ano que vem vai ser bem melhor para as bolsas de valores”.
Calil acredita que 2011 será um ano melhor do que 2010, embora a bolsa brasileira esteja ainda refém do cenário externo. “Um terço do volume da bolsa está com estrangeiros. No intraday, isso pode chegar a 50%. Enquanto tivermos menos de 0,5% de brasileiros investindo na bolsa, os estrangeiros determinarão o movimento”.
Entre as dicas que ele dá para quem vai estar na bolsa em 2011, estão as seguintes: “Não vá com a visão de um único ano para investir. Se o mercado performar muito bem, não fique muito animado. Se não performar bem, fique animado. A determinante para investir é muito mais comportamental”
O que esperar em 2011 das ações de seguros, cartões e serviços financeiros
Depois das perspectivas para os grandes bancos, agora é a vez de explorar os rumos dos setores de seguros e serviços financeiros para 2011. Mais especificamente, na cadeia de negócios relacionada ao credenciamento de bandeiras de cartões (Redecard e Cielo), seguros (Porto Seguro e SulAmérica) e negociação, compensação, liquidação e custódia de títulos, valores mobiliários e contratos (BM&F Bovespa e Cetip).
Credenciamento de bandeiras
Embalado pelo crescimento da economia e da massa salarial, o setor de serviços fechou mais um ano com balanço positivo, com destaque para o segmento de cartões, segundo análise do Banco Fator Corretora. Apesar do cenário benéfico, os papéis do setor de credenciamento de bandeiras de cartões deixaram a desejar, influenciados pelo fim do monopólio.
Em 2011, a tendência é que os impactos da abertura do mercado de cartões sejam melhor precificados, uma vez que o fim da exclusividade foi sentido apenas nos resultados do terceiro trimestre. Segundo avaliação da Fator, já pode-se perceber uma queda na MDR (taxa cobrada por operação) e do aluguel das máquinas de captura (as popularmente chamadas "maquininhas de cartão"). Por outro lado, o Citigroup espera crescimento acima da média do volume transacionado.
“É esperado que o elevado volume de negociações e a melhora na alavancagem operacional de muitos negócios de custos fixos abrandem, em parte, os fracos ganhos projetados para 2011”, prevê o Citi. Ainda sobre a entrada de novos players, o Barclays acredita que a posição dominante e a estrutura atual das empresas são consideráveis barreiras aos novos competidores, mas “a entrada do Santander, Banrisul e Global Payments representa uma importante ameaça no médio e longo prazo”.
Além da abertura do mercado, o ano de 2010 também foi marcado pela regulação do setor de cartões, com sua última medida promulgada em 25 de novembro, sobre as tarifas de cartões. Para a Ativa Corretora, “as medidas não afetam as operações da Redecard (RDCD3) e da Cielo (CIEL3). As novas regras estão mais relacionadas com os bancos”.
Junto estas questões-chave, a Fator chama atenção para a modernização do sistema de pagamento via cartão, que tende a elevar os custos das operadoras, além da nova tendência - pagamento pelo celular. Nos EUA, já existem projetos adiantados visando a utilização de smartphones como meio de pagamento, aposentando o uso de cartões. Por aqui, afirma a corretora, as operadoras de telefonia móvel (prestadoras deste serviço) ainda estão mais interessadas nos serviços básicos, mas é muito importante as empresas do setor ficarem de olho na possibilidade no futuro.
Cielo e Redecard
Entre prós e contras destacados, as corretoras Fator, Bradesco e Itaú recomendam manutenção para as ações de Cielo e Redecard. Segundo o Bradesco, as renegociações em relação às taxas cobradas dos lojistas serão os principais drivers negativos em 2011.
Do outro lado, o constante crescimento do volume transacionado no País, tendência que deve se repetir em 2011, joga a favor dos papéis no próximo ano segundo a Fator, tendo como base a “conjuntura econômica favorável, crescimento do acesso da população a serviços bancários e aumento da penetração dos cartões nos meios de pagamento”.
Projeções - Cielo
Casa de Análise Recomendação Preço-alvo (R$) Upside (%)*
Bradesco Manter 19,20 41,17
Itaú Market Perform 19,70 44,85
Fator Manutenção 19,00 39,70
*Baseado no fechamento de 16 de dezembro
Projeções - Redecard
Casa de Análise Recomendação Preço-alvo (R$) Upside (%)*
Bradesco Manter 22,39 5,36
Fator Manutenção 28,00 31,17
*Baseado no fechamento de 16 de dezembro
Mercado de capitais
O ritmo acelerado de IPOs (Oferta Inicial de Ações) esperado em 2011 e as perspectivas positivas para a conjuntura econômica fundamentam a análise positiva da Fator ao mercado de capitais brasileiro no ano que vem, a rebater nos papéis da BM&F Bovespa (BVMF3) e da Cetip (CTIP3).
A campanha da bolsa brasileira para atrair mais investidores pessoa física e de alta frequência via investimentos em infraestrutura deve influir positivamente no fluxo financeiro, e, consequentemente, nas margens operacionais.
Entretanto, os investidores devem monitorar de perto as intenções do governo em taxar a entrada de dólares no País, e, com isso, frear o investimento estrangeiro. O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi o primeiro passo, mas que não deve surtir grandes impactos na dinâmica do mercado de capitais.
“Contudo, esse tipo de medida contribui para o aumento da percepção dos riscos regulatórios do Brasil, pois não podemos descartar a possibilidade de que novas medidas sejam anunciadas no curto prazo, caso as atuais não surtam o efeito desejado sobre a valorização cambial”, afirma a Fator.
Por fim, na última quarta-feira (15), o Ministério da Fazenda anunciou uma série de medidas para estimular os financiamentos de longo prazo via títulos privados, em especial, debêntures e Letras Financeiras. Segundo o Barclays, as medidas “provavelmente aumentarão a demanda por instrumentos de empréstimos de longo prazo e criarão condições para elevar a liquidez” do mercado de capitais brasileiro.
BM&F Bovespa e Cetip
Com base nestas perspectivas, a equipe da Fator vê com bastante otimismo o cenário para a BM&F Bovespa em 2011, tanto que os papéis são top pick do setor de serviços financeiros.
No embalo, a Cetip deve se beneficiar das previsões otimistas para o mercado financeiro, além das sinergias advindas da compra da GRV Solutions, aquisição muito bem vista por Itaú, Bradesco Corretora, Barclays e JP Morgan, e que deve trazer bons frutos à empresa em 2011.
"A Cetip praticamente dobrará de tamanho com a incorporação da GRV", aponta o Itaú. "Acreditamos que o acordo otimizará a estrutura de capital da Cetip e duplicará o tamanho da empresa, e tudo isso será feito em múltiplos razoáveis", afirma o JP Morgan.
Apesar da necessidade de reorganizar sua estrutura societária, a entrada no setor de registro de operações de financiamento de veículos não tirou a essência dos negócios da empresa, afirma o Barclays, sem afetar por demais a estrutura de risco. Além de todos estes fatores positivos, o Bradesco ressalta a probabilidade do modelo de registro englobar o financiamento imobiliário, a potencializar ainda mais as margens da companhia em 2011.
Projeções - Cetip
Casa de Análise Recomendação Preço-alvo (R$) Upside (%)*
Bradesco Corretora Compra 20,70 -12,02
Barclays Equal Weight 21,50 -8,62
*Baseado no fechamento de 16 de dezembro
Projeções - BM&F Bovespa
Casa de Análise Recomendação Preço-alvo (R$) Upside (%)*
Fator Compra 18,00 41,17
*Baseado no fechamento de 16 de dezembro
Seguros
Amparadas pela perspectiva de crescimento econômico e aumento da taxa de juro, as seguradoras devem reportar mais um ano de fortes ganhos, estima a Fator. “A expectativa de expansão e lucratividade nas vendas do setor de seguros em 2011 e a implementação de mudanças regulatórias locais contribuirão para fortalecer o perfil da indústria”, projeta a Fitch Ratings.
Contudo, para a corretora, as projeções favoráveis aos papéis do setor já foram em grande parte precificadas, o que remete a um limitado upside para as ações. Além disso, a manutenção do juro alto deve elevar a atratividade do setor, e, por consequência, a concorrência por participação de mercado, principalmente pelos bancos.
Além dos fatores macroeconômicos, joga a favor a tendência crescente da população brasileira em fazer seguros de saúde e de automóveis, em vista do aumento da renda e da oferta de crédito, afirma a Fator.
Porto Seguro e SulAmérica
É neste cenário majoritariamente favorável que Porto Seguro (PSSA3) e SulAmérica (SULA11) estarão inseridas em 2011, com algumas especificidades. No caso da primeira, o início efetivo da venda de seguros nas agências do Itaú Unibanco dará uma guinada a mais nos números, diz a Fator.
Já em relação à SulAmérica, crescem os rumores de que o ING deixará a atividade de seguros em todo o mundo, abrindo mão, portanto, da participação de 36% no capital da SulAmérica. Portanto, atenção para o desenrolar dos fatos em 2011.
Projeções - Porto Seguro
Casa de Análise Recomendação Preço-alvo (R$) Upside (%)*
Barclays Overweight 32,00 18,95
Fator Manutenção 24,20 -10,03
*Baseado no fechamento de 16 de dezembro
Projeções - SulAmérica
Casa de Análise Recomendação Preço-alvo (R$) Upside (%)*
Barclays Overweight 24,00 18,92
Fator Manutenção 19,80 -1,88
*Baseado no fechamento de 16 de dezembro
Posição defensiva de Energia e Saneamento em 2011 dependerá de regulação
Visto como tradicionalmente defensivo por ter uma maior previsibilidade de resultados e dividendos atrativos, o setor de energia elétrica e saneamento tem uma perspectiva mais incerta para 2011. Com o risco regulatório maior, as dúvidas substituem as certezas e os analistas olham com maior cautela para as empresas.
Ainda assim, há opções atrativas no segmento e o consenso é de que, se o investidor procurar com atenção, encontrará boas oportunidades para o próximo ano. “No geral, nós permanecemos indiferentes em relação às perspectivas do setor para 2011 e recomendamos ao investidor que foque seletivamente em casos individuais de upside regulatório potencial e ações que forneçam proteção à inflação”, resume o analista Ben Laidler, do JP Morgan.
Para ele, os descontos das empresas de energia e saneamento brasileiras em relação aos pares globais são sustentados pelos maiores juros domésticos, o que não deve mudar em 2011. Em termos de motivos para novas quedas para as ações no próximo ano, Laidler cita as questões regulatórias e, embora o movimento de fusões e aquisições e corte de custos seja positivo, o analista mostra ceticismo sobre sua execução já em 2011.
Com características, riscos e drivers diferentes, o segmento de energia e o de saneamento merecem ser tratados separadamente.
Energia elétrica: regulação, inflação e aquisições em foco
Observando as análises em relação ao setor de energia elétrica, é possível apontar quatro pontos importantes no que diz respeito a 2011: a revisão tarifária das empresas de distribuição, a questão da renovação das concessões das geradoras, o impacto da inflação na procura por empresas do setor e os movimentos de fusões e aquisições.
De maneira geral, no entanto, o setor deve ver uma média de crescimento de 5% na oferta entre 2010 e 2019, conforme o plano decenal da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), enquanto a demanda deve crescer em ritmo superior ao do PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com a analista de elétricas da SLW, Rosângela Ribeiro.
“O crescimento da demanda deve ser acima do PIB, com destaque primeiro para o segmento residencial e depois para o comercial”, explica Rosângela. “O segmento industrial vai continuar crescendo acima do PIB também, mas não tanto quanto em 2010”, completa a analista da SLW.
Rosângela ainda frisa que o setor tem perspectivas positivas no próximo ano, devido ao provável foco do governo Dilma na infraestrutura e energia. Além disso, ele não está exposto aos problemas internacionais e não tem impactos profundos em termos de consumo devido à inflação ou ao esperado aperto monetário.
Por outro lado, com o aumento do risco regulatório, Renato Pinto e Sami Karlik, do Banco Fator Corretora, afirmam que os anos de 2011 e 2012 mostrarão redução nos resultados das empresas.
Revisão tarifária das DisCos
O terceiro ciclo de revisão tarifária das distribuidoras começará com a Coelce, em abril, e posteriormente com a Eletropaulo, em julho. As audiências públicas sobre a questão começaram em setembro de 2010 e apontaram uma WACC (custo de capital médio ponderado) regulatória de 7,15% ao ano, abaixo da expectativa do mercado.
Segundo a Ativa Corretora, a taxa é “excessivamente punitiva para as distribuidoras”, comprometendo a saúde econômico-financeira e desencorajando o investimento em melhorias da malha de distribuição. Dessa forma, até o final das discussões sobre o assunto, o analista Ricardo Corrêa, da Ativa, vê o aumento da WACC proposta para 7,6% ao ano.
“Podemos ainda ter surpresas quanto a um eventual tratamento individualizado para cada empresa em termos de base regulatória de ativos, empresa de referência e Fator X”, ressaltou a Fator.
Concessões voltarão às manchetes
Dentro do ambiente regulatório – e dessa vez impactando as geradoras – os analistas preveem a volta das discussões sobre a renovação das concessões com vencimento a partir de 2015. De acordo com a Fator, a questão está diretamente atrelada à energia que será descontratada e qual será o formato da sua recontratação.
“A nossa expectativa não é positiva”, alertam Pinto e Karlik. “Esses ativos que atualmente têm sua energia contratada ao preço de cerca de R$ 85 por megawatt/hora poderão ter redução de 30% a 35%”, ressaltam, apontando que as empresas a serem mais afetadas são Cesp (63% da capacidade de geração), Eletrobras (39%) e Cemig (16%).
Proteção da inflação
Se até agora foram os riscos que estiveram em foco, o analista do JP Morgan ressalta um dos principais drivers para os papéis das elétricas em 2011: a necessidade de proteção frente à alta dos preços. “Se as expectativas de inflação aumentarem no próximo ano, a maioria das companhias do setor fornece proteção devido às suas tarifas indexadas a índices de preços”, explica Ben Laidler.
Fusões e aquisições: driver potencial
Outro possível catalisador para os papéis – que não deixam de trazer riscos - seriam os movimentos de fusões e aquisições, especialmente no segmento de distribuição, segundo a analista da SLW, Rosângela Ribeiro.
