O Brasil tem vivido uma farra de crédito - nos últimos cinco anos o crescimento do crédito foi de 2,4 vezes o Produto Interno Bruto nominal. Isso se compara com 2,0, 1,6 e 1,2 vezes para a Rússia, Índia e China, respectivamente.
Normalmente, este não é um problema, já que a alavancagem é crescente a partir de um nível baixo e o razão de crédito em relação ao PIB é "apenas" 46%, comparada com a dívida do setor privado em os EUA em 165% do PIB.
No entanto, o problema está com o peso que essa dívida está impondo sobre os mutuários. Apesar de uma queda da inflação a uma taxa anual razoável, de 6%, os bancos do Brasil cobram uma taxa de juros média de aproximadamente 25% ao ano e, em caso de empréstimos ao consumidor, as taxas são bem maiores que 30%. Isso significa que o mutuário base brasileira está pagando um juro real de cerca de 20-25% ao ano, contra uma norma de 1-3% na maioria dos países. Empréstimos no Brasil são caros e extremamente punitivos.
Para os consumidores especificamente, as implicações são sérias com fardo da dívida aumentando para 24% do rendimento disponível e tende a aumentar ainda mais se as taxas subirem. Devido a pressões inflacionárias, espera-se que a carga chegue a exorbitantes 30% até 2012. Para colocar isso em contexto, o consumidor dos EUA "explodiu" quando o peso da dívida atingiu 14% (com uma leitura atual de cerca de 12%. Em outras palavras, o consumidor brasileiro tem o dobro da carga da dívida a partir de uma perspectiva de fluxo de caixa em relação ao consumidor dos EUA que ainda é amplamente considerado como sendo alavancada em exagero.
A situação no Brasil é preocupantemente semelhante à crise do sub-prime nos os EUA. Um monte de crédito está sendo empurrado pelos bancos a taxas elevadas para os consumidores que acabam por não ser capaz de honrar a dívida.
Há também sinais ameaçadores de que o economista John Kenneth Galbraith chamou de "Bezzle" (fazer em excesso) começam a aparecer acima da superfície. Em novembro de 2010, um pequeno banco, Panamericano, foi pego falsificando suas perdas de crédito nos empréstimos ao consumidor - o banco foi recapitalizado durante a noite. Mas ao longo do ano, suas ações caíram 62% e foi recentemente vendida para a BTG Pactual em uma aquisição de ajuda ao banco, já que o banco central encontrou anomalias adicionais nas suas práticas contábeis.
Embora haja semelhanças com os EUA também existem características únicas no Brasil. O risco de gestão em infra-estrutura tem ficado de lado na concessão de crédito para construir, com o cadastro positivo ainda fora de circulação. Isso permitiu que os mutuários construissem várias linhas de crédito, sem conhecimento dos credores, especialmente porque a maioria dos empréstimos são "inseguros" e não há garantias envolvidas.
O Brasil está nesta situação, do ponto de vista financeiro, devido à ineficiência do sistema financeiro. A despesa operacional em relação a ativos do sistema bancário brasileiro é de impressionantes 4,2% em comparação com 1,1% e 1,6% para os bancos chineses e indianos respectivamente, e essa base de grande despesa mantém o custo do crédito anormalmente elevados.
Do ponto de vista macro, uma baixa taxa de poupança e de uma moeda sobrevalorizada está colocando pressão sobre as taxas de crescimento e sobre a posição competitiva da economia - daí a movimentação para empurrar alavancagem no sistema, a fim de sustentar taxas de crescimento em linha com os pares Bric. Mas a realidade é que países como China e Índia têm sido mais bem sucedido na condução de rápidas taxas de crescimento, mantendo altas taxas de poupança e moedas mais competitivas. O problema do Brasil é que o país precisa equilibrar em proporções mais elevadas as taxas de poupança e investimento.
