terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Brasil pode estar caminhando para crise de Sub-prime

O Brasil tem vivido uma farra de crédito - nos últimos cinco anos o crescimento do crédito foi de 2,4 vezes o Produto Interno Bruto nominal. Isso se compara com 2,0, 1,6 e 1,2 vezes para a Rússia, Índia e China, respectivamente.

Normalmente, este não é um problema, já que a alavancagem é crescente a partir de um nível baixo e o razão de crédito em relação ao PIB é "apenas" 46%, comparada com a dívida do setor privado em os EUA em 165% do PIB.

No entanto, o problema está com o peso que essa dívida está impondo sobre os mutuários. Apesar de uma queda da inflação a uma taxa anual razoável, de 6%, os bancos do Brasil cobram uma taxa de juros média de aproximadamente 25% ao ano e, em caso de empréstimos ao consumidor, as taxas são bem maiores que 30%. Isso significa que o mutuário base brasileira está pagando um juro real de cerca de 20-25% ao ano, contra uma norma de 1-3% na maioria dos países. Empréstimos no Brasil são caros e extremamente punitivos.


Para os consumidores especificamente, as implicações são sérias com fardo da dívida aumentando para 24% do rendimento disponível e tende a aumentar ainda mais se as taxas subirem. Devido a pressões inflacionárias, espera-se que a carga chegue a exorbitantes 30% até 2012. Para colocar isso em contexto, o consumidor dos EUA "explodiu" quando o peso da dívida atingiu 14% (com uma leitura atual de cerca de 12%. Em outras palavras, o consumidor brasileiro tem o dobro da carga da dívida a partir de uma perspectiva de fluxo de caixa em relação ao consumidor dos EUA que ainda é amplamente considerado como sendo alavancada em exagero.

A situação no Brasil é preocupantemente semelhante à crise do sub-prime nos os EUA. Um monte de crédito está sendo empurrado pelos bancos a taxas elevadas para os consumidores que acabam por não ser capaz de honrar a dívida.

Há também sinais ameaçadores de que o economista John Kenneth Galbraith chamou de "Bezzle" (fazer em excesso) começam a aparecer acima da superfície. Em novembro de 2010, um pequeno banco, Panamericano, foi pego falsificando suas perdas de crédito nos empréstimos ao consumidor - o banco foi recapitalizado durante a noite. Mas ao longo do ano, suas ações caíram 62% e foi recentemente vendida para a BTG Pactual em uma aquisição de ajuda ao banco, já que o banco central encontrou anomalias adicionais nas suas práticas contábeis.

Embora haja semelhanças com os EUA também existem características únicas no Brasil. O risco de  gestão em infra-estrutura tem ficado de lado na concessão de crédito para construir, com o cadastro positivo ainda fora de circulação. Isso permitiu que os mutuários construissem  várias linhas de crédito, sem conhecimento dos credores, especialmente porque a maioria dos empréstimos são "inseguros" e não há garantias envolvidas.

O Brasil está nesta situação, do ponto de vista financeiro, devido à ineficiência do sistema financeiro. A despesa operacional em relação a ativos do sistema bancário brasileiro é de impressionantes 4,2%  em comparação com 1,1% e 1,6% para os bancos chineses e indianos respectivamente, e essa base de grande despesa mantém o custo do crédito anormalmente elevados.

Do ponto de vista macro, uma baixa taxa de poupança e de uma moeda sobrevalorizada está colocando pressão sobre as taxas de crescimento e sobre a posição competitiva da economia - daí a movimentação para empurrar alavancagem no sistema, a fim de sustentar taxas de crescimento em linha com os pares Bric. Mas a realidade é que países como China e Índia têm sido mais bem sucedido na condução de rápidas taxas de crescimento, mantendo altas taxas de poupança e moedas mais competitivas. O problema do Brasil é que o país precisa equilibrar em proporções mais elevadas as taxas de poupança e investimento.

A história do Brasil está repleta de acidentes relacionados com a fraqueza das contas externas, inflação alta e desvalorizações da moeda - como recentemente, na década de 1990 o Brasil enfrentou um conjunto de problemas semelhante, provocando uma queda de 65% no mercado de capitais brasileiro entre o final de 1997 e final 2002, em termos de dólares dos EUA.

O desenvolvimento da política do Brasil tem sido muito fortalecida ao longo da última década e o país tem sido recompensada pelos mercados de títulos. Mas o Brasil vai precisar de alguma política hábil para gerenciar sua bolha de crédito atual, sem perder o controle. Qualquer desaceleração na economia eo conseqüente aumento nas taxas de desemprego podem criar uma espiral negativo de liquidez quando o crédito for extraído do sistema.

O Brasil será também uma importante economia para os investidores globais ficarem de olho: o mercado financeiro brasileiro tem sido um grande beneficiado da desinflação do comércio global, mas infelizmente para o Brasil, a taxa de juro global sobe por conta de pressões inflacionárias mais generalizadas que estão vindo no momento errado para uma economia que pode ter crescido muito com certo abandono no cenário de desinflação que permeava o mundo até pouco tempo.

Paul Marshall é CIO da Marshall Wace e co-gerente do Fundo Eureka. A obra foi co-escrito por Amit Rajpal, gerente de carteira de MW Global Financials Fundos

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