Concordando com esse argumento, a Fator prevê que “a revisão tarifária será o propulsor da consolidação do setor elétrico, que inclusive poderá ser acelerada com a saída de alguns grupos estrangeiros, como por exemplo a Endesa (Coelce, Ampla), Duke Energy (Geração Paranapanema), Energias do Brasil (Bandeirante e Escelsa)”.
Para os analistas da corretora, outro ponto que facilita o processo é o baixo endividamento das empresas. Dessa forma, Pinto e Karlik elegem os principais grupos consolidadores como sendo a CPFL, a Cemig e a Light.
Saneamento: risco regulatório diminui certezas
“O ano de 2011 será decisivo para o setor de saneamento, em razão da definição da estrutura de tarifas a ser estabelecida pelos órgãos regulatórios Arsesp, em São Paulo; e Arsae, em Minas Gerais”, resumem os analistas da Fator.
Renato Pinto e Sami Karlik ressaltam alguns pontos principais a serem observados nesse processo, como a presença de subsídios cruzados e a renovação das concessões de municípios, que podem dificultar a adoção tarifária que remunere os investimentos precisamente.
Por outro lado, como o setor atualmente é intensivo em capital devido à intenção de universalização, especialmente da coleta e tratamento de esgotos, é possível que os governos criem isenções fiscais. “De qualquer forma, a impressão é que, devido à necessidade de grandes investimentos no setor, os novos projetos em água e esgoto deverão ter um retorno atraente para novos investimentos”, destacam os dois analistas.
Eric Scott, da SLW Corretora, ressalta ainda outros pontos que devem ficar em foco em 2011, como o investimento mais pesado em esgoto. Além disso, há os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o fato de que o governo tende a incentivar a entrada de investidores privados no setor, já que atualmente há pouca adesão – a maioria das empresas é estatal. Entre os obstáculos, Scott ressalta a expansão – tanto dos serviços de água como de esgoto – para áreas de periferia.
Para a Fator, observando o panorama que se desenha atualmente, a perspectiva para o segmento de saneamento em 2011 ainda não é positiva, “pois a visibilidade em relação à rentabilidade futura das empresas segue reduzida em razão das incertezas regulatórias”.
Recomendações
Confira as recomendações que cada um dos analistas ouvidos pela InfoMoney fez para o setor de energia e saneamento.
Ativa Corretora
A Ativa tem como sua top pick a Tractebel, "que nos dá segurança para uma aposta efetiva". Além de ser uma empresa estável, segundo o analista Ricardo Corrêa, a empresa tem baixo risco relacionado à sua operação e está posicionada para beneficiar-se de cenários de explosão de preços spot.
Banco Fator Corretora:
Empresa Ticker Recomendação
Energia Elétrica
AES Tietê GETI4
Manutenção
Celesc CLSC6
Manutenção
Cemig CMIG4
Compra
Cesp CESP6
Manutenção
Coelce COCE5
Manutenção
Copel CPLE6
Compra
CPFL Energia CPFE3
Venda
Transmissão Paulista TRPL4
Manutenção
Eletrobras ELET3
Manutenção
Eletropaulo ELPL6
Manutenção
Energias do Brasil ENBR3
Manutenção
Equatorial EQTL3
Manutenção
Light LIGT3
Compra
MPX Energia MPXE3
Manutenção
Tractebel TBLE3
Manutenção
Saneamento
Copasa CSMG3
Manutenção
Sabesp SBSP3
Manutenção
Fonte: Banco Fator Corretora
JPMorgan:
Empresa Recomendação
Top Picks
Copasa Overweight
AES Tietê Overweight
Empresas para evitar
Eletropaulo Underweight
CPFL Energia Underweight
Fonte: JPMorgan
SLW Corretora:
Perfil Agressivo
Eletrobras
Cesp
Light
Celesc
Perfil Moderado
Tractebel
Copel
Cemig
Energias do Brasil
CPFL
Perfil Defensivo
Coelce
Eletropaulo
AES Tietê
Fonte: SLW Corretora
Crédito continuará em alta em 2011, porém em ritmo menor que 2010
A demanda e a oferta de crédito no País neste ano chegou perto do limite. Tanto que medidas recentes do Banco Central foram adotadas para controlar uma expansão desenfreada. Contudo, o crédito continuará em alta em 2011. E os consumidores continuarão a buscar linhas para financiar o consumo. Mas em ritmo bem menor ao verificado neste ano.
Após um 2009 de oferta contida, 2010 se mostrou o ano do crédito. Diante de um cenário de economia estável, taxas de empregabilidade elevadas e, por consequência, com o aumento real da renda da população, instituições financeiras não perderam a oportunidade e ofereceram crédito a juros baixos e prazos longos.
No próximo ano, os números de oferta e demanda não se repetirão, mas continuarão altos, acredita o conselheiro da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), José Ronoel Piccin. “O crescimento vai ser proporcional à economia. Vai ter uma demanda e oferta grande”, acredita. “Mas se exacerbar, a coisa muda”, diz, referindo-se ao que ocorreu neste ano quando o crédito cresceu fortemente.
Fatores para o "boom"
Este ano foi um ano favorável para a expansão do crédito. Com a retomada do crescimento econômico do País, o aumento do poder de compra da população estimulou o crescimento de um segmento que foi um dos fatores para a alta da oferta e demanda do crédito: a classe C. “Esse movimento de classes fez o PIB chegar a 7,5% neste ano, e contribuiu muito para o crescimento do crédito. Quando os bancos verificaram a entrada desse contingente, eles arrumaram uma maneira de oferecer crédito para eles”, afirma Piccin.
Mais pessoas com renda para contratar empréstimos e a concorrência cada vez mais acirrada entre as instituições financeiras se tornaram favoráveis para o crédito. Soma-se a isso as quedas da taxa básica de juro (Selic) ao longo dos meses e o alongamento dos prazos de financiamentos. “A situação econômica estava mais estável. E as classes que não tinham poder de compra agora têm e puderam comprar mais”, completa a professora de Finanças do Insper, Ângela Menezes.
Para Piccin, o principal fator que contribuiu para o crescimento do crédito foi o crescimento da própria economia. “O crédito, neste ano, teve um crescimento proporcional ao aumento da economia, frente a 2009, que foi um ano pobre, com tendências a exacerbar”, diz.
Um ano de bolha?
Para Ângela, 2010 chegou perto de ser um ano de “bolha” do crédito. “Se não houvesse uma ameaça de bolha o BC não teria adotado medidas drásticas”, afirma, referindo-se ao aumento do compulsório e do fator de risco para empréstimos a pessoas físicas com prazo igual ou superior a 24 meses. “Estava havendo um problema e uma ameaça grave de inflação alta e comprometimento das carteiras de crédito dos bancos”, explica.
Sem as medidas, Piccin acredita que 2011 seria um ano de “boom” do crédito, o que, na sua avaliação, não ocorreu em 2010. “Esse ano tivemos um “boom” com crescimento do PIB. Se por acaso não houvesse esse aumento dos compulsórios teríamos um outro “boom” em 2011”, afirma. “Essa expansão do crédito precisava ser contida”, completa.
Mesmo com medidas que, a princípio, restringem o crescimento do crédito, o conselheiro da Anefac acredita em um ritmo forte de demanda e oferta em 2011. Para a professora de Finanças, porém, esse aumento é improvável. “A expectativa é que a oferta diminua um pouco. Nos quatro primeiros meses, vamos ver um aumento de juros, queda nos prazos e na demanda por crédito como um todo”, acredita.
Essa queda, ainda que pequena, é necessária à economia, afirma a professora, pois uma expansão tão forte do crédito estimula o consumo, fazendo a indústria trabalhar no limite e, por consequência, influencia no endividamento da população. “A indústria vai conseguir respirar e trabalhar os estoques de maneira regular com as restrições. E elas, de alguma forma, protegem os consumidores”, considera a professora.
“Quando se aumenta o crédito, o consumidor começa a gastar mais, cai na dívida e compromete a renda. Ele fica encantado com o parcelamento. Se você aumenta um pouco a taxa de juros, o consumidor começa a pensar antes de comprar. É uma forma de fazer ele pensar”, afirma Ângela, para quem 2011 será um ano de crédito mais consciente. “O crédito é bom, mas não pode deixar sair fora do controle”.
Após ano fraco, incertezas marcam as perspectivas para os frigoríficos em 2011
2010 definitivamente não será um ano que os frigoríficos guardarão boas lembranças. O rali de alta de commodities como soja e milho, utilizadas como insumos no setor, aumentou drasticamente os custos dessas empresas ao longo do ano. Além disso, a lenta recuperação da economia mundial e o dólar cada vez mais desvalorizado limitaram os resultados no mercado internacional.
Já para o próximo ano, a divergência vista entre as opiniões dos analistas mostra que 2011 deverá ser carregado de incertezas para o setor. Se por um lado o aumento do poder aquisitivo da população dos países emergentes sinaliza um maior consumo de proteína, por outro lado a provável manutenção do cenário de 2010 – lenta recuperação da economia, dólar em queda e grãos em alta – deverá manter os investidores em alerta.
“Embora continuamos confiantes com as significativas vantagens do Brasil como plataforma de produção animal, avaliamos o cenário de curto prazo do setor como bastante desafiador”, dizem os analistas Pedro Herrera e Diego Maia, do HSBC. Para eles, a pressão provocada pelos custos deverá se intensificar no começo de 2011, podendo prejudicar ainda mais as margens dos frigoríficos.
A recomendação da dupla no momento é que os investidores adotem uma postura de "esperar pra ver”.
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Cenário para 2011:
Maior renda = mais proteína no prato
Desempenho dos frigoríficos em 2010
Empresa Ticker Variação*
BR Foods BRFS3
+21,6%
Minerva BEEF3
11,32%
JBS JBSS3
-24,65%
Marfrig MRFG3
-28,7%
*Até o fechamento da última sexta-feira (17)
Os analistas Renato Prado e Ronaldo Kasinsky, do Banco Fator Corretora, dão destaque principalmente ao aumento do poder aquisitivo dos emergentes, “com consequente impacto no padrão de consumo de proteína em relação ao total dos alimentos”. A taxa brasileira de desemprego em níveis historicamente baixos e o crescimento da massa salarial do País estimularam o consumo em diversos setores ligados ao varejo, avalia a dupla.
“Ainda existe no Brasil espaço para o crescimento da participação no consumo de proteína em relação à quantidade de alimentos ingerida. Basicamente acreditamos em queda no consumo de arroz e aumento no consumo de proteína animal, especialmente frango”, afirmam Prado e Kasinsky em relatório.
A dupla de analistas do Fator destaca também que o setor no Brasil possui diversas vantagens competitivas em relação aos seus pares internacionais, tais como uma maior oferta interna de grãos – o que diminui os custos de transporte -, uma maior abundância de água e a criação extensiva de gado, que requer menor consumo de grãos e um ciclo mais curto de proteína de frango.
Grãos: La Niña e QE2 deverão manter preços altos em 2011
Apesar dos efeitos positivos do maior consumo de proteína esperado, alguns pontos já conhecidos em 2010 deverão persistir pelo menos no começo de 2011. Um deles refere-se aos altos preços de grãos, que possuem muita importância na análise do setor por conta da sua grande representatividade nos custos de produção, respondendo por até 30% do total de produção de suínos e frangos, explicam os analistas do Fator.
Segundo a equipe do HSBC, a cautela acerca das commodities na chegada do próximo ano deverá girar em torno dos impactos que o fenômeno climático La Niña poderão trazer ao mercado, podendo afetar o equilíbrio em diversos países da América Latina, como Brasil e Argentina, que possuem relação bem estreita entre a oferta e a demanda. “Esperamos que a volatilidade no preço dos grãos continue, com riscos de novas altas”, atestam Herrera e Maia.
Outro ponto que poderá continuar impactando esse mercado é o recente pacote de ajuda anunciado em novembro pelos Estados Unidos, que injetará mais US$ 600 bilhões na economia do país. “A política monetária expansionista nos EUA deve dar sustentação à continuidade de trajetória que temos presenciado nas cotações das commodities soja e milho”, disse Mariana Peringer, do BB Investimentos, em relatório escrito na época do anúncio.
Pressão cambial e boi gordo: impactos mais moderados em 2011
Os analistas também demonstram cautela ao cenário atual do câmbio brasileiro. O real, fortemente valorizado em relação às principais divisas do globo, deverá manter em 2011 a volatilidade vista nesse ano. Contudo, por não se esperar quedas mais substanciais nos próximos 12 meses, o impacto dessa variável nos resultados dos frigoríficos deverá ser menos dolorido do que em 2010.
No mesmo sentido, o efeito negativo do preço do boi gordo acima da sua média histórica também deverá ser mais ameno em 2011. Segundo os dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o preço à vista do boi gordo no mercado financeiro atingiu seu recorde histórico em novembro ao bater R$ 117,18 por arroba e atualmente encontra-se cotado em torno de R$ 105,00 por arroba. Contudo, o crescimento contínuo da demanda global, liderado pelos emergentes, puxará para baixo esses preços.
“Projetamos um preço cenário mais razoável para o preço do gado em 2011 a medida que os rebanhos bovinos continuarem se renovando e os níveis de chuvas se normalizando”, acreditam Herrera.
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Empresas:
BR Foods: exposição ao mercado interno garante preferência
Em meio a esse cenário, as ações da BR Foods (BRFS3) aparecem como preferência de grande parte dos analistas do setor. Um dos motivos é a forte exposição da empresa ao mercado doméstico de produtos processados, tendo em vista o aumento do consumo de proteína no País.
Segundo relatório do JP Morgan, a BR Foods é a única empresa de capital aberto do setor a registrar metade de suas vendas no mercado doméstico. Além disso,o banco dá ênfase à forte exposição da BR Foods ao mercado de aves, que tem crescido bem mais rápido que os outros segmentos. "A Brasil Foods não está somente exposta a um mercado doméstico de rápido crescimento, como também está vendendo o tipo correto de carne", ressaltam Alan Alanis, Sambuddha Ray e Pedro Leduc.
De acordo com a equipe da Fator, a proteína de frango possui mais vantagens competitivas do que a suína e bovina, e nas próximas décadas deverá se tornar a proteína animal mais consumida no planeta.