A história do Brasil está repleta de acidentes relacionados com a fraqueza das contas externas, inflação alta e desvalorizações da moeda - como recentemente, na década de 1990 o Brasil enfrentou um conjunto de problemas semelhante, provocando uma queda de 65% no mercado de capitais brasileiro entre o final de 1997 e final 2002, em termos de dólares dos EUA.
O desenvolvimento da política do Brasil tem sido muito fortalecida ao longo da última década e o país tem sido recompensada pelos mercados de títulos. Mas o Brasil vai precisar de alguma política hábil para gerenciar sua bolha de crédito atual, sem perder o controle. Qualquer desaceleração na economia eo conseqüente aumento nas taxas de desemprego podem criar uma espiral negativo de liquidez quando o crédito for extraído do sistema.
O Brasil será também uma importante economia para os investidores globais ficarem de olho: o mercado financeiro brasileiro tem sido um grande beneficiado da desinflação do comércio global, mas infelizmente para o Brasil, a taxa de juro global sobe por conta de pressões inflacionárias mais generalizadas que estão vindo no momento errado para uma economia que pode ter crescido muito com certo abandono no cenário de desinflação que permeava o mundo até pouco tempo.
Paul Marshall é CIO da Marshall Wace e co-gerente do Fundo Eureka. A obra foi co-escrito por Amit Rajpal, gerente de carteira de MW Global Financials Fundos
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Empresas usuárias do MEG (Modelo de Excelência em Gestão) têm melhor desempenho financeiro
A fim de mensurar o desempenho financeiro das empresas que utilizam o Modelo de Excelência em Gestão (MEG), a Serasa Experian realizou uma pesquisa, a pedido da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), para comparar os resultados das organizações que adotam o MEG com os índices da média do conjunto das organizações de seus respectivos setores. O estudo revelou que quem utiliza o Modelo têm um desempenho superior em termos de faturamento, lucro, receita e endividamento inferior às concorrentes. Os setores de maior destaque foram Indústria, Comércio e Serviço, respectivamente.
O estudo, realizado a cada dois anos, foi elaborado a partir dos demonstrativos financeiros de uma amostra de 179 empresas usuárias do MEG, que foram comparados com os indicadores econômico-financeiros das demais organizações pertencentes aos seus segmentos de atuação num período entre 2000 e 2009.
No setor industrial, o índice de maior destaque em 2009 entre as usuárias do MEG foi a margem Ebtida (lucro da empresa, desconsiderando juros, impostos, depreciação e amortização) sobre o faturamento líquido: aproximadamente 20%, enquanto o das demais ficou em 14,6%.
Os dados da indústria também são superiores em relação à margem de lucro ajustada. Apesar da brusca queda da curva no setor Indústria em 2008, reflexo de perdas com derivativos e desvalorização cambial, a evolução do índice das indústrias que usam o MEG alcançou 19,6% em 2009, frente à aproximadamente 12% da média no setor.
Já em relação ao setor do Comércio, o estudo mostrou que as organizações que se orientam pelo Modelo contraíram, em 2009, menos dívidas do que as demais empresas do setor. As usuárias do MEG contabilizaram um endividamento total de 70%, contra 186% das outras, e endividamento bancário de 5%, ante 78% da média do setor.
Além dos setores industrial e comercial, a pesquisa apontou benefícios do uso do MEG também no setor de Serviço, no qual os números que mais chamaram atenção foram os de faturamento. As empresas que adotam o Modelo obtiveram, em 2009, uma evolução de 32,7% em seu faturamento, enquanto o setor em geral variou 25,3%.
Para o diretor-executivo da FNQ, Ricardo Corrêa, os índices apresentados na pesquisa evidenciam a importância da busca pela excelência. “O estudo mostra que o uso do MEG como referência para autoavaliação, definição de planos de melhoria e implantação de um programa de excelência da gestão gera resultados concretos para a empresa”, conclui.
Fonte: Fundação Nacional da Qualidade
O estudo, realizado a cada dois anos, foi elaborado a partir dos demonstrativos financeiros de uma amostra de 179 empresas usuárias do MEG, que foram comparados com os indicadores econômico-financeiros das demais organizações pertencentes aos seus segmentos de atuação num período entre 2000 e 2009.
