quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um bom ano na alocação de ativos... para o aplicador atento

Virada do ano é sempre um bom momento para uma reflexão e análise sobre o ano que termina. Também é o momento de se preparar para o ano seguinte, fazendo os ajustes necessários nos investimentos.


Gosto muito de segmentar a análise em diversas classes de ativos, procurando com isso entender qual foi o grau de dificuldade de se obter bons retornos. Com o entendimento a respeito dos erros e acertos devemos procurar os ajustes necessários para um prospero ano novo.

Inicialmente, olharia para os ativos de renda fixa prefixados; usando como referencia o índice IRFM, observamos um retorno de 11,67%, ou o equivalente a 120% do CDI, um bom retorno tendo em vista se tratar de uma classe de ativo de baixa volatilidade e curta duração.

Na sequência, colocaria os ativos indexados à inflação, utilizando o IPCA como referência e, portanto, o índice IMA-B. Observamos um retorno de 17,04%, equivalente a 175% do CDI, mostrando que a inflação atual mais alta e uma "reprecificação" da inflação futura contribuíram positivamente para o retorno dessa classe.

A próxima classe de ativo seria de crédito privado, composta pelos títulos emitidos por empresas. Não temos um índice especifico para quantificar o retorno, mas podemos qualificar como um ano de bons retornos, na medida que a quantidade de "defaults" foi insignificante, ao passo que as taxas pagas pelas empresas diminuíram ao longo do tempo, trazendo ganho para os títulos emitidos anteriormente.

Passadas as classes de ativos lastreadas em títulos, vamos para os fundos multimercados. Usamos como referência o IFMM, índice que congrega os 80 principais fundos do mercado e que apresentou um retorno de 9,16%, ou 94% do CDI, mostrando que o ano foi difícil para os fundos agressivos. Apesar disso, um investidor que fez uma boa seleção de fundos e se posicionou nos 25% melhores fundos da amostra obteve um retorno de 14,35%. Interessante comentar que destacaram-se positivamente os fundos "long/ short" e de arbitragem, em detrimento dos fundos macro.

Por fim, destaco o mercado de ações; o índice Ibovespa apresentou um retorno de 1% em 2010. Esse dado poderia passar a impressão de que foi um ano ruim para a parcela do patrimônio investida em ações. No entanto, essa performance foi muito afetada pela grande concentração do índice em algumas empresas que tiveram um desempenho muito fraco; se subtrairmos do índice Petrobras e o setor de siderurgia, chegamos a um índice com retorno de 6%.

O ponto aqui é que o investidor mais atento, que procurou se beneficiar de forma mais ampla do excelente desempenho da economia brasileira, teve um leque de opções bastante razoável e lucrativo; o índice de "small caps", por exemplo, apresentou um retorno de 22,8% no ano.

Uma correta gestão de patrimônio pressupõe uma carteira diversificada dentre as varias classes de ativos; como a maior parte das classes de ativos apresentou um desempenho satisfatório, enquanto outras classes não apresentaram bons retornos, foi a seleção mais atenta que trouxe bons resultados. Com isso, podemos concluir que 2010 foi um ano positivo para os investidores.

O que esperar de 2011? O ano começa com o Banco Central aumentando os juros, com o objetivo de arrefecer um pouco o crescimento da economia e, com isso, trazer a inflação para níveis compatíveis com as metas estabelecidas. No cenário externo, a economia americana começa a dar sinais de uma recuperação mais concreta, ao passo que os riscos de uma crise de crédito na Europa parecem cada vez maiores.

Diante desse cenário, que obviamente é muito mais complexo do que o resumo do parágrafo anterior (para descrevê-lo profundamente seria necessário um outro texto), em linhas gerais para os títulos prefixados podemos esperar um desempenho variado, com viés positivo para os títulos longos e negativo para os curtos, tendo em vista o ciclo de alta de juros.

Com relação aos títulos de inflação, podemos esperar mais um ano positivo, embora com menos intensidade. Já os títulos de crédito privado devem apresentar um desempenho pior do que em 2010, na medida em que os spreads pagos pelas empresas diminuíram bastante, em muitos casos não justificando o risco de crédito e a falta de liquidez. Por fim, tanto fundos multimercados quanto ações têm tudo para apresentar índices melhores, o que não diminui a importância de uma boa seleção por parte do investidor.

Temos tudo para ter um bom ano novamente... especialmente para o investidor atento.



Claudio Mifano é sócio da Claritas Wealth Management publicado no Valor Econômico de 02/02/2011

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