Além da forte exposição ao mercado interno, a empresa possui bastante poder de barganha, o que lhe dá maior força na hora de negociar seus preços. Segundo destacado pela dupla de analistas do HSBC, a companhia anunciou que irá elevar entre 10% e 15% o preço de suas exportações como forma de compensar os fortes custos vistos atualmente.
Contudo, um dos principais drivers para as ações da BR Foods não está associado ao seu desempenho operacional, mas sim à expectativa de que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) finalmente aprove a fusão envolvendo Sadia e Perdigão. Em junho deste ano, a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda) recomendou que o Cade aprovasse a operação mas com algumas restrições, comentário que foi mal interpretado pelo mercado.
"A aprovação do Cade para a fusão da Sadia e/ou a indicação de que as restrições previamente recomendadas pela Seae estão se diluindo são os mais importantes catalisadores das ações da BR Foods, em nossa visão", afirma Herrera e Maia, complementando ainda que a saída do até então presidente do Cade, Arthur Badin, e a conclusão das eleições presidenciais reforçarm a visão de que a transação vai ser aprovada com efeitos limitados sobre a empresa. É esperado que o anúncio ocorra no primeiro semestre de 2011.
Mas ação não é unanimidade
Embora seja a preferência do setor por grande parte dos analistas, a equipe do Citigroup recentemente rebaixou a recomendação dos papéis para venda, revisando o preço-alvo de R$ 29 para R$ 26,20. Segundo os analistas Carlos Albano e Marcio Kawassaki, os ativos BRFS3 tiveram um desempenho muito acima do mercado entre setembro e outubro, embora não tenha ocorrido nenhuma mudança nos fundamentos da empresa. “Após a forte performance observada recentemente, a BR Foods está sendo negociada a níveis injustificáveis, em nossa opinião, e, consequentemente, estamos rebaixando as ações de manutenção para venda”, argumentam.
Projeções para a BR Foods
Corretora Recomendação Preço-alvo Upside*
Fator Compra R$ 33,60 22,09%
HSBC Overweight R$ 32,00 16,28%
JP Morgan Overweight R$ 31,00 12,65%
Citigroup Venda R$ 26,20 -4,8%
*Baseado na cotação de fechamento da última sexta-feira (17)
JBS: aquisições, Cremorini e IPO nos EUA em foco
O ano de 2010 foi bastante conturbado para a JBS (JBSS3), o que colaborou para a forte queda vista em suas ações. Além de fatores setoriais, como a depreciação do dólar, a elevação dos custos, as margens negativas na Argentina e sua maior exposição ao mercado norte-americano, algumas questões pontuais têm prejudicado seu valuation, explicam os analistas.
Segundo Maia e Herrera, do HSBC, ainda há muitas incertezas sobre como será o processo de conversão das debêntures do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), principalmente após a subsidiária dos EUA ter postergado para 2011 sua abertura de capital. "Recentemente, o JBS USA adiou seu IPO (Initial Public Offer) para 2011 (provavelmente no 3T11) e como resultado a empresa terá que pagar US$ 300 milhões de multa ao BNDES", explicam os analistas.
Outra questão que agitou os mercados nesse ano - principalmente no segundo semestre - foi a disputa entre a JBS e seu sócio italiano, o Grupo Cremonini, que desde 2007 possui uma parcela da Inalca. Após troca de acusações, expulsões (e readmissões) de diretores e obstrução de informações, o Portal InfoMoney ouviu os dois lados da história e o que pode-se perceber é que essa disputa ainda irá perdurar por um tempo. "Não esperamos uma resolução final em breve. A tendência é de que ou o JBS seja forçado a vender sua participação na Inalca para Cremonini ou ele adquire a totalidade do controle da Inalca", diz a dupla do HSBC.
Contudo, não é apenas de incertezas que deverá cincurdar o 2011 da maior processadora de proteína do mundo. Os analistas destacam as recentes aquisições realizadas pela empresa mundo afora. "A JBS manterá seu foco na integração da Pilgrim's Pride e da Bertin, aquisições as quais ela já extraiu quase 50% das sinergias estimadas", alertam Maia e Herrera, que destacaram ainda o aumento da participação da JBS no capital da Pilgrim's (de 64% para 67,3%) e os bons resultados apresentados pela empresa adquirida em 2010.
Projeções para JBS
Corretora Recomendação Preço-alvo Upside*
Fator Manutenção R$ 7,54 7,71%
HSBC Overweight R$ 12,50 78,57%
*Baseado na cotação de fechamento da última sexta-feira (17)
Marfrig: tensão no curto prazo, otimismo no longo prazo
Fortemente prejudicados em 2010, os papéis da Marfrig (MRFG3) ainda devem reservar bastante instabilidade no curto prazo, sobretudo por conta da sua forte exposição ao mercado europeu (cerca de 35% de suas exportações são para lá) e dos problemas vividos na Argentina, não só pela volatilidade nos preços do boi como também na restrição de exportações de carne fresca anunciada pelo governo local, salientam os analistas do HSBC.
Já para os próximos trimestres, os analistas mantém-se otimistas com a empresa. "Continuamos acreditando que a estratégia da companhia, de diversificação de proteínas e foco nos canais de distribuição mais rentáveis, irá resultar em crescimento das vendas e margens melhores nos próximos trimestres", disse o analista da Link Investimentos, Rafael Cintra.
Outro ponto destacado é a aquisição da norte-americana Keystone Foods, realizada em junho por US$ 1,26 bilhão. O modelo de negócios da Keystone está bem alinhado com a estratégia da Marfrig de diversificação geográfica e de proteínas. "A aquisição da Keystone adiciona fluxos de caixa estáveis através de sua grande exposição ao McDonald's, ao passo que é beneficiada por uma taxa de crescimento médio anual da receita do McDonald's de 8%", argumentam os analistas do HSBC, que estimam ganhos de US$ 100 milhões em sinergias ao final de 2013.
Embora no longo prazo essa aquisição traga bons resultados à empresa, os temores no curto prazo fizeram com que a equipe do Santander rebaixasse ao final de novembro a recomendação dos papéis da Marfrig para manutenção, em meio à expectativa negativa com relação ao fluxo de caixa, que deverá ser impactado pelo aumento nos custos dos grãos e por conta do nível alto de alavancagem depois da aquisição da Keystone.
Por fim, vale lembrar que em setembro os ativos MRFG3 passaram a farte parte da composição da carteira teórica do Ibovespa, com participação de 0,654% dentro do índice.
Projeções para Marfrig
Corretora Recomendação Preço-alvo Upside*
HSBC Outperform R$ 21,00 54,41%
Link Outperform R$ 17,50 28,68%
Santander Manutenção R$ 16,00 17,65%
*Baseado na cotação de fechamento da última sexta-feira (17)
Minerva: pouca diversificação limita otimismo
Embora suas ações respondam pela segunda melhor performance do setor em 2010, a Minerva (BEEF3) é a empresa que menos anima os analistas. Segundo Maia e Herrera, o bom desempenho de seus ativos no ano refletem sua grande eficiência em termos de capital de giro. "No entanto, ela ainda é a menor e a mais arriscada empresa do setor, devido à sua limitada exposição para outras proteínas e à produção internacional", afirmam Maia e Herrera.
Sobre o recente aumento de participação na Dawn Farms Foods, que originou a MDF (Minerva Dawn Farms), de 50% para 80%, os analistas destacam que a operação será positiva no longo prazo, mas que no curto prazo seus impactos serão negativos, tendo em vista a evolução de seus níveis de alavancagem, em virtude dos R$ 60 milhões pagos para concretização do negócio.
Contudo, Herrera e Maia, do HSBC, afirmam que a Minerva espera que a maior participação na MDF deva elevar para 25% a contribuição da empresa nas vendas da Marfrig em 2012 - atualmente, esse percentual gira em torno de 8% e 10%.
Projeções para Minerva
Corretora Recomendação Preço-alvo Upside*
Fator Manutenção R$ 8,24 26,96%
HSBC Neutra R$ 7,80 20,18%
Citigroup Manutenção R$ 9,30 43,3%
*Baseado na cotação de fechamento da última sexta-feira (17)
Câmbio deve seguir pressionando ações do setor de papel e celulose em 2011
Recuperação. A palavra que marcou o cenário para o setor de papel e celulose ao longo deste ano também confirmou asperspectivas do mercado de que o fraco desempenho de 2009, especialmente dos preços da commodity, seria superado em 2010. Para o próximo ano, apesar dos drivers positivos seguirem influenciando favoravelmente o segmento, a ordem será o monitoramento do câmbio.
Com a economia doméstica crescendo a um ritmo chinês, aliada ao fator juros altos, a entrada de dólares no País foi forte neste ano. Se isso por um lado é positivo, para as produtoras nacionais de papel e celulose não é. Isso porque as grandes companhias do segmento possuem uma parcela significativa de suas receitas apoiadas nas exportações e, com o dólar mais fraco, os retornos dessas empresas são prejudicados.
Apesar disso, em 2010 o setor foi beneficiado por eventos que contribuiram positivamente na recuperação dos preços da celulose. É o caso do terremoto no Chile - um dos principais produtores de celulose da América Latina -, da demanda chinesa aquecida, do baixo nível global dos estoques e do aumento das compras da commodity nos mercados norte-americano e europeu.
Tudo isso junto colaborou para que o preço da celulose de fibra curta, por exemplo, que é o tipo de matéria-prima produzida pelas companhias brasileiras, passasse de R$ 700,00 por tonelada na primeira semana de 2010 para R$ 852,08 na última semana no front internacional, segundo dados da consultoria finlandesa Foex - utilizados como referência no setor.
Demanda por papel segue aquecida em 2011
O mercado de papel deverá seguir aquecido no próximo ano, segundo Rodrigo Fernandes e Hering Shen, da Banco Fator Corretora. De acordo com eles, a China será um driver importante para este movimento. "Esperamos manutenção da demanda mundial em 2011, em função da retomada gradual dos países desenvolvidos e da manutenção do ritmo de produção na China, que deverá manter o volume de compra de celulose de mercado, pois as novas e modernas máquinas de papel necessitam de produto de melhor qualidade", disseram.
Por aqui, as perspectivas para o mercado brasileiro também seguem otimistas, sendo que o forte crescimento econômico do País continuará dando base ao maior consumo de papel. De acordo com as últimas estatísticas do setor, nos oito primeiros meses de 2010 o consumo aparente de papel no mercado doméstico cresceu 10% na comparação anual, em função da maior demanda por papel cartão, de embalagem e de imprensa.
Apesar disso, no acumulado do ano, as importações de papel tiveram um aumento de 48% na comparação anual para 983 mil toneladas, principalmente por conta da apreciação do real, que tornou o papel importado mais competitivo. "A contínua valorização do real limita os reajustes de preços e aumenta a competição dos produtos importados", explicam os analistas da Fator.
O maior consumo de papel no cenário doméstico se apoiou em eventos como a Copa do Mundo, as eleições e a preparação da indústria papeleira para o período de volta às aulas e festas de final de ano. "Esse desempenho positivo resultou em recuperação dos preços, tanto no mercado interno quanto no mercado externo, o que permitiu o repasse dos aumentos de preço da celulose".
Oferta e preços em linha com 2010
Também contribuem para a perspectiva positiva ao setor de papel e celulose as projeções de que não haverá incremento significativo na oferta da commodity ao longo dos próximos anos. Vale lembrar que, após a crise financeira de 2008, muitas produtoras de celulose internacionais desativaram boa parte de suas fábricas para adequar a produção da commodity com a demanda. Apesar da retomada de parte dessa produção ociosa em 2010, ainda há linhas de produção paralisadas.
Mas, segundo Fernandes e Shen, o religamento destas máquinas poderá ser limitado ao longo de 2011 por conta da desvalorização da moeda norte-americana, beneficiando os players brasileiros neste mercado, visto que isso reduz a competitividade de produtores importantes de celulose, como a Europa e o Canadá. "Os aumentos de capacidade mais significativos ocorrerão principalmente no Brasil a partir de 2013", disseram.
As últimas estimativas da PPPC (Pulp and Paper Products Council) comprovam que o aumento da oferta no próximo ano não deverá ser significativo. De acordo com a entidade, haverá a entrada em torno de 2,1 milhões de toneladas de celulose na oferta global da commodity até 2012. Contudo, o aumento na demana pelo produto será de cerca de 3,5 milhões de toneladas, principalmente nos mercados europeu e asiático.
Em relação aos preços da celulose, para 2011 o cenário deverá continuar o mesmo: estacionados no atual patamar, considerado elevado pelo mercado. O forte crescimento dos preços em 2010 é explicado pela baixa nos estoques deteriorados pela crise em 2009, contudo, no próximo ano, este não deverá ser mais um catalisador para o movimento das cotações. O Banco Fator Corretora estima que o crescimento do mercado de papel passe a ser mais determinante em possíveis elevações nos preços ao longo de 2011.
Neste sentido, a corretora acredita que o preço médio da celulose cairá de US$ 850,00 por tonelada em 2010 para US$ 815,00 por tonelada ao final do próximo ano. Além disso, segundo a Fator, a tendência é de que este patamar chegue aos US$ 785,00 por tonelada em 2012.
Já o Citigroup acredita que os preços da celulose deverão ser pressionados no curto prazo, o que limita o potencial de valorização do setor em 2011. Segundo o analista Juan Tavarez, os crescentes estoques dos produtores de celulose e o aumento (mesmo que modesto no cenário global) da oferta de celulose deverão trazer certa pressão nos preços ao longo dos próximos meses.
"No curto prazo, esperamos que os preços da celulose tenham uma correção de US$ 120,00 por tonelada (-14%) do atual patamar de US$ 850,00 por tonelada. Contudo, a pressão deverá ter um prazo de validade curto uma vez que a demanda está crescendo, limitando as novas capacidades no setor", disse Tavarez, que acredita em um novo rebalanceamento ao setor na segunda metade do próximo ano.
Variação cambial: um risco para ficar de olho!