No setor industrial, o índice de maior destaque em 2009 entre as usuárias do MEG foi a margem Ebtida (lucro da empresa, desconsiderando juros, impostos, depreciação e amortização) sobre o faturamento líquido: aproximadamente 20%, enquanto o das demais ficou em 14,6%.
Os dados da indústria também são superiores em relação à margem de lucro ajustada. Apesar da brusca queda da curva no setor Indústria em 2008, reflexo de perdas com derivativos e desvalorização cambial, a evolução do índice das indústrias que usam o MEG alcançou 19,6% em 2009, frente à aproximadamente 12% da média no setor.
Já em relação ao setor do Comércio, o estudo mostrou que as organizações que se orientam pelo Modelo contraíram, em 2009, menos dívidas do que as demais empresas do setor. As usuárias do MEG contabilizaram um endividamento total de 70%, contra 186% das outras, e endividamento bancário de 5%, ante 78% da média do setor.
Além dos setores industrial e comercial, a pesquisa apontou benefícios do uso do MEG também no setor de Serviço, no qual os números que mais chamaram atenção foram os de faturamento. As empresas que adotam o Modelo obtiveram, em 2009, uma evolução de 32,7% em seu faturamento, enquanto o setor em geral variou 25,3%.
Para o diretor-executivo da FNQ, Ricardo Corrêa, os índices apresentados na pesquisa evidenciam a importância da busca pela excelência. “O estudo mostra que o uso do MEG como referência para autoavaliação, definição de planos de melhoria e implantação de um programa de excelência da gestão gera resultados concretos para a empresa”, conclui.
Fonte: Fundação Nacional da Qualidade
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
O amor, a perda e a escolha das ações
Quem gosta de perder levante a mão! Não deu para ver direito, mas tenho a impressão de que ninguém levantou... Como já comentamos tantas vezes, aqui e alhures, viemos com essa marca registrada de fábrica: abominamos perder.
Dinheiro, então, nem se fala. Mas é sempre bom lembrar também de uma outra particularidade - perder oportunidades é outro trem ruim de engolir! Dá para entender, trazendo a concepção de "mundo mental" para a discussão: oportunidades perdidas podem ser representadas, em nossa mente, a nosso bel-prazer. Podemos fantasiar que teriam nos trazido o Jardim do Éden ou que teríamos nos tornado as pessoas mais felizes do universo caso tivéssemos sido capazes de aproveitá-las, e por aí vai.
Em outras palavras, o que não aconteceu na realidade externa (esta que compartilhamos com os demais e captamos pelos órgãos dos sentidos) pode virar qualquer coisa na dimensão psíquica, no foro íntimo de cada um. E aí, meu amigo, só Deus sabe o que pode acabar desenhado...
É por isso que, para muita gente, perder oportunidades dói até mais do que perder coisas, pessoas ou situações concretas. Vai que era naquela vez que você acertaria na mega-sena e se tornaria milionário, com direito a voar na primeira classe da Emirates, aquela que dá direito a suíte e banheiro privativo com chuveiro!
Como justo nesta semana não deu tempo de fazer a aposta, o caso pode virar convicção de que, só por isso, você deixou passar a chance de entrar na lista da Forbes. Ou quando a garota bonita sorri no trânsito e você jura que era para você, mas não deu tempo para emparelhar o carro com o dela... E lá se foi a mulher da sua vida!
Naturalmente, vale a pena lembrar também daquelas situações em que você pretendia comprar papéis ou realizar lucros, mas, por alguma razão, não o fez. Você quis se esbofetear depois, não? Isso para não falar de quando sobra para o seu gestor ou consultor...