Enquanto a oferta limitada, a demanda chinesa aquecida e o mercado de papel prosperando montam um cenário favorável às produtoras de celulose em 2011, o principal vetor negativo para as projeções dos analistas permanece a cotação do dólar. Com a moeda norte-americana em baixa, além da rentabilidade das produtoras de celulose ser menor, a valorização do real dificulta a concorrência no setor, especialmente na questão da exportação.
"Esta situação tende a piorar e é um dos pontos que devem ser acompanhados com atenção pelo investidor", disseram Fernandes e Shen. Cabe ressaltar queo governo brasileiro segue tomando esforços na tentativa de evitar uma valorização ainda maior do dólar frente à moeda do País. Além das compras diárias de dólar, assim como a taxação de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em investimentos externos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou no início do mês que poderá adotar medidas no mercado de câmbio para evitar que o dólar siga em ascendência.
Durante teleconferência com repórteres, o ministro da Fazenda disse que o Brasil está atento sobre as oscilações da moeda e que pretende intervir mais uma vez contra a apreciação do real caso ache que seja necessário. "Estamos prontos para adotar medidas adicionais no caso de uma nova apreciação do real".
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Recomendações
Banco Fator Corretora
Empresa Recomendação Preço-alvo*
Fibria ON
Venda R$ 30,00
Klabin PN
Manutenção R$ 6,00
Suzano PNA
Manutenção R$ 21,50
Itaú BBA
Fibria ON Market Perform2 R$ 37,00
Klabin PN Outperform1 R$ 7,50
Suzano PNA Market Perform R$ 21,00
Citigroup
Fibria (ADR) Compra US$ 20,50
Klabin PN Manter R$ 6,20
Suzano PNA Compra R$ 20,00
Link Investimentos
Fibria ON Market Perform R$ 33,00
Klabin PN Outperform R$ 7,00
Suzano PNA Outperform R$ 24,00
* Para o final de 2011
1 Desempenho acima da média do mercado
2 Desemprenho em linha com a média do mercado
Por mais um ano, Suzano é a top pick no setor
Para 2011, novamente a Suzano (SUZB5) é apontada como top pick no setor de papel e celulose pela maioria dos bancos e corretoras. O analista do Citi ressaltou que a companhia é o nome preferido pelo banco dentro do segmento, uma vez que o potencial para o fluxo de caixa das operações existentes da empresa ainda deve ser incorporado no valuation atual.
O principal vetor para as boas perspectivas à companhia segue sendo as fortes estimativas de investimentos, que devem contribuir para aumentar a produção de celulose. A Suzano planeja aumentar a capacidade de produção para 5,5 milhões de toneladas até 2014.
Recentemente, o conselho de administração da companhia aprovou a contrataçãode financiamento no valor aproximado de R$ 2,7 bilhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a execução do Projeto Maranhão.
Os recursos serão destinado à construção de uma nova unidade industrial no Maranhão, com implantação da infraestrutura e apoio necessários à operação, como a construção de uma planta de cogeração de energia a partir de biomassa e aquisição de máquinas e equipamentos nacionais.
"A contratação com o BNDES é uma importante etapa para concretização dos planos de crescimento, viabilizando a estratégia da companhia e consolidando sua posição entre os maiores produtores de celulose no mercado mundial", comentou a Suzano.
De acordo com os analistas do Banco Fator Corretora, a empresa deverá manter as margens operacionais nos patamares dos últimos trimestres em função da recuperação da demanda doméstica de papéis e da manutenção da venda de celulose. "A valorização do real poderá anular parcialmente as receitas de exportação da celulose e aumentar a competitividade do papel importado", alertaram Fernandes e Shen.
A Suzano segue sendo a principal empresa recomendada dentro do setor de papel e celulose pelo Citigroup, Link Investimentos e Banco Fator Corretora.
Fibria: reduzindo alavancagem, ampliando boas perspectivas
Outra empresa cujos investimentos animam os analistas é a Fibria (FIBR3). No último ano, a empresa mais preocupava do que animava, visto que possuia um elevado endividamento. Apesar de ter reduzido suas dívidas, a companhia fechou setembro deste ano com um endividamento líquido de R$ 10,112 bilhões, frente a cifra de R$ 13,084 bilhões em igual período do ano passado.
"A redução da alavancagem permitiu a retomada dos planos de investimento. Em 2011, os investimentos serão destinados principalmente para manutenção das operações, formação de base florestal e negocições com fornecedores de madeira para o aumento de capacidade em Três Lagoas (MS), que deverá entrar em operação em 2014, com capacidade de 1,5 milhão de tonelada de celulose", disseram os analistas do Fator.
O analista do Citigroup reduziu o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da Fibria de US$ 21,00 para US$ 20,50. Segundo Tavarez, os preços para a celulose no curto prazo pressionarão o potencial do setor no próximo ano, necessitando que os investidores realizem uma escolha seletiva dos papéis do setor – que deverá gerar um retorno total de 24%, contra 27% do Ibovespa, estima o analista. Apesar disso, os valuations deverão voltar a apontar para múltiplos de crescimento histórico no segundo semestre, devido à desalavancagem e à aprovação de projetos no setor, indicou Tavarez em relatório.
Crescimento do mercado interno beneficia a Klabin
Com suas operações mais voltadas para o mercado interno de papel, a Klabin (KLBN4) é a principal candidata no setor de papel e celulose a se beneficiar do forte crescimento econômico em 2010 e 2011. Por esse motivo, a corretora do banco Itaú escolheu as ações da empresa como top pick no setor de papel e celulose, evidenciando o crescimento do Ebitda (geração operacional de caixa) devido ao maior volume de vendas, forte geração de fluxo de caixa livre e valuation atraente.
Assim, o analista Marcos Assumpção reiterou a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para os papéis da produtora de papel e celulose, com um novo preço justo de R$ 7,50. A corretora acredita que a empresa tem espaço para manter o bom desempenho, inclusive acima de seus pares, configurando-se como uma ótima opção no setor.
Segundo Assumpção, a forte demanda doméstica deve levar a um crescimento de 20% no Ebitda da empresa nos próximos dois anos. A companhia também investiu cerca de R$ 291 milhões em projetos com o objetivo de reduzir seus custos, o que foi bem avaliado pela corretora. "O principal ponto positivo para a Klabin reside no potencial para aumentar as vendas de papel cartão no mercado doméstico por meio da melhora do mix de vendas e do aumento do preço médio", concluiu o analista.
Já a equipe de análise do Fator avalia que o principal foco no curto e médio prazos está na melhora da competitividade da fábrica de Otacílio Costa (SC), que receberá investimentos para a compra de uma nova caldeira e para a reforma na linha de evaporação. "No longo prazo está previsto o aumento da capacidade de produção de celulose para 3,2 milhões de toneladas e instalação de nova máquina de cartão com capacidade de 500 mil toneladas. O investimento em papel cartão poderá ocorrer antes da planta de celulose, a depender das condições do mercado externo", avaliaram Fernandes e Shen.
Brasileiro ficará mais inadimplente em 2011, dizem especialistas
O brasileiro ficará mais inadimplente em 2011, segundo previsões do gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi; e do presidente da Telecheque, José Antônio Praxedes Neto.
De acordo com Rabi, em 2010, a inadimplência deve encerrar o ano com taxa de aproximadamente 5%, percentual que deve ser ultrapassado no próximo ano. Já Praxedes aposta em taxas de 6% em janeiro, chegando a 15% no terceiro mês do ano.
“Por conta do aquecimento das vendas no Natal – em decorrência da população que antes não tinha acesso ao crédito - e do alongamento dos prazos, o primeiro quadrimestre do próximo ano é motivo de atenção”, observa Praxedes.
Juros
O aperto da política monetária, com aumento dos compulsórios e provável alta nos juros, também deve contribuir para que a inadimplência seja maior em 2011.
Além disso, na opinião de Rabi, o próximo ano não contará “com uma evolução tão favorável do mercado de trabalho”.
Entre os vilões do orçamento brasileiro estão as dívidas não bancárias (cartões, lojas, prestadores de serviços e financeiras) e as dívidas com bancos, que devem reverter o quadro de queda apresentado em 2010.
2010
No que diz respeito ao ano que está se encerrando, os dois especialistas avaliam 2010 como positivo quanto à inadimplência da pessoa física.
Rabi ressalta, por exemplo, a terceira desaceleração consecutiva nas taxas de inadimplência, que foi de 5,9% em 2009 e deve terminar 2010 em torno de 5%. “Este foi um ano favorável no mercado de trabalho, com as taxas de desemprego em queda durante o ano todo”.
O presidente da Telecheque também destaca as taxas menores, de 12,34% ante 12,46% apurada no ano passado, sublinhando, sobretudo, a maior exclusão de emitentes de cheques sem fundos dos cadastros de inclusão e exclusão desta forma de pagamento.
Dívidas não bancárias
Ainda sobre a inadimplência em 2010, as dívidas não bancárias foram as principais responsáveis pela alta de 5% apurada no ano. Segundo cálculos da Serasa, o atraso deste tipo de débito cresceu 35,5% em relação ao ano passado.
Por outro lado, o índice de cheques devolvidos registrou queda no período, de 28,5%, movimento que também foi verificado entre as dívidas com bancos e nos protestos de pessoas físicas em cartórios, que recuaram 1% e 15%, respectivamente.
Dentre os motivos que mais levaram os consumidores à inadimplência, Praxedes destaca o descontrole financeiro (34,2%), mas não deixa de citar os juros abusivos, especialmente nos cartões de crédito e financeiras.
“Quando falamos em descontrole financeiro, não estamos falando em compra por impulso e sim em qualquer tipo de despesa extra inesperada que venha a atingir a população de menor renda, que passou a comprar, mas ainda tem um orçamento muito apertado”, explica.
Perfil
Ainda de acordo com o presidente da Telecheque, em 2010, a população que recebe de dois a três salários mínimos foi a que mais apresentou contas em atraso (21,8%), seguida por aqueles com rendimento mensal entre um e dois mínimos (21,3%) e entre três e quatro mínimos (15,5%).
Por gênero, as mulheres foram as que mais se endividaram (54,3%), assim como os consumidores entre 30 e 50 anos, que responderam por 50% das dívidas em atraso.
Os gastos com vestuário (18,5%), serviços diversos (16%) e alimentos (10,1%) foram os maiores vilões do orçamento do consumidor brasileiro em 2010.
Empresas de telecom devem focar em banda larga para continuar a crescer em 2011
2010 foi um ano especialmente movimentado no setor de telecomunicações, com ofertas, aquisições e alterações no controle das principais empresas de telefonia atuantes no Brasil. Como disse Leonardo Nitta, analista do BB Investimentos, quase "tudo o que havia para acontecer no setor já aconteceu", com a definição das estratégias que os grupos adotarão no País e um consequente movimento de fusões e aquisições para adaptar planos à realidade.
Pode-se afirmar que as mudanças começaram com o desejo da Telefónica em unir as operações da Telesp (TLPP4), operadora de telefonia fixa, e da Vivo (VIVO4), móvel. O problema estava no fato de que a Vivo era controlada por uma joint venture entre a espanhola e a Portugal Telecom, que não tinha planos de sair do País.
Assim, desencadeou-se uma novela com três tentativas de oferta por parte da Telefónica, de € 5,7 bilhões, € 6,5 bilhões e € 7,5 bilhões, esta última aceita por 74% dos acionistas mas rechaçada pelo governo português, que utilizou suas golden shares na empresa para barrar a operação. A negociação só foi concretizada no final de julho deste ano, por € 7,5 bilhões.
Para acomodar os interesses, foi anunciada quase simultaneamente a entrada da Portugal Telecom no capital social da Oi (TNLP4), numa complexa operação que envolve aquisição direta e indireta de fatias na companhia e capitalização da empresa. Parte dos desdobramentos dos eventos ocorridos ao longo de 2010, no entanto, deverão ter reflexos ainda em 2011.
Portugal Telecom traz vantagens para Oi
Leonardo Nitta espera que a consolidação da Portugal Telecom na Oi aconteça ainda no primeiro trimestre do próximo ano, e o analista vê desdobramentos positivos para a companhia. Por um lado, haverá um aporte significativo de caixa, trazendo alívio financeiro a uma companhia que se viu muito alavancada após grandes operações, como a aquisição da Brasil Telecom (BRTO4).
Além disso, a Portugal Telecom traz consigo grande experiência no mercado de telecomunicações, não só com a bem sucedida administração da Vivo, mas também com larga vivência no mercado europeu, já bastante consolidado e, mais importante, integrado. Isso porque o oferecimento combinado dos serviços de telefonia móvel, fixa, banda larga e televisão a cabo deve ser o principal objetivo das companhias de telecomunicação no próximo ano, e a principal razão para o esforço de Telefónica em reunir os ativos de Telesp e Vivo sob uma única empresa.
A Fator Corretora afirma, em relatório de Jacqueline Lison, Mateus Renault e Luiz Guilherme Fonseca, que a entrada da Portugal Telecom no bloco de controle ainda poderá dar mais transparência à companhia e melhorar suas práticas de governança corporativa. Para Nitta, a Oi oferece a melhor oportunidade de investimentos no setor de telefonia, mas ao mesmo tempo os maiores riscos. Em sua visão, por já ter passado pela reestruturação das operações, com organização dos produtos e fortalecimento da estratégia para oferecer serviços integrados, e, de certo modo, arrumando a casa, a companhia encontra-se um passo à frente de Vivo e Telesp. No entanto, além da capitalização que será necessária para acomodar a PT na estrutura da Oi, algumas questões societárias que incomodaram a companhia em 2010 deverão ser enfrentadas no próximo ano.
Questões societárias
A principal delas ainda é a conversão das ações da Brasil Telecom em Telemar Norte Leste (TMAR5). A companhia conta com uma complexa estrutura, em que além das ações da Brasil Telecom ainda em circulação (pois os minoritários não aceitaram o novo fator de troca introduzido pela empresa em 2010), a Oi tem dois veículos distintos para investimentos, as ações da controladora, as TNLP, e as ações da Telemar, as TMAR. O objetivo é, em algum ponto, simplificar a estrutura com a existência apenas das ações da controladora.
James Rivett e Alexandre Garcia, analistas do Citigroup, lembram no entanto que uma decisão nas mãos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre a incorporação da Invitel, a controladora da Brasil Telecom, pode até mesmo atrasar o prazo previsto para a conclusão do negócio com a PT.
Isso porque os minoritários entraram com um pedido para suspender a Assembleia de Acionistas que deveria ratificar a incoporação da Invitel pela Telemar Note Leste. Dependendo da decisão da CVM, o direito de retirada com base no valor econômico, e não contábil, pode ser autorizado, o que exigiria compra de até R$ 1,4 bilhão, com prêmio para os minoritários. "Além do atraso na capitalização da companhia, acreditamos que isso poderia até levar a PT a revisar os termos da aquisição", comentaram os analistas.
Mesmo que isso não aconteça, ajustes ainda necessários para a entrada da Portugal Telecom na estrutura da Oi e a perspectiva de que os acionistas minoritários serão diluídos ainda pesam sobre as recomendações dos papéis. O Citigroup, por exemplo, avalia que as incertezas ainda existentes em relação a qual será a fatia final com que a PT terminará são uma das razões para que a recomendação para os papéis permaneça em neutra.
Já a Fator Corretora diverge nas classificações para cada veículo de investimento na Oi. A recomendação é de compra, com preço alvo de R$ 50,00 para as ações ordinárias da Oi (TNLP3) - um upside de 54,56% em relação ao fechamento de 21 de dezembro - já que a companhia deverá ser comercialmente mais agressiva em 2011 após ter dedicado este ano ao aumento da rentabilidade de suas operações (as custas do market share, como lembrou Leonardo Nitta, do BB Investimentos). Já a Telemar Norte Leste tem recomendação de manutenção, com preço-alvo de R$ 70,00, um potencial de valorização de 45,41%.
Já a Brasil Telecom tem recebido destaque menor dos analistas após a incorporação não ter sido aceita, mas os papéis da companhia apareceram dentre as top picks do Barclays para 2011 na América. Michel Morin, do Barclays Capital, lembra que a empresa é negociada com desconto em relação aos seus pares e que o ingresso da PT no grupo controlador será um grande catalisador, porque aumentará a governança corporativa. Além disso, para o Barclays, um bom uso do dinheiro que ingressará com a capitalização seria a aquisição dos 51% que a Telemar ainda não possui na Brasil Telecom, com compra em dinheiro, e não por troca de ações.
Vivo e Telesp
Se a estrutura na Oi é complicada, ainda que promissora, com crescimento advindo principalmente dos acessos em banda larga e em telefonia móvel, a Vivo terá pela frente um ano em que serão focadas, provavelmente, questões internas, mais do que uma estratégia agressiva de mercado. "Há todo um processo de adequação de produtos e de montagem da estratégia que a Telefónica fará no ano que vem", projeta Leornardo Nitta, do BB Investimentos.
Isso porque, como lembra a Fator Corretora, em relatório, a Telefónica, com Vivo e Telesp, deverá também apostar na convergência de serviços para alavancar os resultados nos próximos anos. Mas, para poder oferecer esses serviços, será necessário juntar as operações. "Até mesmo porque as sinergias nos negócios, estimadas pela Telefónica entre € 3,3 bilhões e € 3,9 bilhões, só aparecerão quando forem unificadas as operações", lembra Nitta, do BB. No entanto, a relação de troca ainda não foi anunciada, já que o processo só deverá ser iniciado no segundo trimestre de 2011.
Assim, a Fator Corretora não levou em consideração, eu seu modelo de análise, a integração das operações das duas empresas, mas as duas companhias são suas favoritas no setor, ao lado da TIM (TCSL4). Para a Telesp, que tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 55,00 (potencial de valorização de 39,24%), a Fator enxerga esforço em continuar a oferecer serviços de valor adicionado e planos alternativos, mais econômicos, de telefonia fixa. "A iminente fusão com a Vivo deverá intensificar a oferta de serviços convergentes nos próximos anos", avaliam os analistas da corretora em relatório.
A Fator recomenda ainda compra da Vivo, que não só é líder no mercado de telefonia móvel como continua a investir em rede 3G para conseguir suportar maior volume de dados de banda larga também em plataformas móveis. O preço-alvo é de R$ 70,00 (upside potencial de 31,80%), e dentro da estratégia da Vivo para o próximo ano, além da continuidade dos três pilares citados acima, deverá aparecer a intensificação das políticas de retenção.
No entanto, para ambas as empresas, são esperadas margens operacionais estáveis. A redução da participação dos negócios de telefonia fixa convencional, mais rentável, pela Telesp deverá dificultar ganhos nesse sentido. Mas essa é uma realidade para o setor como um todo, salvo algumas exceções, como a TIM. Isso porque, explica a Fator, "se por um lado ainda há espaço para ganhos de escala, por outro a consolidação do ambiente competitivo e o lançamento contínuo de novos serviços inibirão aumento da rentabilidade operacional.
Banda larga é mais promissora
Ainda assim, a perspectiva é que o mercado de telefonia móvel continue a crescer, com cerca de 16 milhões de novas linhas em 2011, apesar de o Brasil ter atingido recentemente o patamar de uma linha por habitante. Nitta lembra, no entanto, que esses números também se referem a chips vendidos para máquinas de cartão de crédito, por exemplo, além de indíviduos com três linhas, uma de cada operadora.
De qualquer modo, será uma expansão menor do que o que foi observado em 2010. Já as perspectivas para a banda larga são mais promissoras. "O mercado de banda larga é a bola da vez tanto em telefonia fixa quanto móvel, porque é o business rentável", lembra Nitta. De acordo com o Ibope Nielsen Online, o número de usuários ativos de internet subiu para 41,6 milhões em agosto de 2010, um avanço de 17,2% frente ao mesmo período do anterior, como apontou a Fator. E a expectativa é que em 2011 esse crescimento continue acelerado.
Para tanto, o Plano Nacional de Banda Larga deve contribuir, mas o quanto ainda não é sabido. "O PNBL deve ganhar musculatura nesta nova gestão presidencial petista", avaliam os analistas responsáveis pelo relatório da corretora. No entanto, embora considere a ideia de levar acesso em banda larga a menores preços aos consumidores louvável, a Fator lembra que não foi definida ainda a participação das empresas de telecomunicações no Plano.
TIM é top pick
A TIM, por sua vez, aparece na contramão da tendência de convergência fixo-móvel, já que aposta todas as suas fichas na substituição da telefonia fixa pela móvel, como aponta a Fator Corretora. "A empresa também promoverá a convergência de serviços, mas reunidos sob uma única plataforma móvel". A julgar pela reação do mercado, a estratégia pode ser vencedora: o Citigroup, o JP Morgan, o Itaú BBA e a própria Fator selecionaram o papel como top pick no setor.
De um lado, está o fato de que a empresa não esteve associada a grandes eventos societários em 2010 e por isso sofrerá menos com esse tipo de incerteza no próximo ano. Além disso, a companhia passa por um bem sucedido plano de turnaround dos resultados, com aceleração da base de assinantes e lançamento de planos que agradaram ao mercado, como Infinity e Liberty.
Andre Baggio, do JP Morgan, destaca além do turnaround, ainda em curso, a taxa de crescimento maior do que de outras empresas do setor, aumento da presença como provedora de serviços de dados e menor exposição às taxas de terminação móveis (valor cobrado pela utilização da linha de outra operadora) mesmo se for considerada a combinação entre Vivo e Telesp. A Fator, que recomenda compra com preço-alvo de R$ 8,00 (potencial de valorização de 44,93%), indica que a aquisição da Intelig foi um importante catalisador para ganhos em rentabilidade justamente porque reduziu os gastos com aluguel de redes, além de criar novas oportunidades em negócios em longa distância.
Baggio, do JP Morgan, ainda afirma ser possível que a estimativa de ganhos seja elevada caso a companhia continue a ter sucesso em aumentar o número de adições líquidas sem pressionar a receita média por usuário e reduzir despesas com propaganda. Por outro lado, a companhia enfrenta riscos principalmente com a necessidade de mais investimentos para suprir a falta de recursos destinados à expansão da faixa 3G no passado, por exemplo. "Eles terão que investir em rede, a maior deficiência da TIM", aponta Nitta, do BB.
A Fator lembra, por exemplo, que é possível que no futuro a companhia tenha que antecipar novo ciclo de investimentos para aumentar a capacidade de rede e implementar novas tecnologias.
Mais competição após leilão da banda H
Além disso, a TIM também enfrentará um ambiente mais competitivo no próximo ano, o que vale para as outras companhias do setor. Na última terça-feira (14), a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) iniciou o leilão para venda de lotes da banda H e, no primeiro dia, a agência negociou 13 lotes, dos quais 11 foram arrematados pela Nextel. Desse modo, o Brasil passou a ter um quinto competidor em serviços móveis pessoais, acrescentando concorrência a um ambiente já bastante competitivo, como lembraram Carlos Constantim, Marin Lara, Susana Salaru e Rodrigo Correa, do Itaú BBA.
O impacto, ao menos no curto prazo, não deverá ser negativo, avaliam os analistas do Itaú, já que a Nextel precisará de tempo para implementar rede e conseguir escala. Ainda assim, 2011 será um ano mais agressivo, segundo Nitta, do BB, com companhias aumentando investimentos.
Vale lembrar ainda que a GVT deverá iniciar operações no primeiro semestre nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Embora não ofereça todos os produtos, o que é uma deficiência, o analista do BB Investimentos elogiou a banda larga da companhia, toda baseada em cabos de fibra óptica, o que deverá contribuir para movimentar o mercado.
Net: estável até leilão
No setor, a Net (NETC4) é a única que recebeu recomendação de venda pela Fator Corretora, com preço-alvo de R$ 25,00 (upside potencial de 9,6%). As perspectivas em termos operacionais permanecem positivas para a Net, com crescimento tanto da TV por assinatura quanto de banda larga e voz. No entanto, desde que a Embratel teve êxito em adquirir mais de dois terços das ações em circulação da Net, houve significativa perda de liquidez das ações. "O preço da operação, de R$ 23,00, deve continuar a balizar o comportamento dos papéis da companhia até seu iminente fechamento de capital, que deve ocorrer após a aprovação do PLC 116", declararam os analistas da Fator.
A Fator considera que as chances de aprovação do Projeto de Lei em 2011 são grandes, já que a tramitação no Senado tende a ser mais rápida que na Câmara. O projeto unifica a regulamentação da TV paga e permite que empresas de telecomunicação ofereçam serviços de TV por assinatura, o que permitirá à Embratel, caso seja aprovado, assumir o controle da Net, o que atualmente não é previsto em lei.
As ações, assim, deverão permanecer arbitradas ao preço da oferta até 13 de janeiro do próximo ano, já que a Embratel estendeu a oferta, nas mesmas bases, aos acionistas remanescentes.
Perspectivas para 2011 de transporte e logística seguem favoráveis
Com forte correlação ao desempenho econômico do País e em meio à necessidade de fortes investimentos na área de infraestrutura nos próximos anos, as empresas de transportes, logísticas e concessões rodoviárias têm grandes chances de manterem em 2011 o bom desempenho visto ao longo de 2010 - com exceção da ALL (ALLL3, -52,18%) e da LLX (LLXL3, -50,97%), todas as ações voltadas a esses setores registram um desempenho acima do Ibovespa.
Com as projeções mais recentes do Focus mostrando que o PIB (Produto Interno Bruto) deverá continuar crescendo em 2011, o transporte e circulação de cargas deverá manter o bom ritmo apresentado como forma de abastecer a economia. Além disso, eventos como a Copa do Mundo em 2014 e as Olímpiadas do Rio em 2016 deverão trazer investimentos em estradas e rodovias, assim como aumentar a demanda no transporte aéreo.
Para o transporte aéreo, o cenário continua favorável, embora 2010 tenha mostrado que os gargalos em infraestrutura precisam ser reparados com certa urgência. Já para as concessionárias, o volume de tráfego deverá manter-se forte em 2011, embora os níveis esperados devam ficar abaixo do que foi visto em 2010 - acompanhando a desaceleração prevista para o País. Já para as empresas de logística, o otimismo fica com aquelas voltadas para o segmento de portos e navegação costeira, que deverão registrar forte evolução, acompanhando a melhora do comércio internacional do Brasil.
Por se tratar de segmentos distintos, dividiremos a matéria em três dos pontos mais citados pelos analistas:
Companhias Aéreas
Concessionárias e transporte rodoviário
Logística hidroviária
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Companhias aéreas
2010: demanda boa, resultados nem tanto
Embora o setor tenha se beneficiado pela crescente demanda de passageiros, o ano de 2010 também deixou evidente os problemas enfrentados pelas companhias aéreas. Para a Fator Corretora, o principal desafio será conciliar essas duas variáveis da melhor forma possível. "Em 2011, as empresas aéreas devem equilibrar a continuidade do crescimento da demanda com gargalos de infraestrutura aeroportuária", explica a equipe da corretora, formada pelos analistas Jacqueline Lison, Luiz Guilherme Fonseca e Matheus Renault.
Além disso, o trio de analistas explica que, embora as companhias aéreas tenham visto uma evolução na demanda neste ano, seus resultados operacionais não conseguiram refletir esse cenário positivo. Isso ocorreu, na visão deles, por conta de três fatores. O primeiro foi a maior competição no mercado doméstico. "TAM e GOL perderam participação de mercado para pequenas companhias, em especial para a Azul, que em outubro aumentou seu market share para 5,7% de 3,5% no mesmo período do ano anterior", ressaltam. No mesmo mês, TAM e GOL ocupavam uma fatia de 42,6% e 40%, respectivamente, do mercado brasileiro.
O segundo fator levantado por Lison, Fonseca e Renault foi a renovação da frota, que ganhou forças nesse ano por conta do cenário mais favorável para obtenção de crédito, e deverá se manter em 2011. O terceiro ponto que prejudicou os números de 2010 foi o aumento dos custos de combustível, em virtude do rali de alta da commodity visto no mercado internacional.
2011: cenário positivo, com consolidação continuada
Para a Fator, a demanda do setor aéreo deverá permanecer aquecida em 2011, seguindo o crescimento econômico nacional. Além disso, o processo de consolidação iniciado em 2010, que teve seu ápice com a fusão de atividades entre a TAM e a Lan Chile,anunciada em agosto, pode se estender. "Esse movimento deve continuar nos próximos anos e a tendência é de que haja maior concentração em grandes grupos, formados por fusões", projetam os analistas.