Mas, calma, talvez a perda não tenha sido a mais grave da sua vida. Perder o sono e ficar se remoendo a propósito do que deixou de ganhar potencialmente, isto é, sem que a situação tenha ocorrido de fato, é que não vai ser útil para dar conta de tudo com mais serenidade da próxima vez. Abaixo o estresse desnecessário! Nossa imaginação é portentosa e pode nos pregar peças desse tipo. Afinal, já combinamos que satisfação absoluta nem sequer existe, certo?
Próxima ideia, portanto: como dizia o Tim Maia, agora vamos falar de amor... E de perda, também. Ninguém se surpreende se dissermos que os investidores gostam muito - e até chegam a amar - ações que estão subindo, ao passo que odeiam aquelas que estão caindo, não é mesmo? Vai daí que existe uma tendência, quase "natural", diríamos, a buscar os deliciosos papéis que estão em plena ascensão, enquanto se evita, como o diabo a cruz, aquelas que estão em queda. Até aí, tudo bem.
Mas não para pesquisadores argutos de finanças comportamentais, que, como é seu costume, procuram ir um pouco além do óbvio. Aqui não foi diferente (Thaler e DeBondt, citados por Burnham, 2008). Eles compararam portfólios de ações que haviam sido "winners" e "losers" ao longo de alguns anos, e descobriram que, em três anos, as originalmente pobres e mal-amadas bateram o mercado em até 19,6%! Já as reluzentes e cobiçadas ficaram 5% abaixo do mercado! É curioso ou não?
Assim, eles também concluíram que ações individuais podem obedecer a ciclos de subidas e descidas idênticos ao mercado como um todo: subidas são precedidas por pessimismo e quedas seguem otimismo. Sim, o de sempre: ir contra a manada pode significar ganhos mais expressivos.
Contudo, como tudo na vida, falar é fácil... O duro mesmo é chegar ali, na hora H, e fazer isso! O investidor se arma das melhores intenções, jura por tudo que é mais sagrado que, na próxima vez, tudo vai ser diferente, não vai se impressionar só porque os colegas do escritório estão comprando ou vendendo 'x' ou 'y', nada disso, eu sou mais eu, e vou analisar tudo com o maior cuidado, e fazer só o que for mais indicado naquela circunstância. Quem dera... O poder do grupo costuma ganhar longe de nossas frágeis habilidades para fazer frente a ele. Mas claro que não custa tentar!
Vera Rita de Mello Ferreira é psicanalista, representante no Brasil da International Association for Research in Economic Psychology (Iarep) e autora dos livros "Psicologia Econômica" e "Decisões econômicas - você já parou para pensar?"
Dinheiro, então, nem se fala. Mas é sempre bom lembrar também de uma outra particularidade - perder oportunidades é outro trem ruim de engolir! Dá para entender, trazendo a concepção de "mundo mental" para a discussão: oportunidades perdidas podem ser representadas, em nossa mente, a nosso bel-prazer. Podemos fantasiar que teriam nos trazido o Jardim do Éden ou que teríamos nos tornado as pessoas mais felizes do universo caso tivéssemos sido capazes de aproveitá-las, e por aí vai.
Em outras palavras, o que não aconteceu na realidade externa (esta que compartilhamos com os demais e captamos pelos órgãos dos sentidos) pode virar qualquer coisa na dimensão psíquica, no foro íntimo de cada um. E aí, meu amigo, só Deus sabe o que pode acabar desenhado...
É por isso que, para muita gente, perder oportunidades dói até mais do que perder coisas, pessoas ou situações concretas. Vai que era naquela vez que você acertaria na mega-sena e se tornaria milionário, com direito a voar na primeira classe da Emirates, aquela que dá direito a suíte e banheiro privativo com chuveiro!
Como justo nesta semana não deu tempo de fazer a aposta, o caso pode virar convicção de que, só por isso, você deixou passar a chance de entrar na lista da Forbes. Ou quando a garota bonita sorri no trânsito e você jura que era para você, mas não deu tempo para emparelhar o carro com o dela... E lá se foi a mulher da sua vida!