Além das fusões, também é esperado que o processo de parcerias e associações continue ocorrendo nos próximos anos, o que é bastante positivo para as companhias aéreas, afirmam Lison, Fonseca e Renault. Em 2010, a TAM anunciou sua integração à rede Star Alliance, além de iniciar o acordo de code share com a Continental Airlines e ampliar os acordos existentes com Lufthansa, US Airways, ANA, Swiss e Trip.
Já a GOL assinou no ano o acordo comercial para a venda de passagens da NOAR, empresa brasileira de aviação regional, além de ter aderido à IATA (International Air Transport Association) e de ter entrado com pedido junto às autoridades brasileira e norte-americana para a implementação de code share com a Delta Airlines.
Mas atenção aos gargalos!
Contudo, para que esse cenário favorável de maior demanda de fato se consolide, as empresas aéreas precisam enfrentar o sério problema de gargalos de infraestrutura. Em agosto, os funcionários da GOL acusaram a companhia de desrespeitar a Lei do Aeronauta, por conta do excesso de horas trabalhadas para amenizar os diversos atrasos e cancelamentos de voos da época.
Já a TAM viu esses problemas chegarem ao seu ponto mais alto no final de novembro, quando a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) restringiu a empresa de vender passagens domésticas, devido à série de atrasos e cancelamentos de voos.
Contudo, os analistas do setor esperam que parte dos investimentos a serem destinados para importantes eventos que irão ocorrer no País, tais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas em 2014 e 2016, respectivamente, deva ser destinada para a melhora desses problemas de âmbito estrutural. No PAC 2, segundo parte do Programa de Aceleração do Crescimento, estão previstos gastos de R$ 3 bilhões em infraestrutura aeroportuária.
"Enquanto essas obras não saem do papel, as empresas deverão continuar a contornar os gargalos de infraestrutura pela formação de hubs em aeroportos ainda ociosos", frisam Lison, Fonseca e Renault.
Projeções da Fator Corretora
Ação Recomendação Preço-alvo 2011 Uspide*
TAMM4
Manutenção R$ 45,00 47,59%
GOLL4
Compra R$ 37,00 9,41%
*Baseado na cotação de fechamento da última terça-feira (18)
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Concessionárias e transporte rodoviário
2011: forte volume, mas aquém de 2010
Assim como para as companhias aéreas, o ano de 2010 também foi de forte crescimento no tráfego das concessões rodoviárias, tendo em vista sua estreita relação com o nível de atividade da economia brasileira. Além disso, ele deverá ser um dos grandes alvos de novos investimentos previstos para infraestrutura, tendo em vista que 60% da produção nacional é transportada pelo modal rodoviário.
Segundo a analista de concessões da Ativa Corretora, Mônica Araújo, os investimentos estimados para as obras para a Copa do Mundo giram em torno de R$ 86 bilhões. Além disso, as estimativas iniciais apontam que serão necessários US$ 14,4 bilhões para financiar as Olimpíadas no Rio de Janeiro.
"Acreditamos que o setor de infraestrutura, mais precisamente o de transportes, terá prioridade nessa nova fase de investimentos estruturais no Brasil visando não somente os eventos de nível internacional mas também dar sustentação a um novo nível de atividade em alguns setores, tais como petróleo, mineração e logística", ressalta a analista Ativa.
Já o analista da Fator Corretora, Sami Karlik, acredita que as perspectivas permanecem positivas para as concessionárias. Contudo, ele afirma o volume de tráfego rodoviário deverá mostrar desaceleração frente a 2010, acompanhando a desaceleração do ritmo de crescimento do País. A mesma tendência deverá ser vista nas ferrovias, cujo comportamento está diretamente relacionado ao mercado de commodities, o qual deverá mostrar-se estável frente a 2010.
Nesse cenário, Karlik destaca a Tegma (TGMA3), que pode vir a anunciar novas aquisições no segmento de serviços logísticos em setores diferentes do automotivo, com o objetivo de diversificar sua operação. A recomendação do analista da Fator para as ações da companhia é de manutenção.
Licitações de rodovias e aeroportos
Além disso, um evento que ocorreu poucas vezes nesse ano mas que deverá aumentar sua frequência em 2011 é a licitação de rodovias. "Em 2010, apenas duas licitações foram efetivadas; uma na Bahia (sistema rodoviária BA 093) e os trechos Sul e Leste do RodoAnel (São Paulo)", ressalta Mônica. Para ela, apesar de todo o potencial existente ainda de rodovias com capacidade de serem licitadas, o baixo número de eventos desse tipo reflete o ano eleitoral.
Dentre as oportunidades esperadas, Karlik chama atenção para os programas de concessões rodoviárias esperados, como o de Minas Gerais e de São Paulo, bem como as licitações de aeroportos, com o Antonio Carlos Jobim (RJ), o Viracopos (SP) e o Internacional São Gonçalo do Amarante (RN) entre os principais candidatos.
"O setor certamente será sacudido com uma série de oportunidades que devem ser implementadas a partir de 2011", complementa a analista da Ativa.
Atenção às concessões federais!
Contudo, os analistas destacam as concessões federais da Bahia e de Minas Gerais, que preveem mudanças na normalidade dos projetos, podendo inclusive o conceito de TIR (Taxa Interna de Retorno) variável, ou seja, com revisão de tarifas a cada cinco anos, explica Karlik.
Já Mônica destaca que as concessões antigas previam uma TIR próxima de 20% ao ano, enquanto que as últimas indicam uma taxa entre 6% e 8% ao ano. "Esse é um fator importante que tem gerado desconforto entre o poder concedente e as concessionárias, não somente pela possibilidade de revisão das cláusulas dos contratos antigos como pela expectativa de menor retorno nas novas licitações, em especial em concessões rodoviárias", explica.
CCR: top pick do setor
Em meio ao cenário esperado para o ano que vem, a analista da Ativa acredita que no ramo de concessões a CCR (CCRO3) é a melhor posicionada para colher benefícios, mantendo-a como top pick do setor. A ação também é a preferida pelo Bank of America Merrill Lynch, que destaca o desempenho abaixo da média do mercado desses ativos em 2010, o que indica uma boa oportunidade de entrada.
Além disso, os analistas Renato Mimica e Sara Delfim, que assinam o relatório do banco, também destacam a proteção que esse segmento possui contra a inflação. Segundo a dupla de análise, CCR, OHL (OHLB3) e EcoRodovias (ECOR3) possuem 47%,44% e 41%, respectivamente, de suas receitas atreladas ao IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado). Vale mencionar que, embora o papel CCRO3 seja o preferido deles, as outras duas ações citadas também têm recomendação de compra.
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Logística hidroviária
Portos e navegação costeira deverão se destacar em 2011
As premissas adotadas para essas empresas acabam sendo praticamente as mesmas vistas para as concessionárias: a forte correlação com a economia brasileira deverá manter esse segmento de negócio em crescimento em 2011, além de também ter grande possibilidade de tirar proveito dos robustos investimentos em infraestrutura esperados para os próximos anos.
Contudo, as perspectivas dos analistas para as empresas responsáveis pelo transporte mostram-se mais favorável. "Acreditamos em maiores crescimentos para as empresas dos segmentos de portos e navegação costeira com aumento do fluxo de comércio internacional", ressalta Karlik, da Fator Corretora. "Este é o principal meio de transporte para o comércio exterior", complementa Mônica, da Ativa.
Para ele, o volume de contêineres vindo de fora para dentro do Brasil deverá aumentar no próximo ano, acompanhando a trajetória de desvalorização do dólar. Além disso, a forte participação da malha rodoviária na economia nacional, embora traduza-se em maiores investimentos recebidos, inibe seu potencial de crescimento, cenário exatamente oposto ao da malha hidroviária.
Por fim, destaque para a possibilidade de que os terminais portuários também se tornem alvo de licitação em 2011."Com o Decreto Presidencial que entrou em vigor em 30 de outubro, o País passou a ter um plano de outorga para o segmento portuário. Com isso, surgirão oportunidades levantadas pelo Governo Federal e o setor privado", explica o Karlik, destacando as licitações previstas do terminal de granéis de Ilhéus e do terminal de contêineres de Manaus.
Compra para Santos Brasil, Wilson Sons e Log-in
Em meio a esse cenário, tanto a Ativa quanto a Fator demonstram bastante otimismo aos papéis das três empresas com atuação nesse mercado - Santos Brasil (STBP11), Log-in (LOGN3) e Wilson Sons (WSON11) -, com ambos recomendando a compra dos três ativos.
O destaque principal fica com a Santos Brasil. Mônica, da Ativa, destaca que a empresa possui 49% da participação de mercado no Porto Santos, além de também responder por 40% do volume de conteinerês dos portos brasileiros. "É a nossa top pick", exalta a analista. Já Karlik, da Fator, destaca que a companhia é a principal candidata para o arrendamento do Terminal da Prainha, localizado no Porto de Santos, caso ele de fato entre em processo de licitação.
Ações do setor de educação devem ser guiadas em 2011 por crédito e aquisições
Depois de uma pausa em 2009, por conta dos impactos da crise financeira, o setor de educação continuou em 2010 seu processo de consolidação, encerrando este ano com pelo menos três eventos marcantes para as empresas listadas em bolsa:
Aquisição da IUNI pela Kroton;
Venda do negócio de sistema de ensino do SEB para a Pearson;
Saída da família Uchoa do controle acionário da Estácio Participações.
Além da retomada da agenda de fusões e aquisições, o crescimento da economia brasileira, a queda do nível de desemprego e aumento da renda média da população foram o motor do setor em 2010, proporcionando a expansão do número de alunos, sobretudo no EAD (Ensino à Distância), pós-graduação e sistemas de ensino, conforme análise da Fator Corretora.
E para 2011? Quais são as perspectivas para o setor de educação e para as ações de Anhanguera Educacional (AEDU3), Kroton (KROT11), Estácio Participações (ESTC3) e Pearson Sistemas do Brasil (SEBB11)?
Projeções para o setor
“Para 2011, as perspectivas permanecem positivas. A continuidade do ambiente econômico favorável e o maior acesso ao crédito estudantil deverão impulsionar a captação, reduzir a inadimplência e evasão e favorecer a retenção de alunos”, projeta a equipe da Fator, que destaca o Fies (Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) como principal driver do setor nos próximo anos.
As alterações do Fies em maio deste ano, através do qual os estudantes poderão ter acesso a crédito com juros de 3,4% ao ano (antes entre 6,5% até 9% ao ano), foram aprovadas neste mês pelo Plenário e agora seguem para a avaliação do Senado, com sessão marcada para o ano que vem.
Segundo a Itaú Corretora, o setor educacional será beneficiado com a medida, uma vez que se espera o aumento do acesso ao ensino superior pela classe de baixa renda, destaque em 2010 pelo crescente poder de compra. A medida “deverá ter papel relevante no crescimento do setor nos próximos anos”, afirma a Fator.
Além da nova onda de aquisições no ensino superior, a exemplo de 2010, o próximo ano deverá consolidar os sistemas de ensino na educação básica (fornecimento de material didático e métodos de ensino para escolas públicas e privadas) como a bola da vez do setor, revela a Fator.
Junto ao sistema de ensino, três outros segmentos vêm se destacando com crescimento acima da média: ensino profissionalizante, EAD e pós-graduação. Nos quais as empresas devem focar seus investimentos em 2011. “O programa do governo (...) elegeu o ensino profissionalizante como uma de suas prioridades e esse deverá continuar a avançar a taxas superiores às do ensino médio nos próximos anos”, prospecta a Fator.
De olho nas ações
Anhanguera Educacional
Vinda de uma oferta pública de ações, através da qual captou R$ 844,1 milhões (sem o exercício do lote suplementar), a empresa vem colocando em prática seu plano de expansão, a que o investidor deverá ficar muito atento em 2011, principalmente com relação ao grau de alavancagem da companhia.
“A Anhanguera é a história mais desenvolvida e a companhia mais líquida no espaço educacional brasileiro”, frisa o Itaú. Mas, por trás deste cenário, a S&P (Standard & Poor´s) destaca alguns riscos estruturais para 2011.
Segundo a agência, os riscos de integração e execução derivados do plano de expansão da empresa serão os principais desafios que a Anhanguera administrará no próximo ano. Contudo, “as perspectivas favoráveis de crescimento para o setor de ensino universitário no País atenuam parcialmente esses riscos”, avalia a S&P.
A crescente participação da Anhanguera nos negócios de ensino à distância também é elogiada pela agência de classificação de risco, uma vez que “incrementa seu volume total de receita, possibilitando-lhe uma expansão com um menor comprometimento de capital”, finaliza.
Com relação aos ratings da companhia, a S&P deixa sua visão bem clara: “os ratings poderão ser rebaixados se a Anhanguera apresentar um aumento na alavancagem acima do esperado (...) bem como se houver uma queda nos lucros, e se a liquidez se enfraquecer, incrementando assim os riscos de refinanciamento. Uma elevação nos ratings dependeria de um avanço consistente no perfil financeiro da Anhanguera e de uma estratégia de expansão menos agressiva que lhe permitisse reduzir a alavancagem”.
Para os papéis ordinários da empresa, o Itaú sugere preço-alvo de R$ 34,30 ao final de 2011, valor inferior aos R$ 39,50, fechamento do ativos na última terça-feira (21), sugerindo que a ação encontra-se acima do seu preço justo.
Kroton
Passada a execução dos projetos de integração e otimização de custos provenientes da compra da IUNI, cujos ganhos devem aumentar as margens da companhia nos próximos anos, como projeta o Itaú, 2011 será um ano de “colher os frutos” para a Kroton.
Segundo a Fator, a empresa deverá registrar um aumento mais robusto na captação de alunos no ensino superior, sobretudo pela criação de novos cursos nos campus existentes, e poderá voltar às compras, mas focada em unidades de menor porte.
Outro ponto que chama atenção na estrutura orgânica da Kroton é que ela é a única empresa de capital aberto do setor que detém sistema de ensino (Pitágoras), lembra a Fator, que não descarta a venda da rede de ensino, “ultimamente muito valorizado”.
De olho no preço-alvo aos ativos, a Fator sugere target de R$ 26,00, enquanto o Itaú projeta R$ 20,90, garantindo upside de 32% e 7%, respectivamente, frente terça-feira.
Estácio Participações
Após a mudança da base acionária, a empresa focou neste ano na sua reestruturação, com esforços positivos na redução do custo docente, o que, segundo a Fator, resultou em uma melhora da eficiência operacional.
Com o plano bem sucedido, a equipe da corretora acredita na retomada mais vigorosa do crescimento do número médio de alunos, por conta dos fatores setoriais apontados, e na capitalização com a oferta pública de ações, opinião dividida pela Coinvalores.
Com relação ao preço-alvo dos papéis, Fator e Coinvalores projetam target de R$ 30,00, enquanto o Itaú estima R$ 28,60.
Pearson Sistemas do Brasil
A Pearson Sistemas do Brasil, nova denominação da SEB após a venda das operações relativas ao segmento de ensino, segue na expectativa da aprovação por parte da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) das ofertas públicas de aquisição de ações, fato que movimentou o papel em 2010 e que será o driver no próximo ano.
No acordo, foi estabelecido que os acionistas minoritários do SEB poderão receber R$ 31,00 por unit, em duas ofertas públicas de aquisição que serão realizadas. A Pearson assumiu a obrigação de efetivar uma oferta pública de aquisição das ações de emissão da companhia por R$ 22, mesmo valor ofertado aos controladores. Estes, por sua vez, têm intenção de realizar uma OPA das ações de emissão da Nova SEB, com preço de R$ 9 por unit - equivalente à diferença entre o valor do patrimônio líquido estabelecido durante a operação e a OPA da SEB.
Atualmente, as units da SEB valem exatos R$ 31,00, com o mercado já precificando a oferta de ações. Agora, resta aos investidores e controladores aguardar o laudo da CVM e desfrutar da estrutura remanescente da Pearson Sistemas do Brasil.
Em 2011, restrição na oferta e demanda chinesa devem guiar setor de agronegócios
Em meio ao clima de pressão trazido pelos humores do mercado internacional, assim como pela capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4) e pela competição externa no setor siderúrgico, o ano de 2010 trouxe muitas incertezas aos segmentos ligados a commodities. Inserido neste ambiente arriscado, o setor de agronegócios, porém, traz percepções otimistas para 2011, em decorrência dos eventos favoráveis ocorridos neste ano.
Um dos principais vetores para as ações do setor de agronegócio no próximo ano ficará por conta da menor produção de grãos. Segundo as últimas estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão ligado ao Ministério da Agricultura brasileiro, a safra brasileira de milho, por exemplo, será de 55,9 milhões de toneladas em 2010, ao passo que em 2011 este número deverá sofrer uma redução de 5,8%, para R$ 52,7 milhões.
Outro importante componente do setor, a soja, deverá apresentar uma safra ligeiramente maior em 2011. Os dados da Conab apontam que neste ano serão 68,6 milhões de toneladas da commodity agrícola produzida no País, enquanto que este número atingirá 69,0 milhões de toneladas no próximo ano, o que configura um leve incremento de 0,5%.
Apesar desta perspectiva, os analistas Debbie Bobovnikova e Lucas Ferreira, do JP Morgan, avaliam que o próximo ano guarda uma expectativa de alta de preços e crescente demanda. Na China, o consumo de grãos tende a continuar forte, enquanto os atuais estoques de empresas brasileiras já estão baixos. Todos estes fatores, juntos, contribuem para a estimativa do banco de elevação nos preços dos grãos em 2011.
Adicionalmente, há a perspectiva de que uma queda no abastecimento já iniciada em 2010 por conta do fenômeno La Niña (fenômeno que causa o resfriamento anormal das águas do oceano) também siga acarretando a alta de preços no próximo ano.
Fertilizantes: um mercado em alta
Consolidação das operações da Vale Fertilizantes
SLC Agrícola: boa aposta para 2011
Preços do açúcar continuam altos, mas só no curto prazo
2011 será de recuperação para a Tereos
São Martinho: preços fortes fundamentos farão a diferença no próximo ano
Cosan: alcoolduto será o principal driver de 2011
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Fertilizantes: um mercado em alta
Enquanto a produção de grãos tende a diminuir no próximo ano, o segmento de fertilizantes deverá ter um 2011 de contínuo crescimento. De acordo com o analista Rodrigo Fernandes, do Banco Fator Corretora, o ambiente favorável de crescimento da demanda e aumento de preços dos principais grãos pode influenciar a decisão de plantio da próxima safra e resultar em maior consumo de fertilizantes. "No médio e longo prazos, as perspectivas são favoráveis em função da crescente demanda global por commodities agrícolas, com destaque para o uso em produção de proteína animal", disse.
De acordo com a Conab, o consumo de fertilizantes deve aumentar entre 3% e 5% em 2011 sobre o volume previsto de entregas para este ano, de 23 milhões de toneladas, em função das melhores condições de mercado durante a época de plantio e aumento de produção de cana-de-açúcar.
Além disso, Fernandes avalia que um outro fator que pode afetar positivamente o segmento de fertilizantes no próximo ano será a manutenção da política de concessão de crédito para custeio. "O volume de recursos destinado à safra 2010/2011 deverá crescer, o que melhora as condições para o aumento da compra de fertilizantes", disse.
Consolidação das operações da Vale Fertilizantes
Grande player no setor, a Vale Fertilizantes (FFTL4) está bem posicionada para aproveitar o contínuo avanço ao segmento de fertilizantes, segundo a Fator. Fernandes avalia, contudo, que o movimento de consolidação dos ativos de fertilizantes da Vale (VALE3, VALE5) ainda não está definido. "As incertezas sobre o processo podem exercer pressão sobre o preço da ação", disse.
A companhia também poderá sofrer pressão do ambiente de preços. Isso porque a crise financeira de 2008 e 2009 atrasou os planos de investimentos em praticamente todas as linhas de fertilizantes, mesmo assim, a expectativa é de oferta crescente, baseada no aumento da utilização da capacidade instalada e não na maior capacidade, o que pode trazer pressão por aumento de preços.
No entento, segundo Fernandes, "a possibilidade de adiamento de projetos de expansão, aliada à recuperação de demanda e ao baixo nível dos estoques, é positiva para os preços, mas o atual equilíbrio entre a oferta e a demanda deve limitar o aumento dos preços dos fertilizantes e das principais matérias-primas".
Cabe ressaltar ainda que a valorização do real pesa negativamente sobre a Vale Fertilizantes, uma vez que o preço dos produtos finais é negociado em dólar, enquanto apenas parte dos custos é indexada à variação cambial. Mesmo assim, a Fator destacou que as perspectivas são favoráveis e apontam para um mercado estabilizado e crescimento moderado em 2011. "Porém, será necessário acompanhar o impacto da taxa de câmbio sobre a rentabilidade e a produção da empresa", completou Fernandes.
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Recomendações
Link Investimentos
Empresa Recomendação Preço-alvo*
São Martinho ON
Market Perform2 R$ 26,00
Cosan ON
Outperform1 R$ 33,00
HSBC
Cosan ON Overweight1 R$ 34,00
SLC Agrícola ON
Neutro R$ 25,00
São Martinho ON Neutro R$ 25,00
Citigroup
São Martinho OM Manutenção --
Itaú BBA
Cosan ON Outperform R$ 34,00
São Martinho ON Outperform R$ 25,70
JP Morgan
SLC Agrícola ON Overweight R$ 25,00
Credit Suisse
Vale Fertilizantes PN
Outperform R$ 24,00
Banco Fator Corretora
Vale Fertilizantes PN Manutenção R$ 21,00
* Para o final de 2011
1 Desempenho acima da média do mercado
2 Desemprenho em linha com a média do mercado
SLC Agrícola: boa aposta para 2011
De olho no cenário favorável, o JP Morgan destacou que a SLC Agrícola (SLCE3) é uma boa aposta para 2011, ao observar um ponto de entrada atraente para os investidores, dados os benefícios que a companhia deve incorporar diante do rali de alta do mercado de grãos no próximo ano.
"Após dois meses de valorização, quando as ações cresceram 17% e 15%, em novembro aconteceu uma realização dos lucros", disse a analista Mariana Peringer, do Banco do Brasil Investimentos. Para ela, o cenário atual beneficia a SLC Agrícola, devido aos altos patamares das commodities. "No segundo trimestre, a empresa comprou fertilizantes por preços mais baixos, colocou na terra e esperou que os grãos crescessem. Agora, com a tendência de alta dos preços, o spread tende a ser superior", completou.
Os analistas Debbie Bobovnikova e Lucas Ferreira, do JP Morgan, acreditam que o melhor momento para as ações deve se mostrar logo no primeiro trimestre do próximo ano. Segundo a dupla, a perspectiva de aumento de preços e lucros pode ser um forte catalisador para os papéis. "A SLC terá uma invejável combinação de baixos custos de base e altos preços de venda em 2011, o reverso da tendência de 2010", afirmam em relatório.
"A tendência de preços de commodities é de alta. Antes, o setor petrolífero impactou os fundamentos do setor, que agora se recupera", diz a analista do Banco do Brasil. Mariana guarda certo ceticismo em relação à continuidade da tendência de ganhos, mas acredita que os papéis da SLC apresentam-se como " uma boa opção para quem acredita no crescimento de commodities".
Somado a isso, apesar de representar riscos para os preços já realizados da SLC, o fenômeno La Niña traz uma pequena chance de queda de volume produzido no próximo ano para a empresa. Isto decorre do posicionamento de suas fazendas na região central e nordeste do País. Enquanto isso, o fenômeno costuma atingir as plantações do sul do Brasil e Argentina.
Outro catalisador importante para a SLC Agrícola em 2011 será a LandCo, uma empresa criada pela companhia para comercializar áreas rurais no Brasil. Para Pedro Herrera e Diego Maia, do HSBC, porém, este é um projeto que não deve ser concluído em breve. Isso porque a LandCo foi recentemente adiada pela SLC, uma vez que a própria companhia e os investidores avaliam as iniciativas do governo para aplicar leis sobre a posse de terras agrícolas por estrangeiros no Brasil. A SLC acredita que a transação seja concluída ainda no próximo ano.
Cabe destacar que, segundo a SLC, ela contribuirá com 80 mil hectares de terras para uma participação de 51% na LandCo, sendo que os 49% restantes serão vendidos a investidores estrangeiros. A nova empresa espera captar nesta operação cerca de US$ 400 milhões, os quais serão utilizados na aquisição de aproximadamente 150 mil hectares de terras na região de Mapito, entre os estados do Maranhão, Piauí e Tocantins.
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Preços do açúcar continuam altos, mas só no curto prazo
Acompanhando a oscilação das commodities como um todo, os preços do açúcar têm sofrido forte volatilidade nos últimos meses. No início deste ano, estavam cotados na casa de US$ 30,00/libra, chegando em meados de 2010 aos US$ 14,00/libra e se aproximando novamente em novembro da casa dos US$ 30,00/libra. Atualmente estão em US$ 28,00/libra.
De acordo com Herrera e Maia, a atual cotação desta commodity agrícola é justificada pela perspectiva de que a safra de açúcar no Brasil em 2011/2012 não será maior do que a do ano passado, com a melhor expectativa sendo de estabilidade na comparação anual em termos de volumes. Além disso, o preço atual do açúcar também é justificado pelos atuais níveis dos estoques globais, que estão significativamente menores que as médias históricas, na visão dos analistas.
Contudo, para o longo prazo, o HSBC avalia que os preços do açúcar no nível de US$ 28,00/libra não são sustentáveis. "Embora exista uma possibilidade de preços mais altos considerando os baixos níveis de estoque e a produção estável no Brasil (maior exportador), acreditamos que os níveis atuais não são sustentáveis no longo prazo, devido a três fatores: os fundamentos da Índia são balanceados com um potencial para um pequeno superávit para exportação; a produção brasileira deve se manter de estável a marginalmente menor na comparação anual, mas ainda próxima a níveis recordes; e os outros catalisadores para os preços do açúcar são relativamente inócuos e não recorrentes no curto prazo", disseram.
2011 será de recuperação para a Tereos
Depois de um 2010 conturbado, as perspectivas são de que a Tereos (TERI3), controladora da Açúcar Guarani, mostre recuperação ao longo do próximo ano. Segundo a equipe de análise da Ativa Corretora, liderada por Luciana Leocadio, a holding internacional vem sendo penalizada pela produção europeia de amido, pressionada pelo câmbio e pelo preço do milho e do trigo. "Acreditamos que a queda das ações da empresa seja exagerada e que ela tenda a se recuperar no curto prazo".
Cabe destacar ainda que o mercado recebeu negativamente a reorganização societária anunciada pela empresa no início do segundo trimestre deste ano, penalizando os papéis da companhia. Na operação, a TP (Tereos Participations) passou para a TAI (Tereos Agro-Industrie) todas as 226 milhões de ações que possuía na companhia, cerca de 33,11% de seu capital social.
Além disso, também foram incluídas na operação as 495,4 milhões de cotas que a TP possuía na Tereos do Brasil Participações, correspondentes a 99,99% do capital social e votante da companhia. Vale lembrar que a Tereos do Brasil detém uma fatia de 4,49% na Tereos Internacional. Ao mesmo tempo, a empresa informou que a Tereos “aumentou a participação acionária na TP, com a contribuição das ações que possui na TAI, correspondendo a cerca de 5% do capital votante e total das ações da TAI”.
Como se isso não bastasse, a Tereos registrou prejuízo de R$ 19 milhões no segundo trimestre fiscal de 2011. A diferença no calendário de divulgação de resultados se dá em função da safra do setor sucroalcooleiro. A companhia registrou no período crescimento de 12,5% da receita em relação ao mesmo período do último ano, atingindo R$ 1,498 bilhão. Houve ainda um crescimento do Ebitda (geração operacional de caixa), totalizando R$ 226 milhões.
Contudo, apesar do crescimento do Ebitda, houve uma redução da margem do indicador em relação à receita líquida, de 16,8% para 15,1%. Dessa forma, o prejuízo líquido foi de R$ 19 milhões, enquanto no mesmo período do último ano a companhia registrara lucro de R$ 87 milhões. Para a equipe da Ativa, porém, o melhor cenário ao setor sucroalcooleiro em 2011 deve fortalecer uma retomada para as ações da empresa, que também deverá apresentar recuperação nas margens.