Naturalmente, vale a pena lembrar também daquelas situações em que você pretendia comprar papéis ou realizar lucros, mas, por alguma razão, não o fez. Você quis se esbofetear depois, não? Isso para não falar de quando sobra para o seu gestor ou consultor...
Mas, calma, talvez a perda não tenha sido a mais grave da sua vida. Perder o sono e ficar se remoendo a propósito do que deixou de ganhar potencialmente, isto é, sem que a situação tenha ocorrido de fato, é que não vai ser útil para dar conta de tudo com mais serenidade da próxima vez. Abaixo o estresse desnecessário! Nossa imaginação é portentosa e pode nos pregar peças desse tipo. Afinal, já combinamos que satisfação absoluta nem sequer existe, certo?
Próxima ideia, portanto: como dizia o Tim Maia, agora vamos falar de amor... E de perda, também. Ninguém se surpreende se dissermos que os investidores gostam muito - e até chegam a amar - ações que estão subindo, ao passo que odeiam aquelas que estão caindo, não é mesmo? Vai daí que existe uma tendência, quase "natural", diríamos, a buscar os deliciosos papéis que estão em plena ascensão, enquanto se evita, como o diabo a cruz, aquelas que estão em queda. Até aí, tudo bem.
Mas não para pesquisadores argutos de finanças comportamentais, que, como é seu costume, procuram ir um pouco além do óbvio. Aqui não foi diferente (Thaler e DeBondt, citados por Burnham, 2008). Eles compararam portfólios de ações que haviam sido "winners" e "losers" ao longo de alguns anos, e descobriram que, em três anos, as originalmente pobres e mal-amadas bateram o mercado em até 19,6%! Já as reluzentes e cobiçadas ficaram 5% abaixo do mercado! É curioso ou não?
Assim, eles também concluíram que ações individuais podem obedecer a ciclos de subidas e descidas idênticos ao mercado como um todo: subidas são precedidas por pessimismo e quedas seguem otimismo. Sim, o de sempre: ir contra a manada pode significar ganhos mais expressivos.
Contudo, como tudo na vida, falar é fácil... O duro mesmo é chegar ali, na hora H, e fazer isso! O investidor se arma das melhores intenções, jura por tudo que é mais sagrado que, na próxima vez, tudo vai ser diferente, não vai se impressionar só porque os colegas do escritório estão comprando ou vendendo 'x' ou 'y', nada disso, eu sou mais eu, e vou analisar tudo com o maior cuidado, e fazer só o que for mais indicado naquela circunstância. Quem dera... O poder do grupo costuma ganhar longe de nossas frágeis habilidades para fazer frente a ele. Mas claro que não custa tentar!
Vera Rita de Mello Ferreira é psicanalista, representante no Brasil da International Association for Research in Economic Psychology (Iarep) e autora dos livros "Psicologia Econômica" e "Decisões econômicas - você já parou para pensar?"
Um bom ano na alocação de ativos... para o aplicador atento
Virada do ano é sempre um bom momento para uma reflexão e análise sobre o ano que termina. Também é o momento de se preparar para o ano seguinte, fazendo os ajustes necessários nos investimentos.
Gosto muito de segmentar a análise em diversas classes de ativos, procurando com isso entender qual foi o grau de dificuldade de se obter bons retornos. Com o entendimento a respeito dos erros e acertos devemos procurar os ajustes necessários para um prospero ano novo.
Inicialmente, olharia para os ativos de renda fixa prefixados; usando como referencia o índice IRFM, observamos um retorno de 11,67%, ou o equivalente a 120% do CDI, um bom retorno tendo em vista se tratar de uma classe de ativo de baixa volatilidade e curta duração.
Na sequência, colocaria os ativos indexados à inflação, utilizando o IPCA como referência e, portanto, o índice IMA-B. Observamos um retorno de 17,04%, equivalente a 175% do CDI, mostrando que a inflação atual mais alta e uma "reprecificação" da inflação futura contribuíram positivamente para o retorno dessa classe.
A próxima classe de ativo seria de crédito privado, composta pelos títulos emitidos por empresas. Não temos um índice especifico para quantificar o retorno, mas podemos qualificar como um ano de bons retornos, na medida que a quantidade de "defaults" foi insignificante, ao passo que as taxas pagas pelas empresas diminuíram ao longo do tempo, trazendo ganho para os títulos emitidos anteriormente.
Passadas as classes de ativos lastreadas em títulos, vamos para os fundos multimercados. Usamos como referência o IFMM, índice que congrega os 80 principais fundos do mercado e que apresentou um retorno de 9,16%, ou 94% do CDI, mostrando que o ano foi difícil para os fundos agressivos. Apesar disso, um investidor que fez uma boa seleção de fundos e se posicionou nos 25% melhores fundos da amostra obteve um retorno de 14,35%. Interessante comentar que destacaram-se positivamente os fundos "long/ short" e de arbitragem, em detrimento dos fundos macro.
Por fim, destaco o mercado de ações; o índice Ibovespa apresentou um retorno de 1% em 2010. Esse dado poderia passar a impressão de que foi um ano ruim para a parcela do patrimônio investida em ações. No entanto, essa performance foi muito afetada pela grande concentração do índice em algumas empresas que tiveram um desempenho muito fraco; se subtrairmos do índice Petrobras e o setor de siderurgia, chegamos a um índice com retorno de 6%.
O ponto aqui é que o investidor mais atento, que procurou se beneficiar de forma mais ampla do excelente desempenho da economia brasileira, teve um leque de opções bastante razoável e lucrativo; o índice de "small caps", por exemplo, apresentou um retorno de 22,8% no ano.
Uma correta gestão de patrimônio pressupõe uma carteira diversificada dentre as varias classes de ativos; como a maior parte das classes de ativos apresentou um desempenho satisfatório, enquanto outras classes não apresentaram bons retornos, foi a seleção mais atenta que trouxe bons resultados. Com isso, podemos concluir que 2010 foi um ano positivo para os investidores.
O que esperar de 2011? O ano começa com o Banco Central aumentando os juros, com o objetivo de arrefecer um pouco o crescimento da economia e, com isso, trazer a inflação para níveis compatíveis com as metas estabelecidas. No cenário externo, a economia americana começa a dar sinais de uma recuperação mais concreta, ao passo que os riscos de uma crise de crédito na Europa parecem cada vez maiores.
Diante desse cenário, que obviamente é muito mais complexo do que o resumo do parágrafo anterior (para descrevê-lo profundamente seria necessário um outro texto), em linhas gerais para os títulos prefixados podemos esperar um desempenho variado, com viés positivo para os títulos longos e negativo para os curtos, tendo em vista o ciclo de alta de juros.
Com relação aos títulos de inflação, podemos esperar mais um ano positivo, embora com menos intensidade. Já os títulos de crédito privado devem apresentar um desempenho pior do que em 2010, na medida em que os spreads pagos pelas empresas diminuíram bastante, em muitos casos não justificando o risco de crédito e a falta de liquidez. Por fim, tanto fundos multimercados quanto ações têm tudo para apresentar índices melhores, o que não diminui a importância de uma boa seleção por parte do investidor.
Temos tudo para ter um bom ano novamente... especialmente para o investidor atento.
Claudio Mifano é sócio da Claritas Wealth Management publicado no Valor Econômico de 02/02/2011
Gosto muito de segmentar a análise em diversas classes de ativos, procurando com isso entender qual foi o grau de dificuldade de se obter bons retornos. Com o entendimento a respeito dos erros e acertos devemos procurar os ajustes necessários para um prospero ano novo.
Inicialmente, olharia para os ativos de renda fixa prefixados; usando como referencia o índice IRFM, observamos um retorno de 11,67%, ou o equivalente a 120% do CDI, um bom retorno tendo em vista se tratar de uma classe de ativo de baixa volatilidade e curta duração.