São Martinho: preços fortes fundamentos farão a diferença no próximo ano
Destacando os fortes fundamentos da companhia como um diferencial para 2011, a equipe do HSBC acredita que a São Martinho (SMTO3) é a empresa mais eficiente do setor e única companhia listada em bolsa que continua sendo uma aposta no segmento de açúcar e etanol do Brasil.
De acordo com Herrera e Maia, a maior aceitação do etanol brasileiro no mercado norte-americano, mesmo que a um ritmo bem demorado, pode ser um vetor positivo para a companhia no futuro. Nos últimos anos, a exportação do etanol permaneceu estável em consequência das tarifas de importação e outras medidas protecionistas por parte dos Estados Unidos e da Europa, além dos principais consumidores potenciais, Índia e China, não terem focado ainda questões tangíveis associadas com o uso crescente destes combustíveis renováveis.
Apesar disso, os analistas destacaram que a Agência de Proteção Ambiental norte-americana aprovou recentemente um aumento na mistura de etanol na gasolina nos EUA, para 15% ante os atuais 10% para veículos leves fabricados a partir de 2007. "Embora a implementação total do E15 possa levar algum tempo, acreditamos que está é uma notícia positiva para os produtores de etanol no Brasil, uma vez que as perspectivas de exportação aumentam substancialmente", disseram.
Cosan: alcoolduto será o principal driver de 2011
Com boas perspectivas alimentadas pelo projeto do novo alcoolduto, a Cosan (CSAN3) deverá ter um 2011 positivo, na análise de Paula Kovarsky, Giovana Araújo e Diego Mendes, do Itaú BBA. A companhia assinou um termo de compromisso com a Petrobras (PETR3, PETR4), Camargo Corrêa, a Copersucar, a Odebrecht Transport Participações e a Uniduto para estabelecer uma associação a fim de construir e operar um alcoolduto. Cada empresa terá uma parcela de 20% no projeto, com exceção da Camargo Corrêa e da Uniduto, que possuirão 10% cada.
"Vemos a diversificação dos negócios da Cosan em logística como positiva, apesar do fato dos fundamentos econômicos do alcoolduto ainda precisam ser comprovados", disseram os analistas do Itaú. "Até agora, a Cosan não forneceu nenhuma informação sobre os fundamentos econômicos do alcoolduto. Nada foi comentado sobre o capex, programação, volumes, etc. Apesar disso, a participação da Cosan no alcoolduto possui um valor estratégico. No final, a companhia desempenhará um papel importante na logística brasileira de etanol e de açúcar (através da Rumo)", completaram.
Segundo Paula, Giovana e Mendes, o alcoolduto também representa uma notícia positiva para o setor sucroalcooleiro. Os analistas acreditam na construção rápida do projeto, uma vez que ele será realizado por uma única companhia. Além disso, eles ressaltam que a participação da Cosan, da Petrobras e da Uniduto nesta companhia provavelmente vai garantir que o alcoolduto seja instalado próximo das novas fronteiras da cana-de-açúcar, como Goiás, onde tanto a Cosan quanto a São Martinho possuem usinas.
"A lógica para o alcoolduto é a de melhorar a logística no mercado doméstico, juntamente com a logística das exportações. Nesse sentido, acreditamos que o alcoolduto provavelmente irá reduzir os custos de logística e melhorar a competitividade do etanol. O alcoolduto representa também um importante passo no sentido da formação do mercado", completaram os analistas do Itaú BBA.
Brasileiro ficará mais inadimplente em 2011, dizem especialistas
O brasileiro ficará mais inadimplente em 2011, segundo previsões do gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi; e do presidente da Telecheque, José Antônio Praxedes Neto.
De acordo com Rabi, em 2010, a inadimplência deve encerrar o ano com taxa de aproximadamente 5%, percentual que deve ser ultrapassado no próximo ano. Já Praxedes aposta em taxas de 6% em janeiro, chegando a 15% no terceiro mês do ano.
“Por conta do aquecimento das vendas no Natal – em decorrência da população que antes não tinha acesso ao crédito - e do alongamento dos prazos, o primeiro quadrimestre do próximo ano é motivo de atenção”, observa Praxedes.
Juros
O aperto da política monetária, com aumento dos compulsórios e provável alta nos juros, também deve contribuir para que a inadimplência seja maior em 2011.
Além disso, na opinião de Rabi, o próximo ano não contará “com uma evolução tão favorável do mercado de trabalho”.
Entre os vilões do orçamento brasileiro estão as dívidas não bancárias (cartões, lojas, prestadores de serviços e financeiras) e as dívidas com bancos, que devem reverter o quadro de queda apresentado em 2010.
2010
No que diz respeito ao ano que está se encerrando, os dois especialistas avaliam 2010 como positivo quanto à inadimplência da pessoa física.
Rabi ressalta, por exemplo, a terceira desaceleração consecutiva nas taxas de inadimplência, que foi de 5,9% em 2009 e deve terminar 2010 em torno de 5%. “Este foi um ano favorável no mercado de trabalho, com as taxas de desemprego em queda durante o ano todo”.
O presidente da Telecheque também destaca as taxas menores, de 12,34% ante 12,46% apurada no ano passado, sublinhando, sobretudo, a maior exclusão de emitentes de cheques sem fundos dos cadastros de inclusão e exclusão desta forma de pagamento.
Dívidas não bancárias
Ainda sobre a inadimplência em 2010, as dívidas não bancárias foram as principais responsáveis pela alta de 5% apurada no ano. Segundo cálculos da Serasa, o atraso deste tipo de débito cresceu 35,5% em relação ao ano passado.
Por outro lado, o índice de cheques devolvidos registrou queda no período, de 28,5%, movimento que também foi verificado entre as dívidas com bancos e nos protestos de pessoas físicas em cartórios, que recuaram 1% e 15%, respectivamente.
Dentre os motivos que mais levaram os consumidores à inadimplência, Praxedes destaca o descontrole financeiro (34,2%), mas não deixa de citar os juros abusivos, especialmente nos cartões de crédito e financeiras.
“Quando falamos em descontrole financeiro, não estamos falando em compra por impulso e sim em qualquer tipo de despesa extra inesperada que venha a atingir a população de menor renda, que passou a comprar, mas ainda tem um orçamento muito apertado”, explica.
Perfil
Ainda de acordo com o presidente da Telecheque, em 2010, a população que recebe de dois a três salários mínimos foi a que mais apresentou contas em atraso (21,8%), seguida por aqueles com rendimento mensal entre um e dois mínimos (21,3%) e entre três e quatro mínimos (15,5%).
Por gênero, as mulheres foram as que mais se endividaram (54,3%), assim como os consumidores entre 30 e 50 anos, que responderam por 50% das dívidas em atraso.
Os gastos com vestuário (18,5%), serviços diversos (16%) e alimentos (10,1%) foram os maiores vilões do orçamento do consumidor brasileiro em 2010.
Em 2011, como se comportará o investidor na renda fixa?
Opções para os investidores mais conservadores não faltam no Brasil. É só pensar que, durante muito tempo, com a taxa básica de juro alta, os brasileiros deixavam o dinheiro render de forma segura nas modalidades de renda fixa. Mas qual deve ser o comportamento dos investidores em 2011 nestas categorias?
No caso da poupança, de acordo com o professor da Brazilian Business School, Ricardo Torres, 2010 foi um ano fantástico, mas 2011 deve ser um ano de mudança de comportamento.
“Quando a taxa Selic estava mais baixa no ano passado, havia uma migração de investidores mais sofisticados buscando o retorno da poupança, porque ela não paga Imposto de Renda. Em 2010, quando vimos a Selic a 10,75%, tivemos uma migração inversa, vazamento da poupança para outros investimentos, como CDBs, fundos DI e Tesouro Direto”, conta Torres. “Imaginávamos que iria reduzir a captação da poupança, porém, este ano, as classes C e D tiveram ganho de renda que foi bastante substancial e investiram na poupança, independentemente do retorno”.
Para 2011, no entanto, ele disse acreditar que a poupança deve reduzir o ritmo de crescimento nas captações. Com o aumento da taxa básica de juro, esperada para o início do próximo ano, investidores mais sofisticados devem recorrer a outras modalidades. Já aqueles das classes C e D não vão contar com um avanço tão expressivo da renda e, logo, sobrará menos capital para aplicar na poupança, ainda mais no início de ano, com diversas contas para pagar.
Outras modalidades
Confira, abaixo, o que se espera do comportamento do investidor em outras modalidades da renda fixa para o próximo ano, segundo o professor da Brazilian Business School:
- Fundos mais conservadores (renda fixa, DI e outros): depois da crise de 2008, o investidor brasileiro mudou seu comportamento e foi em busca de mais conhecimento, um choque para a indústria de fundos, que teve de adequar suas taxas de administração ao desempenho dos fundos. “Muitos fundos em que o gestor não tinha mais valia e cobrava taxas abusivas, como os DI, tiveram uma mudança substancial”, disse Torres. Em 2011, essa busca pelo conhecimento deve continuar. “Em 2011, será coroado o gestor dequalidade, que faz a diferença, não o que faz o trivial, por exemplo, compra Tesouro Direto com dinheiro do cliente”, ressaltou.
- Tesouro Direto: de acordo com Torres, muitos investidores saíram de fundos para investir direto em títulos públicos federais neste ano, movimento que deve continuar em 2011. “Em boa parte deste ano, títulos pré-fixados estavam sendo uma boa pedida. No final do ano, com a perspectiva de que a taxa de juro suba, com a perspectiva de inflação, os pós-fixados indexados à inflação ou mesmo à Selic vão ter uma busca maior. Lá para fevereiro/março, quando o Copom determinar que suba a taxa básica de juro, voltam os pré-fixados novamente”.
- CDBs (Certificados de Depósitos Interbancários): o professor disse que não recomenda a modalidade, não pelo risco das instituições financeiras, que no Brasil são sólidas, mas por conta da remuneração. “Um CDB bancário ter como rendimento um percentual do CDI que seja inferior a 100% acho muito baixo e a maioria das instituições financeiras, para valores inferiores a R$ 100 mil, pagam abaixo do CDI. As pessoas podem fazer melhor com o capital”.
- Debênture: esses títulos de dívidas emitidos pelas empresas são, para Torres, uma ótima opção para os investidores. “Mas não são muito populares porque existem poucas emissões a tal ponto que todas que são lançadas vão para carteiras de fundos e bancos”, ressaltou. “É um grande gargalo para o mercado financeiro”. Neste ano, a nova emissão de debêntures do BNDES Participações foi tida como bastante interessante para o pequeno investidor, que pode comprar o título no mesmo preço dos grandes aplicadores.
Dicas
De forma geral, as dicas de Torres para quem vai investir neste ano são buscar conhecimento, criar objetivos de curto, médio e longo prazos, criar o hábito e a disciplina de investir e buscar o menor risco e o maior retorno possível.
Energia e Telecom: setores têm mudanças negativas no vigésimo ano do CDC
O Código de Defesa do Consumidor completou 20 anos em 2010, marcado mais por pontos negativos do que positivos especialmente nos setores de energia e telecomunicações.
De acordo com a gerente jurídica do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Maria Elisa Cesar Novais, dentre as questões que foram prejudiciais ao consumidor no setor de energia, destaca-se a decisão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) de negar o reembolso aos consumidores de valorescobrados indevidamente por erros no cálculo dos reajustes das tarifas.
Energia
A opinião é compartilhada pela coordenadora institucional da Pro Teste – Associação de Consumidores, Maria Inês Dolci, para quem essa decisão descumpre os direitos do consumidor.
“Evidentemente que houve um erro, o consumidor pagou a mais por isso, porém as 63 distribuidoras receberam a mais do consumidor”, afirmou a coordenadora.
A definição dos preços de energia é feita com base nos custos das distribuidoras e no número de consumidores. A tarifa, no entanto, é definida no início do contrato e, na época dos reajustes, o cálculo não leva em conta o aumento no número de usuários.
Dessa forma, a metodologia utilizada na formação de preços das tarifas de energia, teria gerado desde 2002, de acordo com cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), um prejuízo da ordem de R$ 7 bilhões aos consumidores.
A Aneel e as distribuidoras aceitaram corrigir os cálculos, contudo, a agência tomou a decisão de não ressarcir os consumidores que foram cobrados indevidamente, alegando que isso provocaria instabilidade regulatória ao setor elétrico.
Telecomunicações
Já no setor de telecomunicações, de acordo com a gerente jurídica do Idec, o ano foi muito “movimentado”, uma vez que tinha como objetivos a universalização e a melhoria da qualidade dos serviços, tanto na banda larga quanto na telefonia, que, segundo ela, ainda não foram atingidos.
Quando se trata de telefonia fixa, para Maria Inês, da Pro Teste, o consumidor está sendo prejudicado. Ela citou como exemplo o detalhamento das ligações locais, que era um direito assegurado ao consumidor e foi para consulta pública.
“A cada cinco anos é feita uma reavaliação dos contratos. Portanto, essa discussão de voltar a colocar a conta detalhada como um direito que o consumidor não vai ter de forma automática é um retrocesso”, afirmou.
Outro problema encontrado na telefonia fixa é a cobrança da assinatura básica. De acordo com Maria Inês, essa cobrança faz parte dos contratos de concessão. O consumidor paga a assinatura para remunerar serviços e implementar a infraestrutura da rede, que já está toda implantada.
“Desde 2008 o consumidor já teve toda a rede implantada, a infraestrutura já está finalizada e o consumidor continua pagando uma tarifa cheia de assinatura básica”, disse ela.
Ainda segundo o coordenadora institucional da Pro Teste, o consumidor não tem chance de deixar de pagar a assinatura básica, já que faz parte do contrato de concessão, mas esse valor poderia ser reduzido e o consumidor também poderia ter a opção de fazer ligações locais sem limites.
“Quando eu falo de telecomunicações, eu abarco não só telefonia fixa, mas celular, banda larga, TV paga. Hoje telecomunicação significa acesso à informação, acesso ao conhecimento”, concluiu Maria Elisa, do Idec.
FONTE: INFOMONEY - Especial 2010 / 2011.
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