Na sequência, colocaria os ativos indexados à inflação, utilizando o IPCA como referência e, portanto, o índice IMA-B. Observamos um retorno de 17,04%, equivalente a 175% do CDI, mostrando que a inflação atual mais alta e uma "reprecificação" da inflação futura contribuíram positivamente para o retorno dessa classe.
A próxima classe de ativo seria de crédito privado, composta pelos títulos emitidos por empresas. Não temos um índice especifico para quantificar o retorno, mas podemos qualificar como um ano de bons retornos, na medida que a quantidade de "defaults" foi insignificante, ao passo que as taxas pagas pelas empresas diminuíram ao longo do tempo, trazendo ganho para os títulos emitidos anteriormente.
Passadas as classes de ativos lastreadas em títulos, vamos para os fundos multimercados. Usamos como referência o IFMM, índice que congrega os 80 principais fundos do mercado e que apresentou um retorno de 9,16%, ou 94% do CDI, mostrando que o ano foi difícil para os fundos agressivos. Apesar disso, um investidor que fez uma boa seleção de fundos e se posicionou nos 25% melhores fundos da amostra obteve um retorno de 14,35%. Interessante comentar que destacaram-se positivamente os fundos "long/ short" e de arbitragem, em detrimento dos fundos macro.
Por fim, destaco o mercado de ações; o índice Ibovespa apresentou um retorno de 1% em 2010. Esse dado poderia passar a impressão de que foi um ano ruim para a parcela do patrimônio investida em ações. No entanto, essa performance foi muito afetada pela grande concentração do índice em algumas empresas que tiveram um desempenho muito fraco; se subtrairmos do índice Petrobras e o setor de siderurgia, chegamos a um índice com retorno de 6%.
O ponto aqui é que o investidor mais atento, que procurou se beneficiar de forma mais ampla do excelente desempenho da economia brasileira, teve um leque de opções bastante razoável e lucrativo; o índice de "small caps", por exemplo, apresentou um retorno de 22,8% no ano.
Uma correta gestão de patrimônio pressupõe uma carteira diversificada dentre as varias classes de ativos; como a maior parte das classes de ativos apresentou um desempenho satisfatório, enquanto outras classes não apresentaram bons retornos, foi a seleção mais atenta que trouxe bons resultados. Com isso, podemos concluir que 2010 foi um ano positivo para os investidores.
O que esperar de 2011? O ano começa com o Banco Central aumentando os juros, com o objetivo de arrefecer um pouco o crescimento da economia e, com isso, trazer a inflação para níveis compatíveis com as metas estabelecidas. No cenário externo, a economia americana começa a dar sinais de uma recuperação mais concreta, ao passo que os riscos de uma crise de crédito na Europa parecem cada vez maiores.
Diante desse cenário, que obviamente é muito mais complexo do que o resumo do parágrafo anterior (para descrevê-lo profundamente seria necessário um outro texto), em linhas gerais para os títulos prefixados podemos esperar um desempenho variado, com viés positivo para os títulos longos e negativo para os curtos, tendo em vista o ciclo de alta de juros.
Com relação aos títulos de inflação, podemos esperar mais um ano positivo, embora com menos intensidade. Já os títulos de crédito privado devem apresentar um desempenho pior do que em 2010, na medida em que os spreads pagos pelas empresas diminuíram bastante, em muitos casos não justificando o risco de crédito e a falta de liquidez. Por fim, tanto fundos multimercados quanto ações têm tudo para apresentar índices melhores, o que não diminui a importância de uma boa seleção por parte do investidor.
Temos tudo para ter um bom ano novamente... especialmente para o investidor atento.
Claudio Mifano é sócio da Claritas Wealth Management publicado no Valor Econômico de 02/02/2011
Carteiras Recomendadas para Fevereiro de 2011
Seguem abaixo as carteiras recomendadas pelas principais corretoras para o mês de fevereiro.
Fontes: http://www.primeiromilhao.com.br/ e Valor Econômico
Fontes: http://www.primeiromilhao.com.br/ e Valor Econômico
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